Quando entrei no "gang da mama" ela era a mais nova e depois fiquei eu a sê-lo. Falámos de toda a vida saudável que ela tinha à sua volta. Falavamos do reiki, da yoga, das comidas, da leitura da aura, de tudo. Gostava de me ter despedido dela, dizer-lhe o quanto ela foi importante para mim.
Sonia, as palas para os olhos com o cheirinho a Alfazema vais-me dá-las quando nos encontrarmos um dia, numa outra vida. :)
E, sempre que pegar no livrinho "As 50 lições que a vida me ensinou" vou-me lembrar de ti, pois foste tu que mo recomendaste. E agora cada página dele transformou-se numa memória eterna.
Coloco aqui o post que um dia colocaste no teu blog e que me levou ao livro e às conversas. Um post de esperança e de fé, pois isso não podemos perder isso enquanto cá andarmos.
Beijinhos para todos que me apoiam nesta batalha. Estou muito grata de vos conhecer. E um beijinho especial para cada elemento do "gang da mama".

"O chapéu voltava sempre mais desbotado, mas mais forte do que nunca.
O Frank é que começou.
Tinha feito quimioterapia pela primeira vez e não conseguia imaginar como seria ser careca. Foi então que vi um tipo com um boné de basebol com as seguintes palavras: A VIDA È BOA.
A vida não parecia nada boa e estava prestes a ficar ainda pior, pelo que resolvi perguntar-lhe onde tinha arranjado o boné. Dois dias depois, Frank atravessou a cidade até minha casa e deu-me um igual. Frank é um tipo mágico. Pintor de casas, vive em função de duas palavras simples: Poder ir.
Recordam-no por sentir gratidão por tudo. Em vez de dizer:«Hoje tenho de ír trabalhar», Frank diz a si próprio:«Hoje posso ir trabalhar.» Em vez de «Preciso de comprar mercearias», ele pode ir. E,em vez de dizer:«Tenho de levar os miudos aos treinos de baseball», ele pode levá-los. Funciona com tudo.
Noutra pessoa que não Frank, talvez o boné não tivesse tanto impacto. Era azul-marinho com uma etiqueta oval com a mensagem em letras brancas.
E a vida era mesmo boa. Mesmo depois de o meu cabelo caír, o meu corpo enfraquecer e de perder as sobrancelhas. Em vez de usar uma peruca, resolvi andar com aquele boné como resposta ao cancro, um cartaz para o resto do mundo. As pessoas adoram olhar para uma mulher careca. Quando me fixavam com ar de idiotas, liam a mensagem.
Gradualmente, fiquei melhor, o cabelo voltou a crescer e guardei o boné, até uma amiga minha adoecer com cancro e perguntar-me o que costumava usar na cabeça. Também queria um. De início não me apetecia separar do meu boné. Era o meu peluche, o meu cobertor de segurança. Mas tive de o passar a outra pessoa. Caso contrário, a minha sorte podia esgotar-se. Prometeu-me ficar boa e passá-lo mas acabou por mo devolver para que eu o passasse a outra sobrevivente.
Chamamos-lhe o boné da quimio.
Perdi a conta ás mulheres que o usaram nos últimos dez anos, de tantas amigas a quem foi diagnosticado o cancro da mama.(...)Usaram o mesmo boné, umas atrás das outras.
Quando voltava para as minhas mãos, parecia sempre mais desbotado e cansado, mas todas as mulheres ganharam um novo brilho no olhar. Todas as pessoas que usaram o boné da sorte da quimio estão vivas e de boa saúde.
No ano passado, dei-o ao meu amigo e colaborador Patrick O´Donnell. Diagnosticaram-lhe cancro do cólon aos trinta e sete anos. Levou o boné, apesar de eu não saber se resultaria com outros tipos de cancro. Falou á mãe daquele chapéu e do facto de ser mais um elo desta cadeia de sobrevivência. Ela descobriu a Life is Good,Inc., a empresa que faz o boné e outros produtos com o mesmo lema. Ligou-lhes a contar a história e encomendou um caixote cheio de bonés.
Enviou-os aos amigos e familiares mais chegados de Patrick. Tiraram fotografias com ele posto, e Patrick encheu a porta do frigorifico com imagens dos amigos, filhos, cães e ornamentos de jardim com A Vida É Boa na cabeça.
Entretanto a Life is Good,Inc., comoveu-se com a mãe de Patrick. Reuniram os empregados todos e desafiaram-nos a seguir«o espírito do boné da sorte da quimio» e a passar os seus bonés a quem precisasse de um empurrão. Enviaram a Patrick uma fotografia dos cento e sessenta e cinco empregados com o boné na cabeça.
Patrick terminou a quimio e está óptimo. Teve tanta sorte que nunca perdeu o cabelo, apenas ficou mais fraco.Nunca usou o chapéu mas sentiu-se comovido. Manteve-o em cima de uma mesa ao fundo das escadas, onde podia ler a sua mensagem todos os dias.
Ajudou-o a suportar os dias muito maus, em que queria largar a quimio e desistir. Qualquer pessoa com cancro já conheceu esses dias. Até quem nunca o teve já passou por eles.
Acontece que foi a mensagem, e não o boné, que nos ajudou, e que nos ajuda a todos.
A vida é boa.
Passe a palavra."
Retirado do livro "50 Licões que a vida me ensinou". Esta é a primeira delas. Quando o comprei pensei em ler uma lição por dia e ficar a "degustá-la". Mas, foi-me impossível, e pelo contrário, li-as quase todas num dia.


