terça-feira, 29 de março de 2016

De volta para actualizãção e partilha de experiencias

Quase nem acreditei quando reparei que já passaram dois anos desde da minha ultima publicacao! O tempo realmente foge.

Vários seguidores do blog me pediram uma actualização e eu andava de dia em dia para vos escrever,. A razão da minha ausencia deveu-se a razões de caracter pessoal (não relacionadas com a saude). Mas sinto que é realmente necessario partilhar aquilo que sei e que tenho aprendido ao logo deste tempo. A vida  é uma constante aprendizagem e ajuda imenso se tivermos a história de alguem que já passou pelo mesmo e que vê as coisas com uma outra perspectiva. 

Muitas pessoas chegam ate mim para desabafar,  obter informações ou um conselho. Eu ajudo no que posso. A minha medica senologista envia as doentes directamente para o meu blogue e muitas acabam por descobrir como me contactar. Nao sou perita no assunto, apenas sei aquilo que aprendi com a minha propria experiencia e tenho sempre esperanca de transmitir uma mensagem positiva, porque a esperança é a ultima a morrer. 

Lembro-me uma vez no ano passado, estava à espera da consulta anual de senologia na sala de espera. Subitamente o numero do ecrã passa para o meu numero e olho para a porta do consultorio, mas nao vejo a ultima paciente a sair. Reticente bato à porta e quando a abro vejo uma senhora a chorar. Tinha acabado de receber a noticia que tinha cancro da mama.
A minha médica olha para mim e diz: - Claudia, diga aqui a esta senhora que vai ficar tudo bem!
Ao que eu imediatamente respondi: - Claro que vai!
A medica contou-lhe que eu tinha tido o mesmo que ela e que agora estava ali muito bem de saude. Acabei por mostrar a minha mama com a cicatriz e a senhora saiu do consultorio com o coração mais leve. Com esperança. Porque no fundo o medo é causado pela incerteza do que vai acontecer. Agora aquela senhora  podia ter uma visão mais clara do que podia esperar após a cirurgia. E como a mente contribui 50% para a cura (senao mais) já é meio caminho andado.

No inicio do meu caminho, encontrei uma senhora numa sala de espera que depois de conversarmos uma com a outra, me levou para a casa de banho e me mostrou a como tinha ficado a sua mastectomia. E também houve alguem me passou o telefone de uma outra senhora que, sem me conhecer, me falou do que ia acontecer e me esclareceu. 

A vida é dar e receber. E faço-o de coracão e continuarei a fazer. 

Há pessoas que fogem um pouco do passado. Nao querem falar do que lhes aconteceu (cada pessoa tem a sua maneira de reagir). Comigo acontece totalmente o oposto. Como posso ignorar algo que mudou tanto a minha vida, a minha maneira de ser e de pensar? 

Assim, os proximos posts serão um resumo da aprendizagem destes ultimos 2 anos e um pouco de partilha do que aconteceu comigo a nivel pessoal.

Não posso deixar de referir que o ano que passou foi um ano muito pesado em termos de perdas. Perdi 6 amigas. Partiu-me o coracão vê-las partir. Todas lutaram muito. 

Por isso a vigilância é tão importante e apanhar o bicho com antecedencia é o passo principal para vencer a batalha.

E viver um dia de cada vez. o melhor que se pode. Porque a vida é um bem tão precisoso.

Ps. Se descobrirem muitos erros ortograficos neste post e nos seguintes... o corrector autografico não está a funcionar.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Evolução...




A minha querida amiga Ana Camoes do blog "A vida não é fácil" fez-me este video há algum tempo atrás. Mostra a minha evolução do antes, durante e depois dos tratamentos. (tirando a foto da minha irmã a segurar umas cuecas de Natal LOL).

É  interessante ver que agora me olho no espelho e a Claudia que está lá não é nenhuma dessas que aparece no video. É o seguimento de uma evolução :)

Beijokas fofas!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Limpando o Cateter...

Olá a todos,

Quero primeiro agradecer a todos os quanto me enviam palavras de agradecimento pelo blog. Sinto-me muito feliz por saber que ajuda tantas pessoas numa fase tão desafiante da vida, foi esse o meu principal objectivo: ser um blog util.

Hoje venho falar do meu amigo cateter. Ainda não consegui tratar das coisas em Inglaterra e por isso tenho vindo a Portugal limpá-lo. Supostamente a limpeza do catéter em Portugal é de 6 em 6 semanas (sim, difere de país para país)... digo supostamente porque tenho esticado o prazo e faço-o em cada 10 semanas.

A limpeza do Cateter não dói muito
e quando é limpo pela enfermeira certa é super rápido. É a mesma coisa levarmos com uma picada no braço para tirar sangue, a diferença é que no meu caso a picada é mesmo acima do coração.

O meu cateter está muito fundo e por isso a agulha tem de ser a maior, mas isso nao faz diferença, a unica coisa que quero é que quando sou espetada a agulha vá parar ao sitio certo.

Ultimamente tem sido a Enfermeira Carmo (que é um amor de pessoa) a limpá-lo! E ela tem olho e nunca falha! :D É um alivio e ainda damos umas gargalhadas!

Aqui ficam algumas fotos que ilustram aquilo que falo:


A Enfermeira Carmo a tentar encontrar o cateter




Aqui temos cateter espetado... retirada de sangue e depois leva com outro liquido qualquer transparente que eu não sei o nome. 5 minutos e está limpo!

Se me chateia limpar o cateter periodicamente? Sim.
Chegamos a um ponto ao fim de quase 4 anos que estamos fartos de todos os cuidados médicos, sejam consultas, exames de rotina, etc etc... E eu, só de imaginar que passados os 5 anos ainda tenho de ir para uma sala de operações para o retirar tremo logo!

Mas ao mesmo tempo a limpeza do cateter é apenas uma coisa minima quando uma pessoa já passou por tanto e por isso faço-o com boa disposição. E, é sempre bom chegarmos ao hospital, e ter-mos enfermeiras tão bem dispostas à nossa espera. No fundo, penso que vou à sala dos tratamentos para dar umas beijokas a todas as pessoas tão simpáticas que por ali trabalham.

É para essas pessoas que hoje vai um beijinho especial do coração!






:















sábado, 28 de dezembro de 2013

Televisão 2013


Estava aqui a lembrar-me que ainda não tinha colocado no blog as duas entrevistas que tive este ano na televisão. Aqui ficam elas:

Março 2013



Julho 2013




quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Para a frente é o caminho...

Olá a todos,

No mês de Agosto tive consulta com a Senologista. Como estava tudo bem ela só me quer voltar a ver lá para Janeiro (para depois me mandar fazer uma ressonância mamaria... é certinho que da próxima vez não me safo de a fazer).

Depois voei para Londres. Nunca eu adivinharia no inicio deste blog que estaria à procura de trabalho em Londres 3 anos depois, aliás quando a história toda começou trabalhava há anos numa empresa e estava bem posicionada. O facto é que a fase da doença revolucionou a minha vida e não podemos voltar atrás e não podemos controlar o futuro. O futuro a Deus pertence, como se diz. E se há coisa que um doente oncológico sabe é que na nossa vida não há controlo de nada, podemos tentar, comemos melhor, tentamos não ter tanto stress, exercitamos o  corpo, mas o resultado não está totalmente nas nossas mãos. É andar sempre com fé.

O período veio em Junho e depois desapareceu. Doí-me o mamilo da mama boa, como se tivesse sensível e a única coisa que me descansa para não entrar em paranoia é o facto de ter uma ecografia feita em Julho. Tou em apostar que é o periodo que pode aparecer por aí a qualquer momento e que isto seja uma revolução de hormonas qualquer. Portanto tento simplesmente ignorar, mantendo o fantasma afastado. Muito jogo mental! Muita meditação e pensamento positivo!

A procura de emprego é interessante, já fui a umas entrevistas e existe uma pergunta que tento sempre contornar  "Porque é que deixou a empresa onde trabalhava?" ou "O que fez desde que deixou a empresa onde trabalhava?".

A ultima coisa que quero referir numa entrevista é a palavra cancro, muitas vezes associada à morte.

Questão: "Porque é que deixou a empresa onde trabalhava?"
O que eu queria responder: "Depois de 2 anos a combater um cancro da mama estava esgotada física e mentalmente para fazer 4 horas de transportes públicos por dia."
O que eu respondo: "A empresa estava a despedir os trabalhadores" (o que é bastante verdade)

Questão: "O que fez desde que deixou a empresa onde trabalhava?"

O que eu queria responder: "Bem, descansei. Analisei a evolução do meu braço direito (que agora já me permite estar mais tempo ao computador. Fiz mais exames medicos, emagreci e fiz exercício fisico. Basicamente foi tentar novamente reconhecer-me no espelho e tentar ter um equilíbrio entre a Claudia de antigamente e a Claudia de agora. Fiz voluntariado na Biblioteca municipal e publiquei um livro para crianças. Tentei arranjar emprego em Portugal, mas como Portugal está em crise decidi tentar Londres.
O que eu respondo: "Fiz voluntariado na Biblioteca municipal e publiquei um livro para crianças. Tentei arranjar emprego em Portugal, mas como Portugal está em crise decidi tentar Londres."

Não há-de ser o facto de ter passado pelo que passei que me há-de definir. Ou pelo menos tento que assim não o seja.

O pessoal pergunta-me:
"como vais limpar o cateter em Londres?" - Não faço a mínima ideia.... vou preocupar-me com isso mais tarde, tenho até ao final de Outubro para encontrar uma solução. Acho que depois de arranjar casa fixo procuro o centro de saúde mais próximo para me inscrever.

"como vais à oncologista?"
- Não sei. Tenho oncologista marcada para dia 23 de Dezembro. Talvez consiga ir a Portugal no Natal... a ver vamos. Uma coisa de casa vez. Também tenho de fazer a ecografia vaginal por essa altura... :/

Para a frente é o caminho... e ter fé de que Deus nos guia os passos.

Beijinhos a todos,

Ps. a ver se coloco as duas entrevistas que tive este ano na TV (uma da TVi - fatima Lopes e a outra da SIC- Júlia Pinheiro) a ver se não me esqueço




terça-feira, 23 de julho de 2013

O Fantasma


Os dias e os meses passam, mas há coisas que permanecem constantes. 

Mesmo com o tempo, um fantasma rodeia-me, às vezes tenta-me assustar, outras vezes faz vacilar a fé, outras vezes deixa-me nervosa. O fantasma vem uma vez por outra rondando, testando-me.

Este fantasma que estou falando é aquele que aparece quando o braço doí, a mama doí, os ossos doem, quando temos de fazer um exame... tenta tirar-me os pés do chão, lembra-me em que como a vida pode mudar num segundo e como esse segundo mudou toda a minha vida. Lembra-me da fragilidade humana e de como não tenho controlo sobre a minha vida.

Será que o fantasma alguma vez se vai definitivamente embora? Acho que não. Contudo há dias em que ele não aparece.


O período
O período continua inconstante. De Fevereiro a Junho não apareceu. Voltou novamente em Junho e não sei se vem tão depressa novamente porque sinto que estou novamente com afrontamentos. As minhas hormonas parecem andar aos saltos, o que influencia também os humores e a paciência, e desde Março a Junho tive duas infeções urinárias (acho que isso está diretamente ligado a isso).
Quando o período está ausente os ossos das pernas também se ressentem mais. 


A mama e o braço direito
Ás vezes ambos doem. E se começam a doer durante mais dias então vem o fantasma. Começo a pensar de como me doeu quando descobri a doença, começo a pedir ao pessoal à volta para me apalpar a mama (só para eu tentar perceber quão grande é a paranoia). Sim, paranoia acho que é a palavra adequada ao estado que começo a ficar.
E então como nos livramos desse estado nervoso? Fazendo ecografia mamaria. Felizmente tinha uma marcada e saí de lá com o maior sorriso nos lábios quando a medica me disse "está tudo bem"

"Está tudo bem", são as palavras mais deliciosas do mundo. E assim por outros 4 meses tento manter o fantasma afastado. 


Deixo-vos uma foto de como estou agora. O cabelo já tá com um belo comprimento. Acho que foi só depois do herceptin parar é que começou a crescer mais.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ai os Calores!!!



Estava o meu periodo a portar-se tão bem e eu a pensar que isto estava agora a entrar na linha, mas a mestruação resolveu ir dar uma volta ao bilhar grande no mês de Março e Abril.

Veio tão certinho em Janeiro e Fevereiro que pensei que era desta que isto se endireitava. Enfim...

Voltámos então ao efeito sauna... calor, suar, transpirar... e a doses e doses de paciencia e ao rescurso ao famoso leque quando o vento quente parece que me queima por dentro!

A ver vamos até quando isto dura.