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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Esperança

Ontem acabei a minha revisão e agora estou livre, como qualquer ser normal, por 6 meses. Estava tudo bem: as analises, a mamografia, a ecografia mamária e a ecografia vaginal. Tudo confirmado pela minha querida Senologista que está sempre no meu coração.

Mestruação

Em Dezembro fui à oncologista e queixei-me dos seguintes sintomas:
- suor amarelo quando transpiro
- dores de ossos (mas estava tudo bem com a cintigrafia)

E então ela disse que todos os sintomas de que me queixei eram apenas de uma coisa: do facto de não ter periodo. 

"E então o periodo não vem por causa dos comprimidos Tamoxifeno?", perguntei
"Não, o periodo não vem devido à quimioterapia que levou." - informou-me.

"E como é que sabemos se ele vai aparecer? " 
"Não sabemos. É esperar."

E lá me passou também umas analises para ver se eu não estava em menopausa precoce.

Não pensei mais no assunto. Ponho agora sempre tudo nas mãos de Deus.

E vem o Janeiro e aparece-me o periodo. E vem o Fevereiro e aparece-me o periodo certinho. 
Ai uma pessoa já não tá habituada a tanto sangue!!! LOL Nem aos preços dos pensos do periodo que não usei durante dois anos!!! Poupei uma pipa de dinheiro enquanto ele não veio!

E então está confirmadissimo que não estou em menopausa precoce.


Futura Gravidez

Na consulta com a senologista, a ultima coisa de que eu ia falar era da possibilidade de voltar a engravidar. Já sabia a opinião dela que era "Claudia, esqueça lá isso, o seu tumor era hormonal."

Mas ontem, um milagre aconteceu e oiço ela dizer-me, sem eu dizer nada: "Se a Claudia quiser engravidar daqui a 3 anos tem o meu apoio."

E eu fiquei tipo: WOW, um milagre, um aumentar da esperança (porque a esperança sempre esteve cá e nunca parei de fazer afirmações positivas mesmo quando ela me dizia que não podia acontecer).

Ela diz que não existem muitas mulheres que tivessem cancro hormonal e que depois tivessem filhos, nao há muitos estudos e estatisticas. Mas parece que as poucas que estão a arriscar ter, está a correr tudo maravilhosamente bem, tanto para elas como para o bébé.

Portanto já estão a imaginar o meu sorriso e a alegria que se instalou ontem no meu coração. E espero que também seja uma mensagem de esperança para todas voçês que seguem o meu blog e que como eu têm a alma cheinha de esperança.

Beijinhos Grandes e sempre com o pensamento positivo
Claudia

Ps. Deixo-vos com uma foto minha neste Carnaval. Conseguiram-me colocar numa discoteca mascarada de Capuchinho vermelho!
O problema de estarmos num sitio com tanta gente é que temos sempre o olho no braço sem ganglios com receio de que alguém nos dê um valente encontrão. Mas superei esse receio e diverti-me bastante. :)





sábado, 21 de julho de 2012

Que posso dizer?


O que posso dizer quando a minha vida dá tantas voltas que eu não consigo controlar? A minha vida tinha um plano, uma estrada, mas desde o inicio desde blog que não controlo a direcção em que sigo. Escolho acreditar que alguém me guia e sabe exactamente o que está a ser feito na minha vida, porque eu não faço a mínima ideia onde estarei ou o que estarei a fazer ou quem estarei amanhã.

Quem acompanha este blog há muito tempo, sabe que o meu marido foi o meu pilar durante os tratamentos. Começámos 2010 com uma gravidez que deu em aborto retido e depois em Junho fui diagnosticada com o cancro. Ele esteve sempre lá, em todas as consultas, em todos os tratamentos, em todos os momentos em que eu precisei, nos 2 anos de tratamento. Deu-me as injecções das defesas na barriga (que só este ano me confessou que foi uma das coisas mais difíceis que teve de fazer), brincava com as enfermeiras da salas de tratamento trazendo o bom humor e o optimismo, recusou-se a deixar o hospital sem que visse que eu estava bem depois da operação, sempre fez tudo por mim, sempre alegre, sempre bem disposto. Mas interiormente algo se quebrou nele, que eu, concentrada na minha cura não me apercebi. Só depois de finalizar o herceptin, aos poucos, me fui apercebendo.

Muito resumido, o amor que ele tinha por mim, o amor de marido, de amante, desapareceu. Os psicólogos dizem que ele quis tanto cuidar de mim, quis tanto que eu estivesse bem, que se anulou a ele próprio e substituiu o amor que me tinha por um amor de pai, que é o amor de quem cuida. Nunca pensei que isso pudesse acontecer. Ele ama-me, mas não se sente atraído por mim, nem tem paixão por mim.

È certo que ouvimos dizer que o cancro "mata" muitos relacionamentos, mas isso acontece mais na fase dos tratamentos. No meu caso, o meu relacionamento com o meu marido era muito saudável, raramente tínhamos discussões, raramente discordavamos das coisas, temos muita coisa em comum. Mas quando contamos às pessoas o que nos aconteceu elas não estranham, acham normal depois de tudo aquilo por que passámos.

Eu não acho normal. E esta era a última coisa que eu esperava que me acontecesse.

Assim, de um casamento de 4 anos e 11 anos juntos, apenas ficou uma grande amizade e já não vivemos na mesma casa.

A Lição: Nunca, mas nunca mais vou deixar um marido ou namorado meu cuidar de mim quando ficar doente, nem que seja uma constipação, (acho que acabei de ficar traumatizada). Penso no ditado "Quem ama, cuida"... bem, no meu caso foi levado demasiado à letra...

Como me sinto?
Eu choro. Basicamente isso é o que acontece comigo pelo menos uma vez por dia. Chorar faz bem, liberta-nos a alma, a tensão do corpo e eu quero continuar a preservar o estado de saúde pleno do meu corpo.

Mas como andava um pouco cansada desta tempestade emocional resolvi "fugir" uma semana para a Republica Dominicana com a minha irmã. O mar e o sol ajudaram-me a sentir melhor. Fiquei muito feliz por constatar que o meu braço (o que não tem gânglios) se portou muito bem com o calor e com o mar. Claro que tive muito cuidado com ele e com o peito, sempre protector 50 e saía da àgua e ia directamente para a sombra. De qualquer maneira consegui ficar um pouco morena.


(Sou a de azul)



Voltei menos cansada.
Não estou com nenhuma depressão (o que podia ter acontecido com tudo a ruir na minha vida). Acho que é o reiki, a meditação e as afirmações positivas que me fazem levantar da cama e ter fé que tudo isto tem um propósito muito bom para a minha vida. Os amigos também têm sido incansáveis. Tenho bons amigos que me apoiam muito e que estão comigo desde sempre.

Olho para a minha vida e sinto que não tenho controlo de nada. Basicamente vejo a minha vida em duas fases separadas: a antes do cancro e a depois do cancro.

Antes do cancro:
* Pensava em engravidar
* Tinha um marido maravilhoso
* Tinha um bom emprego onde ganhava 1700 euros e onde já trabalhava há 10 anos

Depois do cancro:
* Não sei se alguma vez voltarei a arriscar engravidar novamente
* Não tenho marido
* Por não ter marido, não posso colocar papeis para adopção (e depois são precisos 4 anos de casada)
* Não tenho emprego
* Não tenho rendimento
* Não tenho subsidio de desemprego (porque durante os tratamentos me confundi com as baixas e não as entregava no prazo maximo de 5 dias na Segurança Social... faltam 30 dias para o prazo de garantia. Agora disseram-me para escrever para o "departamento de doenças" a explicar porque é que eu não tinha entregue as baixas a horas. Portanto, ainda não perdi a esperança.)

Mas há algo muito importante que eu tenho: a Saúde. Mês de Agosto é mês de revisão! Mas sinto que está tudo bem. Contudo não me apetecia fazer as analises ao sangue, nem a ecografia vaginal (ainda nem sequer a marquei!). Há dias em que me esqueço de tomar o tamoxifeno (a minha médica bater-me-ia se soubesse disso!), por falar nisso vou tomar já que ontem não tomei!. 

* Dor da anca - desapareceu desde que estive no mar. 
* Dor nos ossos das pernas - só aparecem se fico mais nervosa
* Dedo do pé - desde que a unha caíu que agora me anda a chatear à medida que cresce. Parece que está a querer encravar e já tenho a pele negra à volta da unha nova porque cria um liquido transparente. Amanhã vou à médica do centro de sáude e mostro-lhe.
 * Afrontamentos - Não consigo distinguir entre o que é dos afrontamentos e o que é deste calor LOL

O que vou fazer a seguir?
Não sei. 

Beijinhos para todos.




quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tamoxifeno


Na segunda-feira tive consulta com a médica da mama. Como já disse, gosto muito dela, gosto da sua frontalidade, gosto que ela esteja sempre à frente do acontecimento. Talvez ela seja assim porque como já teve cancro, sabe o que é passar por uma doença desta envergadura, estar no papel de doente.


Disse-lhe que tinha iniciado o Tamoxifeno e a primeira pergunta dela foi:
- Muitos afrontamentos?
Nem imaginam a quantidade. Uma pessoa num minuto sente uma lufada de calor na cara, como no minuto a seguir posso estar a tremer de frio. É horrível. Não dormimos bem, acordamos cansadas. É mau.

E a segunda pergunta dela foi:
- Já lhe falaram na remoção dos ovários?

Eu já li a Bula do Tamoxifeno e acreditem, não é uma coisa bonita de se ler. Aliás pensamos "Porque raio tenho de tomar esta porcaria se o bicho já se foi?". Mas o Tamoxifeno estabiliza as hormonas e os médicos fazem os doentes tomarem-no durante cerca de 5 anos. É prevenção. Uma prevenção que como todos os medicamentos, tem contra indicações.

- Eu disse-lhe para tirar os óvulos antes da quimio, lembra-se? - Sim, mas também depois viemos a saber que o cancro era positivo às hormonas e, para se tirar óvulos implica injecção de hormonas no corpo. - Pois foi. Era um risco.

Um risco que eu optei não correr.

- Já fez algum exame para ver os ovários? -Não, não desde o aborto. - Então vamos fazer um. E fazê-lo de 6 em 6 meses.

E assim amanhã lá vou fazer um Ecografia Ginecologica por via endocavitaria. O nome assusta, mas dizem que não custa nada.

Daqui a 9 meses faço uma nova ressonância mamária. Em Agosto novas análises, raio X torax, ecografia abdominal.
Tenho de marcar uma consulta na ginecologia, uma no oftalmologista (uma vez que a medica me disse que o tamoxifeno também pode atacar os olhos). Prevenção, prevenção...

O periodo não aparece desde Novembro e as médicas nunca sabem se entrei ou não em Menopausa precoce. Tudo são estatísticas. Todos os corpos são diferentes, assim como os cancros da mama são diferentes.

É preciso ter uma mente forte e não pensar muito no futuro. Ter fé. Ter filhos biologicos ou não, já não se trata de uma opção minha. É o que o futuro disser. E é de facto, um dia de cada vez.

Neste momento o que eu gostava era estar um mês sem médicos e sem exames, mas por enquanto nem uma semana consigo estar...

Uma doente oncológica sem uma agenda não se orienta! Somos mais ocupadas do que o Papa!

Ps. Hoje vou fazer a depilação. Bolas, porque é que os pêlos tinham de crescer naqueles sítios que não gostamos?

Ps1. As dores nas pernas e nos pés também ainda não passaram. Pareço uma velha cada vez que me levanto para fazer alguma coisa.

Ps2. O Reiki continua a ajudar imenso em todos os aspectos! :)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Consulta da Quimio

Pois é, foi mais uma consulta rápida da quimio. Aqui estão os principais temas de conversa hoje.

* O bicho
A médica apalpou o peito e disse que mal se sentia o bicho. Perguntei-lhe qual o tamanho que ela achava que ele tinha e respondeu-me cerca de 12 mm. O Rui acha que está mais pequeno que isso.

* Estratégia de Ataque
Vou fazer a 5º quimio (a nova quimio - a doc) na sexta feira. Ela disse-me que esta quimio provoca menos nauseas e vomitos, mas isso nao me faz muita diferença uma vez que também não tinha disso com a outra. Disse-me que raramente pode fazer febre e nesse caso teria de ir ao hospital. O facto é que os efeitos da quimio diferem de pessoa para pessoa por isso nem me vou preocupar com efeitos secundários. Estupidamente a unica coisa que quero é que a picada no catéter seja à primeira. É a unica coisa que me pode causar stress. De resto, estou confiante que com o reiki, com as minhas energias alinhadinhas, esta proxima quimio será no maximo como todas as outras.
Quanto aos anticorpos afinal não vou começar já. Ela disse que ainda não os tinha requisitado e mais tarde, quando falei com as enfermeiras elas disseram-me que isso é algo que tem de ser discutido em reunião conjunta. Fiquei só um bocadinho mais aliviada... só porque esta semana não tenho de ser picada duas vezes no catéter (ai o meu trauma heheeh)

* Mestruação e Efeitos Secundários pós quimio
Queixei-me em como os peitos me doiam imenso durante tanto tempo (pareciam rebentar) antes de me vir o periodo, de como parece que sinto que por vezes me doi os ovários ou o utero ou seja o que fôr naquela zona na altura da ovulação. Tudo normal, disse-me ela, tudo devido ás hormonas. O periodo voltou a vir-me no sábado, desta vez apenas demorou 40 dias (ao contrario dos 60 dias da ultima vez), para mim nem é um espaço temporal muito grande tendo em conta que antes de engravidar estava a fazer ciclos de 39 dias e antes de começar quimio andava nos 34 dias. O meu corpo parece nao querer fazer uma pausa, nao me parece que vá entrar em "menopausa precoce".
Perguntei-lhe se vir o periodo era uma coisa boa, sinceramente pensava que fosse. Ela responde-me que preferia que ele não viesse uma vez que isso significa que as hormonas ainda andam por aqui aos pulos, mas que mais tarde se veria. Na minha mente leiga, interpretei que mais tarde, se fosse caso disso, me interromperia o periodo... por ela as hormonas ficavam quietinhas num canto enquanto estamos em batalha. Mas o certo é que o bicho tá a ser derrotado. Enfim... não percebo nada disto, mas também não sou médica e não tenho de compreender tudo.
Dias antes do periodo apareceu-me herpes labial (a ultima vez que tinha tido foi em Fevereiro quando fiquei grávida... antes disso só quando andava na faculdade e olhem que já passaram 10 anos!). Portanto, 2 vezes herpes no mesmo ano é uma novidade. Ela disse que era normal.
Queixei-me que com o aparecimento do periodo os bicos do peito ficaram secos e gretados. Disse-me que isso era normal da quimio e aconselhou-me a pôr creme Nivea. Parece-me que a quimio deixa a pele mais seca.
Queixei-me da dor no peito no sitio dos pulmões depois desta ultima quimio, em como pensei que fosse da ansiedade devido ao dia da quimio. Ela disse-me que poderia não ser ansiedade, mas também um efeito secundário da quimio. O cansaço que senti (do estilo levanto-me para ir procurar qualquer coisa e depois fico logo cansada como se tivesse feito um grande esforço, também é efeito da quimio)
Só me esqueci de lhe perguntar pelos meus olhos. Desde que meti as lentes de contacto na quinta feira passada e que andei por alguns sitios com ar condicionado que os sinto mais cansados. Ás vezes quase que me doiem. Estou a concluir, por mim mesma, que a quimio também pode fazer secar mais a vista. Mas esqueci-me de perguntar.

*Defesas
Perguntei-lhe como é que ela achava que estariam as minhas defesas nesta altura da batalha (deduzo que ela se guiou pelas análises anteriores uma vez que ainda era cedo para ela ja ter as desta manhã no pc). Disse que as defesas estavam boas e que quando estamos com o periodo elas descem um pouco.

Tomo vacina da gripe? (costumava tomar todos os anos) AINDA NÃO (ainda...? Não percebi o ainda... mas nao perguntei mais)

Tomo defesas para a garganta? (costumava tomar todos os anos) NÃO

Tomo vitamina C? NÃO (estranho... mas obedeço... vou começar, mas é a comer kiwis na semana em que me sinto sem quimio no corpo... eles têm vitamina C, não podem ser é muito ácidos para não afectarem a boca)

* Peso
Ai... continuo com uma média de aumentar cerca de um quilo por quimio... Ai... e ainda faltam 4 quimios. A médica não me diz nada, apenas regista o peso. Hoje tinha 69,4 quilos (vamos considerar que apenas tenho 1,54 cms de altura!) - nunca tive este peso na vida. :(

Sempre lutei muito para manter um peso adequado/estável porque o meu corpo é daqueles que tudo o que come se aproveita. Quando trabalhava tinha a regra de não comer doces durante o horário de trabalho (salvo raras excepções) uma vez que um dia inteiro sentado ao computador não se gasta muita energia. Optava por fruta e iogurte. Depois quando chegava a casa mimava-me com um quadrado de chocolate preto (chocolate que mais adoro) e pronto. Nunca fui de comer bolos a menos que seja algo festivo ou que os tenha à vista (coisa que não tenho em casa a menos que alguém me apareça com eles). Felizmente o Rui também não é de os comer. Não comia quase pão, nenhum expecto tostas. Comia pouca massa ou arroz ou batata. E ao jantar não comia fruta depois da refeição e no almoço, geralmente na cantina, depois da refeição comia um pedaço de ananás ou uma maça assada.

Mas agora, preciso de comer de tudo e apesar de estar parada preciso de comer sem pensar se vou engordar ou não. Mas acreditem que não como grandes quantidades, mas como. Se antes fazia uma salada de atum só com tomate agora acrescento um pouco de massa. E depois, naquela semana da quimio com aquela sensação horrivel na boca, da ultima vez o que me soube bem foi mesmo o gelado. (era rarissimo comer um antigamente) Tentei me conter e acreditem que ainda sobrou e que desde que o sabor passou que não toco nele. Quando o sabor horrivel passa, viro-me novamente para o chocolate negro 70%.



Tenho plena consciencia que na semana a seguir à quimio a unica coisa que o meu corpo faz é comer e dormir. E apesar de tanto sono, obrigo-me a levantar e ir comer porque penso que o meu corpo precisa dessa ajuda para ultrapassar esta fase. Penso que seja nessa semana que engorde mais. A Bela Adormecia é que tinha sorte, dormia, dormia e não precisava de comer! :P

Perguntei à médica: "-É normal estar assim a engordar?"
Ela respondeu: "-É normal. Especialmente se se tem tendência para engordar".
Sim... tenho tendência. :((

O pessoal bem me diz para não ligar ao peso, que quando isto terminar que depois logo me concentro para o perder, que tenho é de me concentrar na luta do bicho. Mas quanto ao bicho no que diz respeito ao que eu tenho de fazer pouco mais existe que possa fazer que já não o faça. A quimio trabalha no meu corpo e eu ajudo-o fazendo o reiki e tentado manter a minha mente sã e alimentando-me para dar energia para que ele lute. E para quem a luta do peso sempre foi algo que ouvi a vida inteira a minha mãe dizer "nao comas isso que engordas, não comas aquilo que engordas" é dificil pensar que posso estar a contribuir para este peso com comida e vida sedentária. Quando o pessoal aparece por aqui se se decidi ir buscar pizza como, não me consigo privar de certas coisas nesta fase da minha vida. Antes da ultima quimio ainda consegui fazer um pouco de exercicio fisico, mas este mês com a vinda do periodo e com o arrefecimento da temperatura optei por não o fazer. E custa-me pensar no exercicio fisico que vou ter de fazer quando esta fase terminar. Já disse ao Rui... depois disto tudo vou querer muito mais do que voltar ao meu peso anterior... já que é para emagrecer quero voltar aos 55 quilos que já não os vejo aos anos! LOL

Bem, obrigada a todos por irem ouvindo os meus desabafos. Está na hora do meu lanche. Geralmente corto uma peça de fruta, misturo com iogurte natural e depois salpico com nozes e passas. Tudo para que o sangue continue forte!

PS. Hoje acordei com o dedo do pé grande a doer-me. Juro que não bati em lado nenhum. Nao consegui calçar nenhuns sapatos sem ser uns raros que tenho que me fazem sentir como se estivesse pantufas. Coisas estranhas...

Continuação de boa semana para todos!

domingo, 27 de junho de 2010

Conhecendo o Inimigo - Parte 2


(27-06-2010)

Dias Passados desde o diagnostico: 11 dias

Os dias anteriores têm sido alucinantes. Há sempre alguma coisa para fazer ou para tratar. Saio cedo de casa e chego a entrar bastante tarde. E, depois o facto de ter estado sem internet durante três dias nao ajudou a actualizar o blog. Mas, passemos ao resumo daquilo que entretanto aconteceu.

No dia a seguir ao diagnostico (quinta - dia 17 de Junho 2010) consegui uma consulta de urgência com uma especialista que o médico do trabalho me tinha imediatamente aconselhado. Portanto, às 8 da manhã já me encontrava no hospital de Cascais para a consulta.

Pode parecer um pouco parvo, mas sentido que era o inicio de uma batalha na minha vida, vasculhei a gaveta das t-shirts e escolhi uma que senti que me iria dar forças durante o dia e que ao mesmo tempo me iria fazer sorrir. Acho que é importante ter coisas à minha volta que nos lembrem que isto é apenas uma dificuldade ultrapassavel tenho de manter a minha cabeça direccionada no prémio: a cura e tudo o que dessa cura vou continuar a conseguir fazer da minha vida.

Portanto, esta foi a t-shirt do primeiro dia de luta. Cada vez que olhava no espelho ela dizia-me: "Estou preparada para a batalha, sem medos! É bom que me temas bichinho"


Gostei muito da médica. Senti que ela tem uma força interior muito grande, senti que seria directa comigo e que nao me iria esconder nada no futuro. Tentou me explicar a minha situação o mais rapidamente que conseguiu (hospital publico têm um limite de tempo para cada doente mas ela arriscou-se e ultrapassou um pouco esse tempo.)
Depois é uma médica que já teve um tumor num outro sitio do corpo o que me faz sentir que ela sabe o que eu estou a sentir. E no final até me deu um abraço, criando uma relação de proximidade.

No resultado da biopsia o que os médica nao gostou foi do tamanho: "47 X 41 X 28 mm" É grande. Isto é um nivel 3. (Podem ver os niveis de estádio do cancro da mama)

A meio da consulta um outro médico entrou e ela disse-lhe: "-Decora a cara desta menina que vais acompanhá-la enquanto eu estiver de férias"
O médico olhou para mim (tenho 32 anos mas pareço mais nova, ainda por cima estava vestida descontraídamente com a tal t-shirt e calças de ganga) e portanto ele respondeu: "- Tenho a certeza que ela não vai precisar de mim para nada."
E depois, quando a médica insistiu e lhe mostrou que nao estava a brincar, só quando ele olhou para a biopsia é que ele se acreditou no que ela lhe dissera.

Resumo do que ela me disse na consulta:

Tamanho do bicho
É muito provavel que este aumento exponencial do tumor ("bicho como eu lhe chamo") tenha ocorrido devido à gravidez. A gravidez altera muito o corpo de uma mulher, as hormonas disparam, e apesar de eu ter feito a apalpação com a médica ginecologista em Janeiro a gravidez veio aumentar algo que já poderia existir no meu corpo com um tamanho tão baixo que ainda nao era perpectivel de se observar pelo toque. Como o meu médico no trabalho dizia "Isto que a Claudia tem demora 20 anos a desenvolver numa pessoa normal", ou seja eu provavelmente iria dar conta disto ao 40 anos que é quando os exames começam a ser obrigatórios para as mulheres fazerem.
"Estragamos o Planeta e depois aparecem estas merdas", disse ela olhando mais uma vez para a biopsia. Gostei de que ela dissesse asneiras, é sinal que não é uma daquelas médicas em que depois de ver tanta porcaria já tudo lhe parece indiferente.
Perguntei-lhe qual era a probabilidade de uma coisa destas aparecer numa grávida.
"Das 5000 a 6000 mulheres que já operei, cerca de 24 descobriram com a gravidez. É uma percentagem muito pequena"
É certo que é uma percentagem pequena, mas pensei "sao 24 mulheres que apanharam o maior susto da sua vida quando a unica coisa que deviam sentir era felicidade de trazerem uma nova vida ao mundo."
E ela acrescentou: "A Claudia abortou em Março. O nosso corpo reconhece quando algo está errado connosco e provavelmente foi por isso que parou com o desenvolvimento do bébé"

A Quimioterapia e a Infertilidade

"Vou-lhe deixar um assunto para ir pensando e analisando: pense se gostaria de congelar ovulos."
A quimioterapia pode causar infertilidade na mulher e menopausa antecipada. Aliás, quando se começa quimioterapia os médicos fazem qualquer coisa para provocar a menopausa a fim de tentar proteger os ovulos. Só que ás vezes isso não é suficiente.
Neste site que encontrei explica o assunto muito bem: "A Fertilidade"
Aqui em Portugal para congelar óvulos só indo a Espanha - também não está assim tão longe! E deixámos a ideia no ar.

Tácticas de Combate ao Bicho

O meu cancro da mama tem cura. É sempre bom de ouvir isso.
As hipoteses que foram colocadas sobre a mesa eram:
* Operação e depois quimio
* Quimio - Operação - Quimio
* Quimio - Operação

A médica marcou uma reuniao com os médicos para discutirem a minha situação na segunda feira de manhã seguinte e aí decidiriam o que fazer.
Como está muito grande provavelmente iria começar por quimio.
Mas vai ser uma batalha de cerca de 6 a 9 meses.
E, como uma amiga minha disse: "É como se estivesses a colocar a tua vida em suspenso durante esse tempo".
Mas ao mesmo tempo outra amiga também disse-me: "Vais sair de todo este processo como se tivesses passado por um renascimento."

As Férias

Tinha férias marcadas desde Abril para dia 29 de Junho. Férias nas Maldivas. Era um presente para mim e para o meu marido por tudo o que passamos durante a gravidez no inicio do ano. Eram férias para assinalar o inicio de recomeçarmos a nossa tentativa de ter um filho.
"Não desmarque essas férias!", disse-me imediatamente a médica, "Se começarmos por quimioterapia, não vai ser por uma semana que isso vai mudar alguma coisa. Vai para as Maldivas e vem com as forças renovadas para combater isto!"
Isto também já me tinha sido dito pela radiologista da CUF e portanto, uma luz de esperança apareceu. Ir de férias para um local de sol e àgua quente, e muito peixinho. Ir de ferias para um sol que não poderei apanhar durante os proximos dois anos a partir do momento que acabarei com o tratamento. Duas médicas a dizerem-me o mesmo era um bom sinal.

Mais Exames

Quando saí da minha consulta o meu pensamento foi: "Durante dois anos não vou poder pensar em engravidar". E aí, pela terceira vez de que este processo todo começou, chorei. Mas desde aí nunca mais tive ter vontade de o fazer. Mas outros exames sao necessários para a decisao de tratamento de quimio e operaçao.

Portanto, a médica passou-me mais exames. E se fosse de férias já todos tinham de estar feitos. Eu já tinha entretanto marcado a ressonancia magnética para dia 25 de Junho na CUF- descobertas com a mesma médica que me fez todos os outros exames (afinal ela é especialista em mamografia, ecografia mamaria, biopsia mamária e ressonancia magnetica... tive muita sorte quando a encontrei). O hospital de Cascais nao tem radiologia (talvez por ser um hospital novo, nao sei) e portanto a médica disse para deixar esse exame como estava marcado na CUF.

Passou-me ecografia à area abdominal (que consegui fazer no proprio dia quando expliquei à senhora da recepcção da ecografia o meu problema e a minha urgencia - porque eu queria que a médica estivesse na posse de todos os exames possiveis na segunda feira de manhã para a tal reunião). A senhora foi tao simpática que mesmo sem haver vagas, ao ver a minha idade e se tratar de cancro da mama ainda me lembro de ela ter virado para mim e dizer: "Aguarde um pouco princesa que já vou tratar de si." É tão bom sentir que Deus tem anjos e todos os lugares!
Cinco minutos depois estava a fazer a eco e outros 5 minutos passados já esta despachada! Estava tudo bem no exame! :)

Outros exames para fazer era Electrocardiograma e o Ecocardiograma. Mais uma vez um outro anjo apareceu na minha vida e consegui fazer ambos os exames no mesmo dia. Ter despachado isso deu-me muita força e energia. Estava tudo bem com estes exames também! :)

Assim, ficou-me apenas a faltar fazer as análises ao sangue uma vez que tinham de ser efectuadas em jejum. Ficou para o dia seguinte.

Á tarde fui á consulta de outro especialista desta vez no Hospital da Luz (devemos sempre ouvir mais do que uma opinião sobre o nosso caso, é importante para sentirmos que vamos tomar a decisao mais acertada). A consulta foi conseguida pela minha ginécologista (que é de lá) e também por uma pessoa que me foi apresentada telefonicamente e que foi tratada por esse mesmo médico.

Ao entrar no Hospital da Luz vieram-me outras memórias. As memórias relacionadas com a gravidez. A lembrança de uma médica nos dizer "O ovulo está cá, mas o coração do embrião parou de bater". Não é fácil. Não é algo com que fiquei traumatizada ou coisa do género, mas é algo que não voltamos a esquecer até ao resto da nossa vida.

O médico foi 5 estrelas. Contei-lhe tudo o que tinha feito de manhã. (não gosto de começar algo com mentiras e omissões). Ele falou-me que o Hospital de Cascais era excelente e que se eu me sentisse bem deveria lá ficar. "É um hospital novo, a Claudia vai lá se sentir tratada como uma princesa. E quando se decidir onde vai ser tratada vai ter de ter confiança na pessoa que cuida de si"
E realmente isso fez-me lembrar o que a senhora da recepção da ecografia me tinha chamado.

Explicou-me que uma pessoa que começa um processo destes pode sempre passar de um hospital publico para um privado, mas que o contrário já não é permitido. Sao regras.

Disse-me para não ir para o IPO (algo que a radiologista da CUF também me tinha dito) - quero realçar que estamos a falar de um médico que também trabalha no IPO.
"Os médicos desta área são todos bons. O IPO está a abarrotar de gente e a Claudia vai-se perder. A Claudia é nova, precisa de atenção especial. No Hospital de Cascais vai ter isso, provavelmente por ser uma das pessoas mais novas que por lá apareceu, no IPO vai ser apenas mais uma."

Depois perguntei-lhe em relação á questão da fertilidade. Mas para ele me falar sobre isso faltavam umas coisas chamadas "receptores hormonais e de cerB2" que a biopsia ia enviar posteriormente. Mas ele explicou-me que os receptores vao vir positivos ou negativos.
Se vierem positivos quer dizer que meu corpo vai receber muito tratamento de quimioterapia e o tumor vai diminuir muito (tenho um presentimento que isto vai vir positivo porque quase de certeza que isto disparou para este tamanho devido às hormonas da gravidez). Mas depois o facto de ser positivo tem o reverso da moeda.
Geralmente, para nos serem tirados ovulos para congelar, injectam-nos com hormonas. Se o meu tumor é receptivo às hormonas significa que pode crescer mais devido a isso. E se entao, esse for o meu caso, nao me aconselhou a retirar os ovulos. A minha saúde está primeiro do que qualquer filho. Sem a minha saúde nao há probabilidade de filhos no futuro. Certo?
Depois também me disse que apesar de o cancro da mama ser um dos cancro com mais estudos, ainda nao existe uma correlação entre cancro da mama e gravidez após cancro da mama. Hoje em dia ainda não é possivel dizer se engravidar depois de um cancro é bom ou mau para a saude da mulher.

Antes de olhar para a biopsia ele disse que o possivel tratamento seria operação e depois quimio. Mas depois de ler o relatório da biopsia (o rui diz que até os olhos dele se abriram mais... acho que ele nao estava à espera de ver um bicho tão grande) reformulou e disse: "Isto deve ser quimio- operação - quimio". Tal como a médica da manhã.

Depois fez-me a apalpação e disse-me que o meu alto no peito, além de nao se notar á vista parecia muito mais pequeno do que aquilo que a biopsia dizia. Parecia-lhe um grau 2 até. wow uma pessoa adora ouvir boas coisas... E eu começei a pensar se o meu tumor nao teria diminuido... aliás o meu marido que tem também me apalpado a mama (mesmo antes de fazer a biopsia) já me tinha dito o mesmo. Ah! Quando fizesse a ressonancia magnética os valores viriam certinhos! E mais pequeninos! (Temos de ter fé)

Falei novamente nas férias e mais um médico me disse "Nao as desmarque, vem de lá com um bronze e muito mais calma que aquilo é o Paraíso! Uma semana não faz diferença!"
Bem... 3 médicos a dizerem o mesmo! Eu e o Rui começamos então a pensar que as probabilidades de Maldivas antes de quimio estavam a aumentar.

Chegamos a casa ás 11 da noite. Eu, estafada como estava, adormeci a fazer reiki a mim mesma. heheeh

Em ambas a consultas de especialista eu disse "Se tirarem a mama resolve o problema já, vamos a isso". Mas nenhum deles quis optar por isso. "As coisas têm de ser analisadas e só depois decidimos."

Como disse a uma amiga minha: "Preciso das minhas pernas, das minhas mãos, dos meus olhos, da minha lingua, dos meu ouvidos... a mama não me faz falta para aquilo que quero fazer na minha vida e hoje em dia depois fazem-me uma nova mama."