sexta-feira, 20 de abril de 2012

Está tudo bem


"Está tudo bem", esta passou a ser a minha frase favorita. A alegria que se apodera da nossa alma quando acabamos de fazer um exame e a ouvimos é algo que vibra em todo o nosso ser. Para um doente oncológico, o estar tudo bem é como um pequeno milagre e uma grande vitória. A sensação de que tudo valeu apena e de que nos deram uma 2º hipótese de vida. Porque todos os dias são importantes e cada novo dia é uma celebração.

Durante este mês e o mês passado ouvi algumas vezes "está tudo bem", para minha felicidade. 

Quando termino qualquer exame pergunto sempre o resultado e as médicas que o executam geralmente são simpáticas e dizem-me logo.
O que andei a fazer de exames de rotina?

MAMOGRAFIA E ECOGRAFIA MAMÁRIA
A primeira ecografia mamária e mamografia depois do processo pelo qual um doente oncológico teve de passar é de fazer tremer até a mais forte de nós. A espera para a entrada do exame é angustiante, quanto mais minutos passam mais nervosas ficamos. Mas estava tudo bem.

ECO-VAGINAL (Quistos nos Ovários)
Apareceram-me 2 quistos nos ovários. Um deles tem quase 7 cms, mas aparentemente é limpinho. A médica que me fez o exame falou logo em eu fazer uma ressonância, mas a senologista não se debruçou muito sobre isto e vamos continuar a fazer a eco-vaginal de rotina de 3 em 3 meses. Estes quistos são uma consequência directa dos comprimidos Tamoxifeno.
Fiquei contente por não fazer a ressonância. Uma pessoa farta-se de exames médicos e no meu intimo sinto que tudo vai ficar bem.

CINTIGRAFIA (OSSOS)
Voltei a fazer um cintigrafia aos ossos. Os ossos doíam-me muito na parte do fémur, especialmente o esquerdo. Era uma dor interior, como quando fazemos quimio. Felizmente a cintigrafia estava exactamente igual à anterior feita há 2 anos atrás. As dores de ossos acontecem, provavelmente, devido ao herceptin que terminei em Novembro. O corpo deve ter entrado numa espécie de ressaca por ter criado um certo hábito à droga que levei de 3 em 3 semanas durante um ano. Ou isso, ou são dores nervosas, porque se me sentia mais tensa aumentavam a intensidade. Está tudo bem, relaxei, e ultimamente não as tenho tido.

ECO ABDOMINAL (FÍGADO)
Aqui é que a médica levantou a sobrancelha quando olhou para os resultados das análises ao sangue que fiz em Janeiro. Não gostou dos valores alterados do fígado, aliados às minhas dores de ossos e por isso pedi-me para fazer uma eco-abdominal. Estava tudo bem.


"- Claudia, desculpe tê-la mandado fazer mais exames. Mas com a Claudia é tolerância zero - diz-me a Senologista.
- Não faz mal doutora. Assim ficamos as duas mais descansadas - porque é de facto um alivio ter a confirmação num relatório de exame."

Depois passou-me os marcadores tumorais para fazer antes da consulta de Agosto. E até lá é tudo, só tenho de limpar o catéter (que fiz hoje).

Outras coisas...






UNHAS
Perguntei se havia alguma solução para as minhas unhas fraquinhas (quebram-se parecem manteiga)... ela disse-me para esquecer as unhas. Tem uma colega que é médica e que teve cancro da mama às 6 anos atrás e que as unhas continuam uma desgraça.




MAMA
Quando a médica me faz a apalpação a mama operada ainda doí (passou mais de um ano desde a operação) ao que ela me respondeu: "E vai doer durante 20 anos... é sinal que tem mama."

CABELO
Desde que o herceptin terminou que o cabelo começou a crescer mais. Como o meu nasceu muito seco (aliás ele já era seco antes de ter caído), a médica aconselhou-me a comprar Queratina creme, que é o que ela põe no seu cabelo. Ainda não comprei, quando experimentar digo-vos qualquer coisa.

AFRONTAMENTOS
Os afrontamentos são como calores dos trópicos (como esta semana me dizia uma amiga minha). E que calores! 
Há momentos que parecem que vêm como ondas constantes do oceano, noutros dias existem tão poucos que quase acreditamos que vão desaparecer de vez. Parecem-me, a mim, que são cíclicos. Dentro da minha mala tenho um leque preto e não tenho qualquer problema em me abanar em qualquer sitio que me encontre.
O pior dos afrontamentos são as noites. Levanto-me, bebo àgua, e espero que passe até poder voltar a dormir. Ás vezes acordo mais cansada do que quando me deitei. Uma noite sem acordar, é uma noite abençoada e dou cada vez mais valor a essas noites.

(Um ano antes do cancro e um ano depois do cancro... e curiosamente o mesmo kispo serviu-me... claro que eu agora nao uso tanta roupa grossa por baixo do casaco por causa dos afrontamentos)


 DIETA E EXERCÍCIO


Sabendo que tudo estava bem no meu corpo, estou determinada em emagrecer, mesmo tendo de tomar os comprimidos tamoxifeno e mesmo sem período (veio uma vez em Novembro e nunca mais voltou) Tem de se tentar, não é?


Assim, comecei com uma dieta, que basicamente é contar calorias. Encontrei-a, através de uma amiga, neste site:


Além das calorias, também se coloca o exercício que vamos fazendo e no final do dia, dá-nos uma estimativa do peso com que estaremos daqui a 5 semanas. Tenho realmente me esforçado e já está a dar frutos, já perdi 1 kilo esta semana, fazendo também cerca de 30 minutos de bicicleta. Sei que depois do tamoxifeno será mais fácil emagrecer, sei de pessoas que depois de terem terminado os comprimidos voltaram ao peso inicial.
Não sinto quaisquer diferenças de apetite com os comprimidos (tenho amigas que sim, incluindo desejos de coisas doces).




MUDAR DE VIDA




Acredito que não são apenas os tratamentos que curam o nosso corpo. Como a Senologista me disse aquando a minha primeira consulta: "A cabeça é 50% da cura". Por isso decidi mudar a minha vida, o meu modo de pensar, sempre com o apoio incondicional do meu marido (que é o meu grande pilar).


Saí do emprego estável que estava há 10 anos, recusando-me a voltar a fazer as 4 horas diárias de transportes públicos. Esse foi um stress que terminei. Os meus amigos preocupam-se mais com o facto de eu não ter emprego do que eu própria, pois sinto que tudo vai correr bem, como se eu tivesse de passar por tudo isto com algum propósito (que talvez mais tarde compreenda qual é.).

Quero ganhar dinheiro a fazer algo que goste. E acredito que o vou conseguir.

Começo o meu dia com gratidão. Gratidão por estar viva, por estar saudável, por um novo dia maravilhoso que tenho à minha frente, por estar no caminho certo, pelas pessoas que existem à minha volta, por tudo o que me lembrar. Depois do pequeno almoço faço uma hora de meditação que pode ser reiki, afirmações, mantras, meditações especificas, ou até ler sobre determinados assuntos que envolvam o sentimento de paz de espírito.


Antes de adormecer penso em todas as coisas do dia, e volto a agradecer por tudo o que me lembrar.

No mês passado fiz o 3º nivel de reiki. No próximo ano ficarei mestre. Nunca teria chegado até aqui se o cancro não tivesse aparecido. Continuo a receber reiki de 3 em 3 semanas, para mim é método para o resto da minha vida (relembro que em 15 dias - da 1º data da eco mamária e mamografia, até à 1º ressonância - o tumor diminuir imenso só com o reiki.).

Tenho lido e feito os exercícios da Louise Hay e aconselho o livro dela "Pode curar a sua vida". Tenho uma edição de bolso da Berthand. Todos os dias faço as suas afirmações. E tenciono ler todos os livros delas e ouvir as suas meditações. Quero sobretudo aprender cada vez mais.


A Louise Hay acredita que 90% das doenças têm uma origem emocional. Neste pequeno livrinho, para cada órgão e doença ela indica uma causa/origem provável e a afirmação que devemos efectuar para obter a cura. Relativamente ao cancro ela diz que surge muitas vezes por ressentimento e, de facto, eu estava ressentida. Já decorei a frase dela para o cancro e repito-a todos os dias:


"Com amor perdoo e liberto todo o passado. Escolho encher o meu mundo com alegria. Eu amo-me e aprovo-me a mim mesma".

E de facto sinto-me feliz. As pessoas à minha volta também o sentem. E o meu desejo é também o de transmitir esta minha alegria aos que me rodeiam.

Talvez esteja agora a fazer as pazes com o meu corpo, como me tinham dito.

Beijinhos a todos os que acompanham o meu blog que espero que transmita muita fé a todos os que o lêem.



quinta-feira, 1 de março de 2012

Fazendo os Sonhos acontecerem


Em 28 de Agosto de 2o10, coloquei o post seguinte neste blog - Ver AQUI

Desde de Agosto de 2010 que a minha maneira de ver a vida se modificou muito. Quando temos de enfrentar um processo tão longo como foi esta batalha, isso influencia a nossa maneira de pensar e de reagir às situações. Existe um antes e um depois do cancro, e no meu caso ele é bem visível. Aqui estão alguns exemplos:

Antes:
* Ia engravidar (quem não se lembra foi devido a uma gravidez que o bicho cresceu e depois perdi)
* Trabalhava à 10 anos numa boa empresa, a ganhar muito bem.
* Tinha um peso satisfatório

Depois:
* Penso muito mais em adoptar do que em engravidar
* Despedi-me do trabalho por mutuo acordo
* Fiquei sem subsidio de desemprego (devido a uma confusão com as baixas que espero vir a ser ainda resolvida)
* Descobri o Reiki e o bem da meditação
* 10 kilos a mais
* limitações no braço direito
* cicatrizes e marcas de guerra

Isto é o que se chama: "a vida dá muitas voltas". Mas há uma coisa que permanece imutável à medida que vamos avançando e independentemente das dificuldades que vamos tendo: os sonhos.

Estes são os grandes sonhos que se mantêm:
* O meu sonho não era engravidar, era ter filhos que me preenchessem a casa com risos que me alegram a alma.
* Continuar a viajar todos os anos
* Fazer algo a nível profissional que me permita ajudar os outros e que preencha o meu coração
* Publicar os meus livros e contos

Depois existem pequenos sonhos que são apenas momentos de luz na nossa vida, mas que nos dão muito prazer e alegria. E tal, como tinha dito nesse post em 2010 tinha planeado ver o musical "Wicked" em Londres. Durante a luta, como não viajei, comprei o cd do musical para ouvi-lo e disse a mim própria "quando esta luta terminar vou ver o musical".
O meu marido fez questão que concretizasse isto este mês (porque promessas são promessas) e no fim de semana passado lá fui a Londres.

Aqui ficam algumas fotos:









Quando o palco abriu e a primeira cena começou, eu mal podia acreditar que estava ali, que já tinha passado por tanto, que conseguira ultrapassar tudo e que estava a cumprir aquilo que me prepusera a fazer no inicio da batalha. Confesso que larguei umas quantas lágrimas, pois a emoção de sentir que estou no final de um ciclo é muito forte e intensa. Depois surge um sentimento de agradecimento a Deus por me ter acompanhado em todos os momentos, por ter conhecido pessoas fantásticas e por descobrir o mundo o reiki e da meditação, que me ajudam diariamente.

Deixo-vos com a musica que costumava cantar pela casa, às vezes quando me sentia mais em baixo. Pois é uma musica com uma letra muito forte, em como é possivel vencer todos os obstáculos.

E como ela diz "Something as changed in me" (algo em mim mudou)...


sábado, 18 de fevereiro de 2012

Recomeçar


Na sexta feira (dia 10), foi um dia em grande. Fui fazer ecografia mamária e a mamografia.

Entrar para a mamografia foi rápido e apenas me doeu um pouco mais na mama que foi operada e de lado no braço. Já tive dores piores, por isso este foi apenas mais um sacrifício.

A espera para a ecografia mamária foi uma agonia. A quase uma hora de espera pareceu interminável...
Não é que eu tivesse plantado uma semente de negativismo no meu coração em relação ao resultado do exame, apenas queria despachar aquilo e que ouvir alguém dizer "está tudo bem".
E foi isso mesmo que eu ouvi da médica.

Instantaneamente senti-me agradecida a Deus por finalmente este ciclo pelo qual tive de passar estar a terminar este mês. É certo que ainda tenho de tomar os comprimidos tamoxifeno por cinco anos, é certo que tenho de fazer uma eco vaginal de 3 em 3 meses e é certo que ainda tenho algumas mazelas da quimio e é certo que tenho de perder 10 kilos. Mas o principal, está curado e isso dá-nos força para enfrentar tudo o resto com um sorriso cheio de fé e de esperança.

E, quando saí do consultório o meu pensamento foi "A minha vida recomeçou".

Ps. A minha dor na anca não passou com o anti-inflamatório que a médica do centro de saúde me deu por isso decidi ir a um osteopata. Segunda faço a marcação.

Ps1. beijinhos e muita força a todas as pessoas que por aqui passam e que me têm enviado mails. Muita fé e muita luz para todas.

Ps2. Esta semana dei um pulo a Monsaraz com o meu amor. Desde Julho que não saíamos de casa. A luta que passamos nestes dois anos não é fácil (aborto e depois cancro). Soube bem esta saída, e agora vamos começar a fazer isto mais vezes. Deixo-vos com uma foto!


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A dificuldade de fazer as pazes com o Corpo


No outro dia perguntaram-me:
- Já fizeste as pazes com o teu corpo? Já o perdoaste?
Reflecti um pouco sobre a pergunta, apesar de querer dizer que sim, soube instintivamente que ainda não o tinha feito. Ainda não perdoei na totalidade esta falha do meu corpo, mas creio que o perdão vá surgindo aos pouc
os e poucos, à medida que recupero a minha saúde na totalidade. Portanto, é um trabalho em progresso e que me vou esforçando todos os dias para o fazer.

A razão da falta de perdão deve-se a algumas falhas que ainda me aparecem e que me irritam. Hoje fui à medica do centro de saúde (que é uma querida! Tive sorte a mudar de médica!) e lá enumerei as minhas queixas:

* Dores nos ossos (pernas - femur)
Na meio de Janeiro tive muitas dores no ossos, como quando fazia quimio e parecia que a dor vinha mesmo de dentro do osso. A semana passada desapareceram. Por isso a médica disse para a avisar se voltassem a aparecer, pois se voltarem temos de ver isso melhor.

* Herpes Labial (relacionado com hormonas?)
Em menos de 3 meses, duas vezes herpes labial (o quanto isto me irrita). Perguntei à médica se tinha a ver com a flutuações hormonais, ao qual era
respondeu que era possivel. Cheguei a esta conclusão porque o herpes em Novembro apareceu depois de os afrontamentos terem desaparecido. Depois veio o período, em Janeiro voltaram os afrontamentos e novamente desapareceram, e pimbas... apareceu o herpes. O periodo ainda nao apareceu desde Dezembro.
Desta vez ela deu-me um medicamento para tomar se o herpes voltasse a aparecer, para combater a reincidência do virus.

* Mal jeito na anca - dificuldade em caminhar
Estava eu toda contente por ter começado a fazer caminhadas (45
minutos a andar). Até me sentia melhor, tirei o xanax à noite, estava com mais energia e tudo, quando dou um mal jeito à anca ao pegar numa criança ao colo. (Pareço mesmo uma velha!)
Uma semana de descanso e isto não passava. A sensação é de quando caminho, coloco o pé no chão e ele entorta para dentro e depois eu faço força para fora, o que depois me dá dores na perna.
A médica receitou-me um anti-inflamatório e diz que para o final da semana já devo estar boa. Que alivio... ainda bem que não é preciso fazer exames (estou tão fartinha de exames e médicos...)

* dedo inchado (ora incha ou desincha, mas não cura)
O dedo indicador direito (braço que não tem glanglios), desde o Natal que ora incha ou desincha. Doí me as articulações do dedo. Hoje voltei a queixar-me e ela verificou que estava um pouco inchado. Diz que em principio o anti-inflamatório que deu para a perna também vai fazer bem ao dedo, a ver vamos. Ela diz que deve ser um tendão da mão inflamado e aconselhou-me a escrever com canetas de escrita facil. Eu não acho que seja da escrita... nunca tinha dado conta que utilizávamos tanto o dedo indicador para tanta coisa (desde cortar os alimentos para a sopa a puxar os collans)!

* Uma ferida que não sara desde Novembro (no braço que não tem gânglios)
Já desconfiava que isto não fosse uma ferida... e a médica lá confirmou " É uma micose. Não tem comichão?" "Sim, muitaaa!"... e lá receita uma pomada para matar o virus.


Estou cansada.
Quero que este rol de médicos, medicamentos e exames desapareçam da minha vista!

Mas enfim... sexta lá tenho mamografia e ecografia mamária! E vou ter de tomar uns xanax pelos meio para matar a ansiedade. Não é que tenha medo, quero é apenas despachar o assunto e ouvir alguém dizer "está tudo bem". E talvez a partir daí eu comece realmente a fazer as pazes com o meu corpo.

Esta semana deu-me para espalhar mensagens positivas pela casa. Começei pela casa de banho. E a seguir ataco também o frigorifico heheeh




sábado, 7 de janeiro de 2012

Exames

Esta semana, foi semana de exames e um deles quase se transformou num filme de terror retirado de um livro do Stephen King.

Electrocardiograma e Ecocardiograma
"Tem o coração de um touro", foi a primeira coisa que o médico disse quando começou a ver no ecrã o meu coração bater.
Foi um alivio saber que as 18 sessões de herceptin que intoxicavam o coração não o deixaram afectado. :) Assim, também sei que pode recomeçar o exercício físico (moderado) sem me preocupar com a saúde do coração.

Colondoscopia com anestesia

*A preparação
A preparação para a colondoscopia é uma coisa chata. Não é difícil, mas é deveras aborrecida. Nos 3 dias antes comecei uma dieta que só incluía pão branco, manteiga, arroz, batata, ovos e carnes brancas e peixe magros. Na véspera passei para uma dieta liquida onde basicamente só comi gelatina de morango, que me saciou a fome.

Às 8 e meia da noite comecei a tomar o preparado para o exame: 4 litros de água com pó cujo gosto deixa muito a desejar. (o meu chama-se Klean-Prep). A cada 15 minutos um copo e o que me safou foi que sempre que acabava de beber aquilo colocava uma rodela de limão na boca para retirar logo o sabor esquisito e aguentar aquela água no estômago.

Duas horas depois começou a casa de banho... eram 10 e meia da noite, só saí de lá à 1 e meia da manhã. Tinha o rabo gelado! As pernas tapadas com o robe e o corpo enrolado a uma manta para ver se não me constipava. Mas apesar do desconforto até estava de bom humor! No dia anterior tinha feito reiki e isso sempre me dá uma sensação de paz e de segurança.

No fundo pensei que a preparação fosse pior, pois imaginava que me provocasse dor de barriga (tenho pânico de dores de barriga), o que não aconteceu.

Um conselho, não comam gelatina de morango na véspera. É que quando começamos na casa de banho a cor que começou a sair era como se fosse sangue. Apanhei um susto!!! Comam gelatina de ananás que é amarelinha!

* A picada: O filme de terror

Quem acompanha este blog sabe que eu tenho um cateter desde o inicio desta batalha. Custou-me a pôr, faz-me impressão quando tocam nele, fiquei um pouco traumatizada com o processo apesar de o adorar pois possibilitou-se fazer todos os tratamentos sem grande esforço.

Mas fico receosa quando qualquer enfermeira quer tocar nele, especialmente porque ele está profundo. E, como sempre me têm achado uma veia para fazer os exames, nunca precisam de ir ao cateter.

Para levar a anestesia tinham de me picar numa veia. Foi horrivel! Comecei mentalmente a rezar para que me fosse encontrada uma veia sem grande sofrimento.
O braço esquerdo foi picado 8 vezes e no final eu já estava assim:


Depois queriam-me picar o braço direito, mas eu não deixei. Só pensei em como a minha Senologista, a Oncologista e a fisioterapeuta me matariam se eu deixasse alguém espetar o braço que não tem ganglios! Nem pensar! No braço direito ninguém toca!

"Sabe que isso de não se poder picar no braço direito é um mito", disse a anestesista muito sabichona, "Uma pessoa também se pode cortar com a faca da cozinha e não é por isso que o braço incha. Além disso no IPO já picam o braço quando passam 5 anos desde a operação".
Ela bem podia dizer o que quisesse, mas no meu rico bracinho direito ninguém toca.

"
- Vamos tentar nos pés" - disse a anestesista
"-
Nos pés?" - nunca ninguém me tinha espetado nos pés. Estava com medo que doesse mais do que no braço e na mão.

Houve um momento em que me estavam a espetar em dois sítios ao mesmo tempo. Uma enfermeira no antebraço e a outra no pé esquerdo. A do braço doía muito mais e ficou hoje com este aspecto:



Parecia que era um concurso para ver quem apanhava a veia. E provavelmente a enfermeira que estava no meu braço queria fazer um brilharete ao pé da médica (mas não conseguiu). Toda eu tremia.

"- Desculpem, mas eu quero desistir do exame, está bem?" - Eu queria desistir. Não queria saber o tempo que tinha perdido na preparação, queria sair dali e daqui a uns meses fazia o exame noutro sitio em que a anestesia não fosse por picada. Nenhum daqueles enfermeiros iam tocar no meu rico catéter. Eu também não deixaria, não me inspiravam confiança.

- Vamos só fazer mais uma tentativa no outro pé. Se não conseguirmos desistimos.

E eu deixei. E eles conseguiram.

Pelos menos 6 enfermeiros à minha volta enquanto isto acontecia, e ao meu lado ouvi dizer que o senhor que tinha saído do exame estava chocado com o que me estavam a fazer. Nenhum enfermeiro me segurou a mão quando gritei com as dores das várias picadas (pelos vistos não são pagos para isso). Mas recordo-me bem quando fiz a biopsia da mama e uma querida enfermeira segurou-me na mão durante todo o exame e me acalmou, existem anjos à nossa volta.

* O exame
Colocaram-me oxigénio no nariz, e nem me avisaram quando começou a anestesia. Quando dei por isso já acordava na maca.
A dormir o exame não custa nada a fazer.
O médico veio ter comigo e deu-me o resultado. Estava tudo bem, tudo normal. E eu suspirei de alivio, mais uma vez.
Depois do exame ficamos com a barriga inchada e ar vai lentamente saindo. A mim doía-me um pouco, mas nada que fosse mau.

À noite não consegui dormir bem. Não quis tomar o xanax porque os meus valores do fígado aumentaram um pouco (em dezembro tomei mais calmantes devido ao stress da Segurança Social). Mas quando fechava os olhos, voltava lá, estava naquela cama rodeada de enfermeiros que me queriam picar.

Acordei várias vezes. Hoje sinto-me cansada, mas estou feliz, dentro de mim uma voz diz "Estou viva" e fiz mais coisas hoje do que na semana passada inteira, quando estava ansiosa pelo exame. O coração doí-me, às vezes umas picadas fortes, mas sei que é ainda do nervoso do dia de ontem, pois ele estava bom nos exames.

Até o braço direito me doí hoje! A ver se faço reiki para ficar calminha.

Ps. Próximo exame mamografia e ecografia mamária. A ver se o marco, para me despachar disto. Estou tão farta de exames médicos, mas são necessários.

Ps2. O medico do relatório da eco vaginal escreveu vigilância apertada. A ver se faço novamente uma eco antes de Março.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Consulta de Senologia


Consulta de Senologia

Existe uma coisa que a minha senologista, além da parte médica, é um espectáculo: cumprimento do horário. Eu nunca vi uma médica ser tão certinha com as horas. No dia 26 de Dezembro, o dia seguinte ao Natal, 8:45 da manhã e já lá estava ela e eu já fui a 5º a ser atendida. Nove e dez e já estava a sair do hospital.


Mal me viu a médica pediu-me para retirar o gorro e exclamou enquanto tocava no meu cabelo: - Tanto cabelinho! E está forte!
Ela é realmente uma querida e foi pela sua personalidade que a escolhi para cuidar de mim desde o inicio. Gosto dela por me dizer logo no inicio da consulta:
- Sabe que esta vigia é para o resto da vida. O seu tumor tinha muito mal aspecto.
- Eu sei. Eu sei.
Mas penso, tudo se resolveu e vai continuar a resolver. Apenas preciso de seguir o meu caminho, vigiar e fazer reiki.
Depois ficou toda contente quando lhe disse que terminei o herceptin!

- Apalpação
A médica começa pelo pescoço, passa pelas axilas e depois o peito. Na apalpação estava tudo bem, mas quer que eu faça uma ecografia mamária e uma mamografia pois a mama direita está muito durinha ("Tem uma mama que parece uma menina de 16 anos!"). Recomendou-me um sitio especifico para fazer esses exames porque a médica que os faz é muito intuitiva e meticulosa.

- Soutien
Posso finalmente dizer adeus aos meus soutiens de ginástica! Mas no fundo acho que vou continuar a usa-los até ao começo da Primavera. Tou gorda, não me apetece comprar sotiens novos que depois me irão ficar largos. Além disso nas camisolas de Inverno não se distingue o tipo de soutien que uso.

- Cicatrizes
Diz que a da mama está muito boa (eu também penso o mesmo) e que todas as mulheres têm sempre uma mama maior que a outra e, portanto, aí não mexemos mais (nem eu queria! Ufff). Mas não gosta da minha cicatriz debaixo do braço. Diz que está feita e larga. No futuro quer mexer nela para a disfarçar. Não sei o que penso disto. Está debaixo do braço, não vejo a cicatriz nem penso nela a menos que me doa ou me olhe no espelho. É como aquele ditado "longe da vista, longe do coração", e é isso que acontece.

- Creme para as cicatrizes
Disse-lhe que estava neste momento a colocar creme nivea da lata azul, mas ela recomendou-me comprar "Oleo de rosa mosqueta", que é o que ela usa nas suas cicatrizes. Tenho de ver se o vou comprar.

- Coração
Pediu-me para fazer também um ecocardiograma (já não faço nenhum há quase um ano). Eu disse-lhe que ia fazer um ECG, mas ela diz que no ecocardiograma é que se vê bem. Isto porque o herceptin intoxica o coração.

- Próxima consulta
Só me conseguiu arranjar um consulta no computador para 16 de Abril 2012. O Estado não permite que se atenda mais de 15 doentes por dia e se ela o fizer é penalizada. É o país que temos actualmente, provavelmente se necessitar ainda vou à consulta a particular.

- Dor no Braço e na costela ao pé da mama direita
Normais. E ainda me disse "aqui também lhe deve doer" e tocou-me efectivamente num sitio que me doeu muito.
Queixei-me que me doia a mão (andei a semana toda a colocar voltaren e acho que o dedo indicador direito até inchou). Disse-lhe que a oncologista tinha dito que isto acontecia porque eu não utilizava muito o braço, ao que ela me respondeu: - Eu também não quero que o use!

Esqueci-me de lhe falar do aparecimento do período, não lhe mostrei a eco vaginal porque não tive oportunidade de a ir levantar (mas disse-lhe que o médico que a fez me disse que estava tudo dentro da normalidade - apenas um pequeno espessamento no útero e alguns quistos nos ovários). Também não lhe falei da minha falta de memoria e das minhas dores nas articulações dos pés... para quê? Já sei que são tudo ainda mazelas da quimioterapia.

E com ela é isto tudo... ainda não marquei a eco e a mamografia, mas o ECG e o Ecocardiograma devo fazê-los amanhã.

Na sexta feira vou fazer uma colonendoscopia. Nunca fiz nenhuma. Ainda tenho de ir comprar o preparado que se bebe antes. A senologista disse que o exame é fácil, mas que a preparação para ele é que era chata. Tem de ser feito, e sei que depois de o fazer vou ficar mais descansada. E é isso que eu procuro: um pouco de paz.



Subsidio de Desemprego

Como me atrasei a entregar as baixas, acabei de descobrir, na semana passada, que não tenho direito a subsidio de desemprego. :(

Sabem qual foi a primeira coisa que me passou pela cabeça quando descobri isso? Pensei "Como vou conseguir colocar os papéis para adopção sem rendimento?"



Como me sinto?

Cansada, esgotada, frustrada, ansiosa, triste... como se fosse uma falhada, mas tudo passa. Tudo é efémero e o importante é que haja saúde e tenha o meu marido abraçado a mim.

Bom ano para todos!



Ps. Sinto falta das minhas pestanas. Olho para os outros e vejo umas pestanas compridas. Sinto falta das minhas assim. Quem sabe um dia elas não voltem a crescer...