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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Para a frente é o caminho...

Olá a todos,

No mês de Agosto tive consulta com a Senologista. Como estava tudo bem ela só me quer voltar a ver lá para Janeiro (para depois me mandar fazer uma ressonância mamaria... é certinho que da próxima vez não me safo de a fazer).

Depois voei para Londres. Nunca eu adivinharia no inicio deste blog que estaria à procura de trabalho em Londres 3 anos depois, aliás quando a história toda começou trabalhava há anos numa empresa e estava bem posicionada. O facto é que a fase da doença revolucionou a minha vida e não podemos voltar atrás e não podemos controlar o futuro. O futuro a Deus pertence, como se diz. E se há coisa que um doente oncológico sabe é que na nossa vida não há controlo de nada, podemos tentar, comemos melhor, tentamos não ter tanto stress, exercitamos o  corpo, mas o resultado não está totalmente nas nossas mãos. É andar sempre com fé.

O período veio em Junho e depois desapareceu. Doí-me o mamilo da mama boa, como se tivesse sensível e a única coisa que me descansa para não entrar em paranoia é o facto de ter uma ecografia feita em Julho. Tou em apostar que é o periodo que pode aparecer por aí a qualquer momento e que isto seja uma revolução de hormonas qualquer. Portanto tento simplesmente ignorar, mantendo o fantasma afastado. Muito jogo mental! Muita meditação e pensamento positivo!

A procura de emprego é interessante, já fui a umas entrevistas e existe uma pergunta que tento sempre contornar  "Porque é que deixou a empresa onde trabalhava?" ou "O que fez desde que deixou a empresa onde trabalhava?".

A ultima coisa que quero referir numa entrevista é a palavra cancro, muitas vezes associada à morte.

Questão: "Porque é que deixou a empresa onde trabalhava?"
O que eu queria responder: "Depois de 2 anos a combater um cancro da mama estava esgotada física e mentalmente para fazer 4 horas de transportes públicos por dia."
O que eu respondo: "A empresa estava a despedir os trabalhadores" (o que é bastante verdade)

Questão: "O que fez desde que deixou a empresa onde trabalhava?"

O que eu queria responder: "Bem, descansei. Analisei a evolução do meu braço direito (que agora já me permite estar mais tempo ao computador. Fiz mais exames medicos, emagreci e fiz exercício fisico. Basicamente foi tentar novamente reconhecer-me no espelho e tentar ter um equilíbrio entre a Claudia de antigamente e a Claudia de agora. Fiz voluntariado na Biblioteca municipal e publiquei um livro para crianças. Tentei arranjar emprego em Portugal, mas como Portugal está em crise decidi tentar Londres.
O que eu respondo: "Fiz voluntariado na Biblioteca municipal e publiquei um livro para crianças. Tentei arranjar emprego em Portugal, mas como Portugal está em crise decidi tentar Londres."

Não há-de ser o facto de ter passado pelo que passei que me há-de definir. Ou pelo menos tento que assim não o seja.

O pessoal pergunta-me:
"como vais limpar o cateter em Londres?" - Não faço a mínima ideia.... vou preocupar-me com isso mais tarde, tenho até ao final de Outubro para encontrar uma solução. Acho que depois de arranjar casa fixo procuro o centro de saúde mais próximo para me inscrever.

"como vais à oncologista?"
- Não sei. Tenho oncologista marcada para dia 23 de Dezembro. Talvez consiga ir a Portugal no Natal... a ver vamos. Uma coisa de casa vez. Também tenho de fazer a ecografia vaginal por essa altura... :/

Para a frente é o caminho... e ter fé de que Deus nos guia os passos.

Beijinhos a todos,

Ps. a ver se coloco as duas entrevistas que tive este ano na TV (uma da TVi - fatima Lopes e a outra da SIC- Júlia Pinheiro) a ver se não me esqueço




terça-feira, 23 de julho de 2013

O Fantasma


Os dias e os meses passam, mas há coisas que permanecem constantes. 

Mesmo com o tempo, um fantasma rodeia-me, às vezes tenta-me assustar, outras vezes faz vacilar a fé, outras vezes deixa-me nervosa. O fantasma vem uma vez por outra rondando, testando-me.

Este fantasma que estou falando é aquele que aparece quando o braço doí, a mama doí, os ossos doem, quando temos de fazer um exame... tenta tirar-me os pés do chão, lembra-me em que como a vida pode mudar num segundo e como esse segundo mudou toda a minha vida. Lembra-me da fragilidade humana e de como não tenho controlo sobre a minha vida.

Será que o fantasma alguma vez se vai definitivamente embora? Acho que não. Contudo há dias em que ele não aparece.


O período
O período continua inconstante. De Fevereiro a Junho não apareceu. Voltou novamente em Junho e não sei se vem tão depressa novamente porque sinto que estou novamente com afrontamentos. As minhas hormonas parecem andar aos saltos, o que influencia também os humores e a paciência, e desde Março a Junho tive duas infeções urinárias (acho que isso está diretamente ligado a isso).
Quando o período está ausente os ossos das pernas também se ressentem mais. 


A mama e o braço direito
Ás vezes ambos doem. E se começam a doer durante mais dias então vem o fantasma. Começo a pensar de como me doeu quando descobri a doença, começo a pedir ao pessoal à volta para me apalpar a mama (só para eu tentar perceber quão grande é a paranoia). Sim, paranoia acho que é a palavra adequada ao estado que começo a ficar.
E então como nos livramos desse estado nervoso? Fazendo ecografia mamaria. Felizmente tinha uma marcada e saí de lá com o maior sorriso nos lábios quando a medica me disse "está tudo bem"

"Está tudo bem", são as palavras mais deliciosas do mundo. E assim por outros 4 meses tento manter o fantasma afastado. 


Deixo-vos uma foto de como estou agora. O cabelo já tá com um belo comprimento. Acho que foi só depois do herceptin parar é que começou a crescer mais.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ai os Calores!!!



Estava o meu periodo a portar-se tão bem e eu a pensar que isto estava agora a entrar na linha, mas a mestruação resolveu ir dar uma volta ao bilhar grande no mês de Março e Abril.

Veio tão certinho em Janeiro e Fevereiro que pensei que era desta que isto se endireitava. Enfim...

Voltámos então ao efeito sauna... calor, suar, transpirar... e a doses e doses de paciencia e ao rescurso ao famoso leque quando o vento quente parece que me queima por dentro!

A ver vamos até quando isto dura.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A dificuldade de fazer as pazes com o Corpo


No outro dia perguntaram-me:
- Já fizeste as pazes com o teu corpo? Já o perdoaste?
Reflecti um pouco sobre a pergunta, apesar de querer dizer que sim, soube instintivamente que ainda não o tinha feito. Ainda não perdoei na totalidade esta falha do meu corpo, mas creio que o perdão vá surgindo aos pouc
os e poucos, à medida que recupero a minha saúde na totalidade. Portanto, é um trabalho em progresso e que me vou esforçando todos os dias para o fazer.

A razão da falta de perdão deve-se a algumas falhas que ainda me aparecem e que me irritam. Hoje fui à medica do centro de saúde (que é uma querida! Tive sorte a mudar de médica!) e lá enumerei as minhas queixas:

* Dores nos ossos (pernas - femur)
Na meio de Janeiro tive muitas dores no ossos, como quando fazia quimio e parecia que a dor vinha mesmo de dentro do osso. A semana passada desapareceram. Por isso a médica disse para a avisar se voltassem a aparecer, pois se voltarem temos de ver isso melhor.

* Herpes Labial (relacionado com hormonas?)
Em menos de 3 meses, duas vezes herpes labial (o quanto isto me irrita). Perguntei à médica se tinha a ver com a flutuações hormonais, ao qual era
respondeu que era possivel. Cheguei a esta conclusão porque o herpes em Novembro apareceu depois de os afrontamentos terem desaparecido. Depois veio o período, em Janeiro voltaram os afrontamentos e novamente desapareceram, e pimbas... apareceu o herpes. O periodo ainda nao apareceu desde Dezembro.
Desta vez ela deu-me um medicamento para tomar se o herpes voltasse a aparecer, para combater a reincidência do virus.

* Mal jeito na anca - dificuldade em caminhar
Estava eu toda contente por ter começado a fazer caminhadas (45
minutos a andar). Até me sentia melhor, tirei o xanax à noite, estava com mais energia e tudo, quando dou um mal jeito à anca ao pegar numa criança ao colo. (Pareço mesmo uma velha!)
Uma semana de descanso e isto não passava. A sensação é de quando caminho, coloco o pé no chão e ele entorta para dentro e depois eu faço força para fora, o que depois me dá dores na perna.
A médica receitou-me um anti-inflamatório e diz que para o final da semana já devo estar boa. Que alivio... ainda bem que não é preciso fazer exames (estou tão fartinha de exames e médicos...)

* dedo inchado (ora incha ou desincha, mas não cura)
O dedo indicador direito (braço que não tem glanglios), desde o Natal que ora incha ou desincha. Doí me as articulações do dedo. Hoje voltei a queixar-me e ela verificou que estava um pouco inchado. Diz que em principio o anti-inflamatório que deu para a perna também vai fazer bem ao dedo, a ver vamos. Ela diz que deve ser um tendão da mão inflamado e aconselhou-me a escrever com canetas de escrita facil. Eu não acho que seja da escrita... nunca tinha dado conta que utilizávamos tanto o dedo indicador para tanta coisa (desde cortar os alimentos para a sopa a puxar os collans)!

* Uma ferida que não sara desde Novembro (no braço que não tem gânglios)
Já desconfiava que isto não fosse uma ferida... e a médica lá confirmou " É uma micose. Não tem comichão?" "Sim, muitaaa!"... e lá receita uma pomada para matar o virus.


Estou cansada.
Quero que este rol de médicos, medicamentos e exames desapareçam da minha vista!

Mas enfim... sexta lá tenho mamografia e ecografia mamária! E vou ter de tomar uns xanax pelos meio para matar a ansiedade. Não é que tenha medo, quero é apenas despachar o assunto e ouvir alguém dizer "está tudo bem". E talvez a partir daí eu comece realmente a fazer as pazes com o meu corpo.

Esta semana deu-me para espalhar mensagens positivas pela casa. Começei pela casa de banho. E a seguir ataco também o frigorifico heheeh




quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tamoxifeno


Na segunda-feira tive consulta com a médica da mama. Como já disse, gosto muito dela, gosto da sua frontalidade, gosto que ela esteja sempre à frente do acontecimento. Talvez ela seja assim porque como já teve cancro, sabe o que é passar por uma doença desta envergadura, estar no papel de doente.


Disse-lhe que tinha iniciado o Tamoxifeno e a primeira pergunta dela foi:
- Muitos afrontamentos?
Nem imaginam a quantidade. Uma pessoa num minuto sente uma lufada de calor na cara, como no minuto a seguir posso estar a tremer de frio. É horrível. Não dormimos bem, acordamos cansadas. É mau.

E a segunda pergunta dela foi:
- Já lhe falaram na remoção dos ovários?

Eu já li a Bula do Tamoxifeno e acreditem, não é uma coisa bonita de se ler. Aliás pensamos "Porque raio tenho de tomar esta porcaria se o bicho já se foi?". Mas o Tamoxifeno estabiliza as hormonas e os médicos fazem os doentes tomarem-no durante cerca de 5 anos. É prevenção. Uma prevenção que como todos os medicamentos, tem contra indicações.

- Eu disse-lhe para tirar os óvulos antes da quimio, lembra-se? - Sim, mas também depois viemos a saber que o cancro era positivo às hormonas e, para se tirar óvulos implica injecção de hormonas no corpo. - Pois foi. Era um risco.

Um risco que eu optei não correr.

- Já fez algum exame para ver os ovários? -Não, não desde o aborto. - Então vamos fazer um. E fazê-lo de 6 em 6 meses.

E assim amanhã lá vou fazer um Ecografia Ginecologica por via endocavitaria. O nome assusta, mas dizem que não custa nada.

Daqui a 9 meses faço uma nova ressonância mamária. Em Agosto novas análises, raio X torax, ecografia abdominal.
Tenho de marcar uma consulta na ginecologia, uma no oftalmologista (uma vez que a medica me disse que o tamoxifeno também pode atacar os olhos). Prevenção, prevenção...

O periodo não aparece desde Novembro e as médicas nunca sabem se entrei ou não em Menopausa precoce. Tudo são estatísticas. Todos os corpos são diferentes, assim como os cancros da mama são diferentes.

É preciso ter uma mente forte e não pensar muito no futuro. Ter fé. Ter filhos biologicos ou não, já não se trata de uma opção minha. É o que o futuro disser. E é de facto, um dia de cada vez.

Neste momento o que eu gostava era estar um mês sem médicos e sem exames, mas por enquanto nem uma semana consigo estar...

Uma doente oncológica sem uma agenda não se orienta! Somos mais ocupadas do que o Papa!

Ps. Hoje vou fazer a depilação. Bolas, porque é que os pêlos tinham de crescer naqueles sítios que não gostamos?

Ps1. As dores nas pernas e nos pés também ainda não passaram. Pareço uma velha cada vez que me levanto para fazer alguma coisa.

Ps2. O Reiki continua a ajudar imenso em todos os aspectos! :)