Quero primeiro agradecer a todos os quanto me enviam palavras de agradecimento pelo blog. Sinto-me muito feliz por saber que ajuda tantas pessoas numa fase tão desafiante da vida, foi esse o meu principal objectivo: ser um blog util.
Hoje venho falar do meu amigo cateter. Ainda não consegui tratar das coisas em Inglaterra e por isso tenho vindo a Portugal limpá-lo. Supostamente a limpeza do catéter em Portugal é de 6 em 6 semanas (sim, difere de país para país)... digo supostamente porque tenho esticado o prazo e faço-o em cada 10 semanas.
A limpeza do Cateter não dói muito e quando é limpo pela enfermeira certa é super rápido. É a mesma coisa levarmos com uma picada no braço para tirar sangue, a diferença é que no meu caso a picada é mesmo acima do coração.
O meu cateter está muito fundo e por isso a agulha tem de ser a maior, mas isso nao faz diferença, a unica coisa que quero é que quando sou espetada a agulha vá parar ao sitio certo.
Ultimamente tem sido a Enfermeira Carmo (que é um amor de pessoa) a limpá-lo! E ela tem olho e nunca falha! :D É um alivio e ainda damos umas gargalhadas!
Aqui ficam algumas fotos que ilustram aquilo que falo:
A Enfermeira Carmo a tentar encontrar o cateter
Aqui temos cateter espetado... retirada de sangue e depois leva com outro liquido qualquer transparente que eu não sei o nome. 5 minutos e está limpo!
Se me chateia limpar o cateter periodicamente? Sim. Chegamos a um ponto ao fim de quase 4 anos que estamos fartos de todos os cuidados médicos, sejam consultas, exames de rotina, etc etc... E eu, só de imaginar que passados os 5 anos ainda tenho de ir para uma sala de operações para o retirar tremo logo!
Mas ao mesmo tempo a limpeza do cateter é apenas uma coisa minima quando uma pessoa já passou por tanto e por isso faço-o com boa disposição. E, é sempre bom chegarmos ao hospital, e ter-mos enfermeiras tão bem dispostas à nossa espera. No fundo, penso que vou à sala dos tratamentos para dar umas beijokas a todas as pessoas tão simpáticas que por ali trabalham.
É para essas pessoas que hoje vai um beijinho especial do coração!
No mês de Agosto tive consulta com a Senologista. Como estava tudo bem ela só me quer voltar a ver lá para Janeiro (para depois me mandar fazer uma ressonância mamaria... é certinho que da próxima vez não me safo de a fazer).
Depois voei para Londres. Nunca eu adivinharia no inicio deste blog que estaria à procura de trabalho em Londres 3 anos depois, aliás quando a história toda começou trabalhava há anos numa empresa e estava bem posicionada. O facto é que a fase da doença revolucionou a minha vida e não podemos voltar atrás e não podemos controlar o futuro. O futuro a Deus pertence, como se diz. E se há coisa que um doente oncológico sabe é que na nossa vida não há controlo de nada, podemos tentar, comemos melhor, tentamos não ter tanto stress, exercitamos o corpo, mas o resultado não está totalmente nas nossas mãos. É andar sempre com fé.
O período veio em Junho e depois desapareceu. Doí-me o mamilo da mama boa, como se tivesse sensível e a única coisa que me descansa para não entrar em paranoia é o facto de ter uma ecografia feita em Julho. Tou em apostar que é o periodo que pode aparecer por aí a qualquer momento e que isto seja uma revolução de hormonas qualquer. Portanto tento simplesmente ignorar, mantendo o fantasma afastado. Muito jogo mental! Muita meditação e pensamento positivo!
A procura de emprego é interessante, já fui a umas entrevistas e existe uma pergunta que tento sempre contornar "Porque é que deixou a empresa onde trabalhava?" ou "O que fez desde que deixou a empresa onde trabalhava?".
A ultima coisa que quero referir numa entrevista é a palavra cancro, muitas vezes associada à morte.
Questão: "Porque é que deixou a empresa onde trabalhava?" O que eu queria responder: "Depois de 2 anos a combater um cancro da mama estava esgotada física e mentalmente para fazer 4 horas de transportes públicos por dia." O que eu respondo: "A empresa estava a despedir os trabalhadores" (o que é bastante verdade) Questão: "O que fez desde que deixou a empresa onde trabalhava?" O que eu queria responder: "Bem, descansei. Analisei a evolução do meu braço direito (que agora já me permite estar mais tempo ao computador. Fiz mais exames medicos, emagreci e fiz exercício fisico. Basicamente foi tentar novamente reconhecer-me no espelho e tentar ter um equilíbrio entre a Claudia de antigamente e a Claudia de agora. Fiz voluntariado na Biblioteca municipal e publiquei um livro para crianças. Tentei arranjar emprego em Portugal, mas como Portugal está em crise decidi tentar Londres. O que eu respondo: "Fiz voluntariado na Biblioteca municipal e publiquei um livro para
crianças. Tentei arranjar emprego em Portugal, mas como Portugal está em
crise decidi tentar Londres."
Não há-de ser o facto de ter passado pelo que passei que me há-de definir. Ou pelo menos tento que assim não o seja.
O pessoal pergunta-me:"como vais limpar o cateter em Londres?" - Não faço a mínima ideia.... vou preocupar-me com isso mais tarde, tenho até ao final de Outubro para encontrar uma solução. Acho que depois de arranjar casa fixo procuro o centro de saúde mais próximo para me inscrever. "como vais à oncologista?" - Não sei. Tenho oncologista marcada para dia 23 de Dezembro. Talvez consiga ir a Portugal no Natal... a ver vamos. Uma coisa de casa vez. Também tenho de fazer a ecografia vaginal por essa altura... :/
Para a frente é o caminho... e ter fé de que Deus nos guia os passos.
Beijinhos a todos,
Ps. a ver se coloco as duas entrevistas que tive este ano na TV (uma da TVi - fatima Lopes e a outra da SIC- Júlia Pinheiro) a ver se não me esqueço
Este mês é mês de revisão e consequentemente médicos e exames.
Hoje fui à Senologista.
Está tudo bem. Ela não gosta muito das cicatrizes, mas o peito direito está muito bom e muito semelhante ao esquerdo. Eu também acho. E, com um soutien normal, ninguém adivinha aquilo que o meu corpo passou.
Eu: "Quando é que o catéter sai?"
Ela: "Deixe-o estar que ele está bem e não incomoda ninguém"
(quer dizer... incomodar muito não incomoda, mas não gosto nada de ser picada de 2 em 2 meses para lhe fazer a limpeza. Apesar de eu adorar a minha enfermeira Madalena que me pica 5 estrelas! - como hoje)
Ela disse que o quisto dos ovários estava grande. Tem neste momento 53 mm. Mas eu relembrei-lhe que em Março a ecografia mostrava um quisto maior (59 mm). Portanto está grande, mas diminuiu e um deles desapareceu! (fiz reiki 4 dias seguidos com essa intenção logo após o exame de Março)
Acabei por confessar que ultimamente me esquecia muito de tomar o tamoxifeno, devido ao stress, e ela olhou para mim com ar reprovador e disse: "Claudia, isso é para ser tomado certinho. O seu tipo de tumor era um dos piores que existe. Não facilite, não facilite."
Ela não fez referencia às analises de sangue, mas os marcadores tumorais estavam todos dentro dos valores e isso é o principal.
Acabei por dizer que tinha deixado de comer carne, ao qual ela, me surpreendeu com a seguinte resposta: "Acho muito bem, não deveríamos comer coisas mortas. O peixe também é morto." E assim, calculei que ela se tinha tornado vegetariana. Eu vou continuar a comer peixinho... é uma coisa de cada vez. E estou a pensar em tirar umas aulas de macrobiótica para aprender mais coisas.
Acho que nós, doentes oncológicos, apesar de podermos comer de tudo, vamos tendo mais atenção com a nossa alimentação e com o nosso estilo de vida. Pelo menos foi isso que aconteceu comigo e com algumas amigas.
Para a semana consulta de oncologia, mas como hoje já fui apalpada, agora estou muito mais descansada! :)
Atestado de Incapacidade de 60%
No dia de 3 de Agosto fui chamada para ir à Junta Médica e obter o atestado de incapacidade de 60%, por cinco anos (começa a contar a partir da data da biopsia ao peito - quando o que nos é tirado na cirurgia vai para análise, pelo menos foi o que eu compreendi).
Custo de se obter o papelinho: 50 euros
Os senhores da junta foram muito simpáticos e fizeram questão de me explicar quais os benefícios do meu novo papelinho. Referiram estes:
* Isenção das taxas moderadoras - agora tenho de ir com o papel ao centro de saúde para que isso fique no sistema.
* IRS - ganha-se mais IRS e como ainda nao passaram 120 desde a liquidação do IRS 2011 ainda posso modificá-lo (embora para modificar o IRS se pague 50 euros, por isso tem de se fazer a simulação online e ver se compensa modificar ou não). Entretanto já fui com o papelinho às finanças e eles actualizaram no sistema (algo que é necessário fazer sempre).
* Empréstimo à habituação - É possível baixar o empréstimo à habituação pois a taxa que é mexida não é o spread, é uma taxa do banco de Portugal que também oscila. Com este papel ficamos, pelos anos do papel, com a taxa mais baixa, o que faz baixar a renda. O que me disseram no banco é que isto só pode ser aplicado a empréstimos inferiores a 130.000 euros (se nao me engano... esta minha memoria...) e menos de 30 anos de empréstimo (os anos contam a partir de agora)
* Contas a prazo com mais de 7.000 euros - também se recebe mais de juros, mas esta informação ainda não confirmei.
* Isenção do selo do carro
A continuação de um ótimo Verão a todas as pessoas que seguem o meu blog. Gosto especialmente de saber em como os meus posts antigos ajudam quem começa agora uma luta, pois foi com a intenção de ajudar quem precisa, e que tinha duvidas como eu tinha no inicio, que criei este blog onde mostro este pedacinho da minha vida.
Beijinhos do coração para todas as pessoas que me acompanham. E vivam um dia de cada vez com alegria, pois é uma grande bênção estarmos aqui.
O mês de Maio e Junho têm sido muito intensos a nível emocional e foi por essa razão que o blog ficou um pouco parado. Como esta onda emocional ainda não terminou, espero vir a falar dela no futuro, quando já houver uma resolução.
Entretanto coisas boas aconteceram que merecem ser assinaladas. Devido à tensão emocional emagreci e agora só me faltam perder 5 quilos para voltar o peso que tinha quando esta batalha se iniciou. As roupas ficam-me melhores e já me reconheço no espelho.
Fisicamente só a dor esporádica da anca esquerda me continua a incomodar, não sei se hei-de esperar que passe ou se hei-de ir a algum médico. Mas não me apetece nada fazer exames e médicos. Devia ter marcado a eco vaginal para este mês, mas nem isso me apeteceu. Fujo a bem fugir de tudo o que tenha a ver com medicina. E, nesse aspecto Maio foi bom pois, pela primeira vez desde há muito tempo que me abstraí da minha parte física. Este mês já fui limpar o catéter.
Fez este mês 2 anos que isto tudo começou. O tempo passa, a batalha foi dura, mas estou aqui e valeu bem apena lutar.
Fui este mês pela primeira vez à praia! :) Ohhh que saudades que eu tinha do mar!
O cabelo está a crescer bem e descobri que nesta fase me fica muito bem esticadinho, por isso tenho ido mais vezes à cabeleireira. (eu nunca tive muita habilidade para cuidar do meu cabelo).
Continuo a ter sempre muito cuidado com o braço que não tem gânglios. Hoje, por exemplo, não fui fazer a minha caminhada porque achei que estava demasiado calor para ele. Quando começo a andar, sinto que ele quer inchar e páro em todos os bebedouros para o refrescar.
A nível profissional continuo à espera da resposta da Segurança Social para obter o subsidio de desemprego (já vamos em quase 3 meses de espera). A semana passada fui reclamar e saí de lá a chorar porque isto é um assunto que realmente mexe muito comigo, especialmente porque tenho uma renda da casa para pagar e quando é tão injusto que eu tenha trabalhado 10 anos seguidos (sem nunca ter colocado uma baixa) e depois fico doente, entrego as baixas com atraso e apanho este stress de poder não ter direito. Mas mantenho o meu pensamento positivo e espero que quando pegarem no meu processo (sim... em 3 meses ainda nao pegaram nele!!!), que a pessoa que cuide dele seja um anjo!
E é por isso que tento levar um dia de cada vez. Estou aqui agora, estou bem, sinto-me saudável e isso é realmente importante para que tudo o resto se conjugue na minha vida,
Um beijinho muito grande para todos os que acompanham o meu blog desde o dia em que ele nasceu
Esta semana, foi semana de exames e um deles quase se transformou num filme de terror retirado de um livro do Stephen King.
Electrocardiograma e Ecocardiograma "Tem o coração de um touro", foi a primeira coisa que o médico disse quando começou a ver no ecrã o meu coração bater. Foi um alivio saber que as 18 sessões de herceptin que intoxicavam o coração não o deixaram afectado. :) Assim, também sei que pode recomeçar o exercício físico (moderado) sem me preocupar com a saúde do coração.
Colondoscopia com anestesia
*A preparação A preparação para a colondoscopia é uma coisa chata. Não é difícil, mas é deveras aborrecida. Nos 3 dias antes comecei uma dieta que só incluía pão branco, manteiga, arroz, batata, ovos e carnes brancas e peixe magros. Na véspera passei para uma dieta liquida onde basicamente só comi gelatina de morango, que me saciou a fome.
Às 8 e meia da noite comecei a tomar o preparado para o exame: 4 litros de água com pó cujo gosto deixa muito a desejar. (o meu chama-se Klean-Prep). A cada 15 minutos um copo e o que me safou foi que sempre que acabava de beber aquilo colocava uma rodela de limão na boca para retirar logo o sabor esquisito e aguentar aquela água no estômago.
Duas horas depois começou a casa de banho... eram 10 e meia da noite, só saí de lá à 1 e meia da manhã. Tinha o rabo gelado! As pernas tapadas com o robe e o corpo enrolado a uma manta para ver se não me constipava. Mas apesar do desconforto até estava de bom humor! No dia anterior tinha feito reiki e isso sempre me dá uma sensação de paz e de segurança.
No fundo pensei que a preparação fosse pior, pois imaginava que me provocasse dor de barriga (tenho pânico de dores de barriga), o que não aconteceu.
Um conselho, não comam gelatina de morango na véspera. É que quando começamos na casa de banho a cor que começou a sair era como se fosse sangue. Apanhei um susto!!! Comam gelatina de ananás que é amarelinha!
* A picada: O filme de terror
Quem acompanha este blog sabe que eu tenho um cateter desde o inicio desta batalha. Custou-me a pôr, faz-me impressão quando tocam nele, fiquei um pouco traumatizada com o processo apesar de o adorar pois possibilitou-se fazer todos os tratamentos sem grande esforço.
Mas fico receosa quando qualquer enfermeira quer tocar nele, especialmente porque ele está profundo. E, como sempre me têm achado uma veia para fazer os exames, nunca precisam de ir ao cateter.
Para levar a anestesia tinham de me picar numa veia. Foi horrivel! Comecei mentalmente a rezar para que me fosse encontrada uma veia sem grande sofrimento. O braço esquerdo foi picado 8 vezes e no final eu já estava assim:
Depois queriam-me picar o braço direito, mas eu não deixei. Só pensei em como a minha Senologista, a Oncologista e a fisioterapeuta me matariam se eu deixasse alguém espetar o braço que não tem ganglios! Nem pensar! No braço direito ninguém toca!
"Sabe que isso de não se poder picar no braço direito é um mito", disse a anestesista muito sabichona, "Uma pessoa também se pode cortar com a faca da cozinha e não é por isso que o braço incha. Além disso no IPO já picam o braço quando passam 5 anos desde a operação". Ela bem podia dizer o que quisesse, mas no meu rico bracinho direito ninguém toca.
"- Vamos tentar nos pés" - disse a anestesista "- Nos pés?" - nunca ninguém me tinha espetado nos pés. Estava com medo que doesse mais do que no braço e na mão.
Houve um momento em que me estavam a espetar em dois sítios ao mesmo tempo. Uma enfermeira no antebraço e a outra no pé esquerdo. A do braço doía muito mais e ficou hoje com este aspecto:
Parecia que era um concurso para ver quem apanhava a veia. E provavelmente a enfermeira que estava no meu braço queria fazer um brilharete ao pé da médica (mas não conseguiu). Toda eu tremia.
"- Desculpem, mas eu quero desistir do exame, está bem?" - Eu queria desistir. Não queria saber o tempo que tinha perdido na preparação, queria sair dali e daqui a uns meses fazia o exame noutro sitio em que a anestesia não fosse por picada. Nenhum daqueles enfermeiros iam tocar no meu rico catéter. Eu também não deixaria, não me inspiravam confiança.
- Vamos só fazer mais uma tentativa no outro pé. Se não conseguirmos desistimos.
E eu deixei. E eles conseguiram.
Pelos menos 6 enfermeiros à minha volta enquanto isto acontecia, e ao meu lado ouvi dizer que o senhor que tinha saído do exame estava chocado com o que me estavam a fazer. Nenhum enfermeiro me segurou a mão quando gritei com as dores das várias picadas (pelos vistos não são pagos para isso). Mas recordo-me bem quando fiz a biopsia da mama e uma querida enfermeira segurou-me na mão durante todo o exame e me acalmou, existem anjos à nossa volta.
* O exame Colocaram-me oxigénio no nariz, e nem me avisaram quando começou a anestesia. Quando dei por isso já acordava na maca. A dormir o exame não custa nada a fazer. O médico veio ter comigo e deu-me o resultado. Estava tudo bem, tudo normal. E eu suspirei de alivio, mais uma vez. Depois do exame ficamos com a barriga inchada e ar vai lentamente saindo. A mim doía-me um pouco, mas nada que fosse mau.
À noite não consegui dormir bem. Não quis tomar o xanax porque os meus valores do fígado aumentaram um pouco (em dezembro tomei mais calmantes devido ao stress da Segurança Social). Mas quando fechava os olhos, voltava lá, estava naquela cama rodeada de enfermeiros que me queriam picar.
Acordei várias vezes. Hoje sinto-me cansada, mas estou feliz, dentro de mim uma voz diz "Estou viva" e fiz mais coisas hoje do que na semana passada inteira, quando estava ansiosa pelo exame. O coração doí-me, às vezes umas picadas fortes, mas sei que é ainda do nervoso do dia de ontem, pois ele estava bom nos exames.
Até o braço direito me doí hoje! A ver se faço reiki para ficar calminha.
Ps. Próximo exame mamografia e ecografia mamária. A ver se o marco, para me despachar disto. Estou tão farta de exames médicos, mas são necessários.
Ps2. O medico do relatório da eco vaginal escreveu vigilância apertada. A ver se faço novamente uma eco antes de Março.
Fiz o 18º Herceptin (o último) no dia 18 de Novembro (sexta-feira). Ao contrário do que seria de esperar não dei pulos de alegria. Primeiro, estava super chateada de andar com uma constipação/gripe que me atacou durante um mês, depois foram as alergias... enfim, estava cansada. Além disso, depois de levar-mos com as infusões durante um ano quase que nos custa a acreditar que finalmente esta fase do tratamento. Acho que só acredito mesmo quando passar as 3 semanas e pela primeira vez ter aquela sensação de "Hoje já não preciso de ir levar com droga". Aí vou começar a assimilar a nova realidade.
* Catéter * A Limpeza do catéter é feita mais ou menos de 6 em 6 semanas e dia 6 de Janeiro lá vou eu para uma picadela. Acho que o catéter vai ficar cá dentro 5 anos.
* Sangue escuro/castanho* No dia 12 de Novembro apareceu-me sangue castanho escuro (como se fosse restos de período). Andei assim 5 dias e pensei que a menstruação me fosse aparecer, mas não. Depois andei stressada para saber o que tinha até dia 29 que era quando tinha a eco vaginal com sonda marcada. Estava tudo dentro da normalidade segundo o médico, o útero um pouco espesso e um dos ovários com alguns quistos, mas nada de relevância. Não viu ovulação. Disse-me que devia vigiar de 3 a 6 meses e dado que é um exame que não nos prejudica em nada, nem custa nada a fazer, acho que vou fazer de 4 em 4 meses para ficar mais descansada.
* Afrontamentos* Com o aparecimento daquele sangue escuro, os afrontamentos desapareceram. Mal me custa a acreditar! Não imaginam a diferença que isso faz na qualidade de vida de uma pessoa. Onde sinto mais diferença é nas noites, muito muito mais tranquilas. E isto tudo faz-me pensar... o meu corpo está em mudança, talvez esteja a querer voltar ao normal apesar dos entraves que o Tamoxifeno possa querer fazer.
* Herpes Labial * No meio disto tudo, também depois do sangue aparece-me o herpes labial. Para mim foi um sinal que o corpo está mesmo em ebulição. Em 2010 tive o herpes quando estava gravida e depois voltei a ter a meio das quimios.
* Hemorroidas? * Já tinha alguns sintomas antes de fazer quimio, mas agora o fluxo de sangue tem vindo a piorar, especialmente se estiver mais presa. Tenho de ir ao gastroenterologista para ficar com a cabeça descansada e confirmar isto, especialmente porque tive uma tia que morreu de cancro do intestino e por isso a precaução é sempre o melhor remédio.
* Oftalmologista* Os olhos estão excelentes. A miopia não aumentou com a quimioterapia e a lubrificação do olho está dentro do normal. Encomendei umas lentes de contacto novas e por isso, e por estar a tomar o tamoxifeno, daqui a 6 meses volto à consulta.
* Unhas dos pés * Lembram-se das unhas dos pés que ficaram negras? As do pé esquerdo nunca mais me deixou de doer desde a quimioterapia e a unha tornou-se amarela. Esta semana ganhei pus na pele perto da unha. Acho que a unha mudou tanto com a quimioterapia que está a encravar a pele. Vou ver se resolvo este assunto ou continuo sem poder calçar quase nada de jeito.
De resto está tudo na mesma. Os ossos dos pés continuam a doer, as unhas das mãos frágeis (tenho-as sempre curtinhas e nem as pinto muitas vezes para as deixar respirar), o cabelo a querer chegar à Lua (está seco, a ver se compro uma máscara hidratante) e crescendo devagarinho (a ver se tiro uma nova fotografia). O braço quando o levanto doí-me sempre um pouco e às vezes também no pulso (mas nestas ocasiões o Voltaren torna-se meu amigo).
Espero que sem o herceptin comece a não me sentir tão cansada e aos poucos a emagrecer. Quero sentir-me bem novamente.
A radioterapia finalmente terminou. 30 sessões, 30 dias úteis de ida contínua ao hospital. A minha pele aguentou-se bem, não me posso queixar muito apesar de ainda me doer em certos sitios. Alguma da pele tb caiu, especialmente a do mamilo mas sem fazer ferida, já existe pele nova no braço. O seio está cheio de pigmentação.
Não falei ainda dos cuidados a ter com a Radioterapia e da sua função por isso hoje aqui fica uma espécie de lição para que não conhece.
RADIOTERAPIA DA MAMA E AXILA
Pode sentir um aumento de sensibilidade e de voluma na mama irradiada nas duas primeiras semanas. Na região axilar há glândios importantes no processo de drenagem linfática para os braços. Por esta razão é muito importante dar atenção especial ao braço da axila que é irradiada.
Cuidados a ter durante o tratamento:
* Evite depilar a axila que é irradiada e/ou do lado da mama que é irradiada. - eu nunca depilei e ainda nem o fiz desde que terminou pq a pele continua sensivel. * Não use desodorizante ou pó de talco na axila que é irradiada - nunca usei * Evite exercícios violentos e pesos no braço da axila e/ou mama que está a ser tratada (ex. prefira outro braço para o uso da carteira, para o transporte das compras) - Isto é algo que faço desde o inicio da quimio, foi uma das primeiras coisas que me disseram. Contudo também não posso usar malas no outro ombro porque tenho o catéter. Assim, só malinhas de mão. * Não apanhar qualquer tipo de calor (passar a ferro, principalmente ferro a vapor, forno e fogão, maquina de lavar loiça) - Passar a ferro já não podia porque passava com o lado direito e com a esquerda requer muito treino. Nao usei o forno durante a radio e do fogão tinha cuidado. * Manter uma boa hidratação oral (beber pelo menos 1,5 litros de àgua por dia) - aqui desleixei-me mais...
Na Pele... * Observar diariamente a coloração da pele da região submetida a tratamento - mais para o fim estava um pouco vermelha e aí deram-me um creme que apliquei 3 vezes e aliviou a pele. *Aplicar creme protector e hidratante Biafine 2 a 3 vezes por dia (excepto 3 horas antes do tratamento) - eu tb coloquei o creme Sativa * Não usar nenhum creme ou pomada sem ser indicado pelo médico ou enfermeira, na área a ser tratada * Lavar a região submetida a tratamento com àgua tépida corrente, sem esfregar, com sabonete de glicerina * Use uma toalha macia e não esfregue, ao secar * Nunca apague as marcações - além das tatuagens, as pintas azuis que ficam para sempre no nosso corpo, também levamos com cruzes marcadas a vermelho. Se a cruz sair só é chato porque temos de ir novamente para o simulador para obter as coordenadas e assim perdemos mais tempo. * Secar muito bem as pregas cutâneas * Proteger a pele do calor, frio e sol - mesmo nos dias com mais calor usava uma blusa sem decote e uma charpe para proteger do lado do pescoço (resultou). * Evitar fitas adesivas na pele irradiada.
TRUQUES Estes são alguns truques que aprendi com as mulheres que já passaram por este processo. * Não usar soutien em casa * Nas primeiras semanas na rua usava sotien mas colocava algodão na área irradiada para o sotien nao roçar na pele. Nas ultimas semanas usava uma camisola de algodão (virada do avesso para as costuras nao roçarem na pele) e depois, por cima da camisola vestia o sotien. - a minha médica da rádio até viu e disse que realmente era uma boa ideia, nunca ninguém lhe tinha dito. * Colocar logo o creme após a radioterapia e não esperar por chegar a casa. * Não usar fios ou colares
Adorei a equipa da rádio no Hospital do Barreiro, todos super simpáticos e atenciosos. Mas estou contente que esta fase tenha terminado apesar de estar super, super cansada.
Dizem que os efeitos da radio duram pelo menos mais 2 semanas na pele e no corpo, após o tratamento.
Esta é a maquina que me acompanhou durante os dias. Deitamos-nos na marquesa e a máquina vai girando. :)
Antes de mais queria agradecer a todas as pessoas que têm parado no meu blog para me deixar uma mensagem de apoio. Muitas dão-me força, esperança e supreendemente até parece que inspirei algumas pessoas com a minha atitude positiva. Fiquei muito feliz e só por isso já vale ter iniciado este meu blog desde o primeiro dia de luta. Ainda não respondi às mensagens, mas irei fazê-lo.
Mas, aqui temos a aventura do 4º Trastuzumab...
Na quinta-feira fui fazer mais um tratamento de anticorpos, o 4º. Estava bem animada e bem disposta (também os dias em que não estou é que são raros). Antes de ir para o tratamento fui fazer as análises que a médica me tinha pedido para a cirurgia e assim é menos uma coisa com que tenho de me preocupar. Por isso, quando cheguei à sala da droga (como agora já não faço quimio tenho de lhe chamar de outra coisa) já estava um pouco atrasada, mas ninguém diz nada.
Começo a reconhecer algumas caras familiares entre aqueles que fazem tratamentos. Afinal muitos deles fazem também o tratamento de 3 em 3 semanas.
Desta vez fiquei entre duas senhoras com historial de cancro da mama. A do lado esquerdo tinha tido cancro da mama há 10 anos (na altura não levou quimio) e agora tinha sido diagnosticado uma metástese no figado. A do lado direito, tinha tirado o peito há 2 anos e já nem sei o que ela tinha agora. Para esta, o mais dificil de tudo tinha sido a colocação do cateter (afinal não sou a unica traumatizada!). Ela disse: "Nem quando chorava na fisioterapia (tiraram-lhe todos os glandios debaixo do braço) foi tão mau como o catéter!".
Estava portanto, entre veteranas neste assunto. Isto deixou-me um pouco pensativa. Para algumas pessoas isto é uma luta constante e apercebo-me que para mim vai ser uma vigia constante ao longo da minha vida. E depois penso, então tenho de fazer os possiveis para que em todos os dias esteja a fazer algo que me dê prazer. Ultimamente esta parte tem sido dificil uma vez que continuo a lacrimejar e os dedos estão doridos e o corpo em cada coisa que faça acusa cansaço. A quimio ainda não saiu completamente do meu corpo.
Algumas pessoas dizem que não devemos fazer planos, mas eu não consigo evitá-los. Como não imaginar o futuro? Como não imaginar uma viagem? Uma festa? Um passeio? Uma tarde com os amigos? Uma ida ao cinema? Como não planear? Eu não sei.
Existem algumas coisas que eu digo "Um dia de cada vez", mas isto acontece porque eu não sei como estarei amanhã, que existem coisas que não dependem só de mim, contudo isso não quer dizer que eu não faça planos.
Mas voltemos à sala da droga...
Picada do catéter logo à primeira, como eu gosto, e a seguir medem-me a tensão e os batimentos cardiacos.
Vejo a enfermeira torcer o nariz "A Claudia tem os batimentos cardiacos muito acelerados. Quando fez o exame ao coração pela última vez?"
Ia para brincar e dizer que a aceleração se devia ao facto de estar ao lado do meu amor mas acabei só por dizer que no dia anterior tinha feito os exames e que estava tudo bem e, que de facto me tinham dito a mesma coisa.
"Com estes batimentos não lhe posso administrar o tratamento... vamos ter de baixar isso"
Ora aqui estava algo que ainda não me tinha acontecido...
A enfermeira dá-me um copo com um liquido "Bebe. Sabe mal por isso mais vale ser tudo de uma vez". Olho para o copo e a quantidade de liquido não era muita... não podia ser assim tão mal, podia? Olho para o Rui que me diz para beber tipo shot, mas eu nunca fui muito de shots!! lol E quem em criança teve de levar com o "oleo de figado de bacalhau", em adulto sabe que nada pode saber assim tão mal!
Portanto, dei uma golada, não me soube assim tão mal, e bebi calmamente o resto e disse à enfermeira: "Oh, por favor... isto comparado com os 5 copos nojentos que se tem de beber para o TAC abdominal não é nada".
A partir daqui confesso que o que se passou já não é muito claro para mim. Drogaram-me... literalmente! :)
O Rui diz que elas ainda me deram mais qualquer coisa por intravenoso porque o que tinha bebido não tinha feito tanto efeito como elas queriam. Ligaram-me a uma maquina especifica para os batimentos com todos aqueles fios que eu agora me esqueço o nome. O que eu sei é que quando me acordaram já tinham passado horas...! O tratamento tinha sido feito e eu sentia-me, tão, tão drogada!
Saí do hospital a andar um pouco como os bêbados e fechei os olhos no carro. Cheguei a casa, almoçei e a seguir adormeci 4 horas no sofá. Quando acordei, ao ver o Rui, pensei que era sábado! (A qualidade da droga era mesmo boa!).
Creio que o meu coração estava mais acelerado do que o costume devido ao stress para a operação. Tenho montes de coisas para fazer e tenho de curar esta expecturação que ainda não se foi embora. Mas está quase.
Esta próxima quinta tenho a consulta com o anestesista. Tenho de marcar o raio X e o TAC ao torax. Enfim... "um dia de cada vez".
O tempo não ajuda. Está frio em Portugal. A maior parte dos meus amigos ou está com uma gripe/constipação ou está a recuperar de uma. E continuo enrolada nos cobertores e a pensar que vou recuperar a tempo para que a operação seja mesmo dia 8. Quanto mais cedo despachasse isto melhor... "Mas, um dia de cada vez, um dia de cada vez" e "Seja o que Deus quiser".
Bom começo de semana!
Ps. Nem fotos tirei porque com a minha aceleração matinal até me esqueci do tlm em casa!
Ontem foi o dia da 5º quimio (agora só faltam 3!) e se hoje estou a escrever já sabem que é porque correu bem. Aliás estou ao computador e isso é um grande feito para mim que com as quimios anteriores não conseguia raciocionar em menos de uma semana.
Portanto, ontem foi o primeiro dia da quimio Doc (Docetaxel) logo às 8 da manhã que é como eu gosto! :D Estava um pouco nervosa, por um lado por mais uma vez ir ser mexida no cateter e por outro por se tratar de uma quimio nova.
Vesti a t-shirt divertida (desta vez este foi um ritual que não faltou). Branca de Neve com a maça vermelha na mão a dizer: "Talvez isto me anime". Achei que tinha tudo a ver comigo. Da mesma maneira que a Branca de Neve come uma maça envenenada também eu ponho veneno no meu corpo para matar o bicho. Mas no fim, como os contos de fadas tudo corre bem, devido à maça envenenada o principe acaba por encontrar a Branca de neve e têm um final final. O mesmo vai acontecer comigo, depois do veneno vem o facto de eu ficar totalmente curada. Com um grande final feliz! :D
Quando entrei na sala da quimio já a enfermeira Madalena estava a cantorolar. Bom augurio pensei logo! Estava a cantar "Con te Partiro" de Andrea Bocelli, eu claro tive logo de a acompanhar.
Conclusão: quando me picou no cateter foi logo à primeira e não houve qualquer stress. Ai que bom!
A Quimio DOC é branquinha. Brinquei com a enfermeira e disse-lhe: "Oh, desta vez o chichi já não vai mudar de côr" ehhehe
(veêm? todas branquinhas)
Bem, não sei o que me deram, se foi da quimio ou não, mas aquilo deu-me uma grande moca. Acho que adormeci na ultima meia hora da quimio. Sentia-me tão tão drogada.
Quando saímos do hospital chovia a potes. Lá se foi a minha ideia de ir almoçar a um restaurante à beira mar. Para que eu nao apanhasse muito frio e chuva parámos numa estação de serviço (mesmo drogada tava cheia de fome e comi uns mcnuggets no McDonalds) e depois fui fazer reiki, como de costume depois da quimio.
Nunca adormeço a fazer reiki. Meto-me sempre à conversa mas desta vez com a droga que sentia no meu sistema acabei por adormecer. heeheh Algo inédito! Tinha também feito reiki na vespera da quimi. Dois dias seguidos e hoje acordei sem a dor no joelho. O reiki ajuda-me imenso, fisicamente e mentalmente. Agradeço a Deus todos os dias pelas pessoas que tem colocado no meu caminho ao logo dos anos e pela força que ele me dá todos os dias.
Antes de ir para casa, o rui e eu fomos comer umas panquecas ;) - antes que o sabor da minha boca mudasse, mas nada de chocolate que já percebi que nos primeiros dias nao posso comer nada de que goste muito porque senão acabo por enjoar. Eu nao quero enjoar o chocolate! :)
Os comprimidos para o enjoo mudaram. Agora em vez de ser aquele que era apenas uma vez por dia antes do pequeno almoço, agora é um que se chama "Ondansetron 8mg" que se toma antes do pequeno-almoço e antes do jantar. Deve ser mais fraco, contudo dá-me sono na mesma, mas parece que fico um pouco mais lucida.
Assim, os efeitos secundários que sinto até agora são: sede, lingua estranha - deve estar a vir aquele sabor esquisito, cara super vermelha (o que até nao e mau... assim não tenho frio) e um pouco de sono (que estou a conseguir gerir muito melhor que as vezes anteriores). De vez em quando doi-me um pouco a barriga, mas tento ignorar e respiro fundo (tenho pânico de dores de barriga devido ao meu Sindroma do Colon Irritavel), vai passar e se nao passar tomo um benurron e pronto.
Mas espero que estes sintomas continuem assim estáveis, e só o facto de estar a conseguir pensar faz-me sentir tão feliz mesmo com o temporal que está lá fora! :) Hoje o tempo não influencia a minha boa disposição!
Beijinhos para todos e espero que tenham um excelente fim de semana prolongado!
Faz hoje uma semana que fiz a 4º queima ao bicho. Chove lá fora, nao saio de casa à uma semana, os efeitos da quimio ainda nao passaram totalmente: tou cansada (quero procurar coisas e mexer-me mais e passado pouco tempo tenho de me sentar no sofa a descansar), com calor (se me mexo a procurar as coisas começo até a transpirar), com aquele sabor horrivel na boca (que me faz experimentar todos os tipos de doces e que depois me fazem sentir culpada por comê-los...) e com ansiedade no peito (só pode ser dor psicologica, nao existe mais nada que justifique e tudo devido ao dia da quimio). Portanto, nao estou de muito bom humor, mas estou a fazer os possiveis para recuperar: coloquei uma musica suave (Corrs foi a banda escolhida), coloquei duas velas grandes dentro da lareira para criar ambiente e desliguei as luzes que me estavam a deixar com a sensação que estava de noite todo o dia. Resumo: Tou sensivel!
E cá vai o relato da ultima quimio:
Ás vezes não devemos mudar certos hábitos. É certo que algumas coisas estão fora do nosso controlo, mas devemos nos manter fieis às que conseguimos opinar.
Fui fazer a 4º Quimio na Sexta (dantes era à quarta - mas esta rotina estava fora do meu controlo... se a queria fazer de manhazinha tinha de ser na sexta), mas desta vez não levei uma normal camisola divertida. O tempo mudou e as t-shirts divertidas que existem sao demasiado subidas para as enfermeiras terem acesso ao catéter. Portanto, levei uma blusa preta lisa com decote e o lenço da cabeça era cor de rosa com dois tons para não me sentir tão escura.
O facto é que a blusa preta nao deu sorte. Já nao levo mais nada preto!
Quando a enfermeira me picou no catéter não acertou com o sitio como deve ser à primeira(ainda andou ali às voltas e nada). Eu tentei nao me preocupar muito, mas devo ter ficado muito nervosa (uma pessoa nao consegue controlar o que sente, e sinto-me traumatizada com o catéter). A outra enfermeira quando veio, voltou a picar e acertou à primeira. O problema é que começou-me a doer a barriga... isso significa que eu ainda tava nervosa (o meu sindroma do colon irritavel)... nem percebi porquê uma vez que a parte mais chata já estava... depois da pica nao se sente mais nada.
Olho para o Rui e digo: "-Amor, nao me estou a sentir bem. Diz aí à enfermeira"
Ele olha para mim e diz-me que são nervos (que novidade!) e que já passava.
Eu insisto: "-Amor, chama a enfermeira AGORA que eu nao me tou a sentir nada bem"
Nao percebo porque é que quando digo ao meu marido que nao me estou a sentir bem, ele ainda pensa que consegue controlar a situação. Quando lhe digo que nao me estou a sentir bem é sinal que já não consigo controlar a coisa, seja ela qual fôr. Não costumo ser medricas.
Sabia que nao era da quimio, aliás o tratamento nem sequer ainda tinha começado. As duas enfermeiras "saltaram" logo para cima de mim e a primeira coisa que a enfermeira Madalena me diz quando olha para mim é: "Ai Claudia, pareces um lençol!!"
Acho que ainda consegui sorrir com a observação enquanto me ligam à máquina de medir a tensão. A minha tendencia era para fechar os olhos enquanto ela me chamava "Claudia, abre os olhos e olha pra mim!"
Ao fim de pouco tempo, dá-me vontade para vomitar e lá se vai o pequeno-almoço. Depois disso, senti-me logo melhor. As enfermeiras nao me disseram quanto tinha caído a minha tensão arterial para eu nao me assustar.
Mal vomitei o Rui ainda comentou na brincadeira: "-Pelo menos desta vez não foi para cima de mim"
(Sim, houve uma vez, no ano passado que eu lhe disse "Amor nao me estou a sentir bem", ele dizia que era dos nervos, eu sentada na casa de banho e volto a dizer-lhe "vem pro pé de mim que nao me estou a sentir bem", ele lá vem e mesmo a tempo antes de eu desmaiar e cair na casa de banho e quando acordo vomitei para cima dele!! Ele já devia ter aprendido com este episodio LOL)
Depois disso, a quimio correu como sempre tem corrido: bem.
Desta vez não houve fotos, foi demasiada emoção...
Acho que tenho uma relação de "Amor/Ódio" com o catéter. Amo-o porque me permite ter acesso à minha cura (uma vez que nao tinha veias para fazer quimio) e porque as minhas veias finas nao ficam estragadas nos braços. Odeio-o porque me deixa tão tão nervosa cada vez que mexem nele e porque fiquei traumatizada com a sua colocação. Já disse que quando o tiverem de tirar que o façam comigo inconsciente ou entao que me dêem uma droga tão boa que eu nem saiba onde tou! :P
O Começo das DOC
A proxima quimio vai mudar. E desta vez tenho de ir levar as coisas em duas doses = dois dias - ai... dois dias seguidos picada no cateter... :(
Isto porque num dia levo com uma coisa chamada "Anti-corpos" (nao sei o que são ainda) e no dia seguinte levo com a nova quimio, a DOC (que em termos de efeitos secundários parece que é mais leve que a que eu tenho levado... esperemos que sim! A ver se na próxima consulta esclareço isso com a médica).
A enfermeira disse-me que antigamente levava-se com as duas coisas no mesmo dia, mas que agora os médicos decidiram que é muito pesado fazer tudo seguida.
Uma coisa positiva no meio de isto tudo é que a enfermeira disse-me que depois da proxima quimio o meu cabelo poderia já começar a querer crescer (lembrem-se que ele nunca caiu totalmente).
"A quimio que a Claudia levou antes, de 1 a 10 o cabelo caí 9. A proxima quimio que vai levar, de 1 a 10, o cabelo cai 4. Portanto, é provavel que começe a crescer depois da primeira dose."
Observações/Perguntas
Algumas pessoas têm a ideia de que a quimio tem apenas efeito nos primeiros dias e que o primeiro é o pior. Para mim o primeiro é o melhor. Mas isto varia de pessoa para pessoa. Comigo os efeitos da quimio (pelo menos desta AC que tenho estado a levar) duram uma semana e meia.
Estava a falar com uma amiga na segunda e a dizer-lhe o que sentia e ela diz admirada: "Mas fizeste quimio na sexta e ainda te sentes assim?"
Eu lembro-me que uma aqui das amigas do peito uma vez me disse num comentário, que com ela as 3 semanas nao lhe davam para recuperar, que quando ia fazer a quimio ainda tinha sintomas da anterior. Tudo depende de pessoa para pessoa! Portanto, sou uma sortuda de ter uma semana em que me sinto eu própria. (e sabe a tão pouco)
Uma outra pergunta que me fizeram um dias destes. Estava a falar com um amigo que já não falava há algum tempo e contei-lhe "É cancro da mama" (temos de chamar as coisas pelos nomes para enfrentá-las). E ele pergunta-me: "É grave?"
E eu fico a olhar para a pergunta (estavamos a falar por net) e nem sabia o que lhe dizer... Acabei por escrever "NAO"... (afinal isto tem cura... para mim algo só é grave se não tiver cura). Mas fico mesmo com a noção que a maior parte das pessoas não sabem o que é passar por uma coisa destas, nem das suas implicações. Fico feliz por haver pessoas que não tiveram familiares ou amigos a passar por nada disto. Porque, depois eu ver e sentir à minha volta várias pessoas com cancro, a palavra "Grave" é tão subjectiva!
Portanto, não perguntem a alguém se a doença é grave. Uma gripe às vezes pode ser pequena e se transformar noutra coisa mais grave, mas o que quer dizer grave??
Quando alguém vos disser que tem cancro e que tem de fazer quimio perguntem:"O que é que os médicos dizem? Tem cura, não tem? Como te sentes? Precisas de ajuda para alguma coisa? Se quiseres desabafar sabes que podes contar comigo."
Porque muito mais importante do que a parte fisica pela qual o nosso corpo tem de passar para se curar, o pior é manter a parte mental, é termos de atravessar o campo de batalha e manter o espirito alto e não desanimar! E nisso, as pessoas que nos rodeiam são fundamentais e basta que nos façam sorrir uma vez por dia para nos sentirmos melhor.
Obrigada a todos que me têm feito sorrir e me ajudam a continuar de queixo erguido para a batalha.
Ainda há pouco quando desabafava com uma amiga que hoje era um daqueles meus dias raros de mau humor e brincava se seria da chuva ou das minhas hormonas aos pulos, a minha amiga relembrou-me: "Não te esqueças que tás no meio de uma batalha! As batalhas não são fáceis. É normal por vezes te sentires assim".
E agora subi para o cavalo e sinto-me mais animada! LOL
Dia 22 de Julho, quinta-feira, lá fui ao Hospital para colocar o catéter. Estava marcada para entrar às 14h e seria a 3º pessoa da tarde, neste caso seria a ultima do dia.
Levaram-me para uma sala com camas e muita luz natural. Todos os que lá se encontravam eram muito simpáticos. Despi-me e meteram-me numa cama para depois me ligarem ao soro (eu nunca tinha levado com soro - pelo menos que eu me lembre!) Claro que para colocar o soro foi logo uma aventura devido às minhas veias! (qual veias?) Mas levei aquilo no desportivismo. Nao me importo de ser picada, desde que nao esteja a olhar quando o estão a fazer.
O enfermeiro disse, depois de ver o meu bracinho, que só fazia duas tentativas, depois disso passava para a chefe dele que era super perita! E realmente ele tinha razão! Bateu-me no braço e na mão (sempre o lado esquerdo) para tentar sobressair alguma veia, mas a coisa estava dificil. De tanto bater e apertar eu bem lhe dizia que se aquilo ficasse roxo no dia seguinte bem que podia ir acusar o meu marido de violencia doméstica! heheh Bem, ao fim de duas tentativas desistiu, e realmente fiquei com uma nodoa negra em ambos os sitios no dia seguinte! Nódoas negras já nem ligo. Só meti uma vez o Trombogel e nos dias seguintes deixei que aquilo curasse por si mesmo.
Quando a enfermeira chefe veio brincou logo com a situação, dizendo que realmente os homens nao serviam para nada e que as mulheres é que sabem fazer as coisas como deve ser (todos realmente tinham muito bom humor e isso relaxou-me imenso). Tal como ele, viu o meu braço, apertou, bateu, mas o certo é que à primeira conseguiu uma veia minima que me disse logo: "Nao queremos perdê-la por isso cuidado!". De certo que a experiencia de uma pessoa conta muito. Fiquei toda contente! E aqui está uma foto do cateter com soro com a veia que conseguiram apanhar!
Depois disso, o Rui já podia entrar naquela sala e estar comigo o tempo que quisesse. Queixei-me, a brincar, que o enfermeiro me tinha batido e o rui perguntou logo na brincadeira qual era o carro dele e o numero de contribuinte! LOL
Como a minha entrada no bloco estava para demorar, mandei-o ir trabalhar! De que valia, para mim ou para ele, estar ali a apanhar uma seca como eu? No trabalho ele ainda relaxa e se distrai um pouco, e eu senti que estava num bom ambiente, a ser bem cuidada, e mesmo com o soro ligado à mão fui jogando psp.
Fui observando as pessoas que iam chegando das mini-cirurgias ou cirurgias. Quando chegavam os enfermeiros davam-lhes umas bolachinhas e um chá. Depois ajudavam a vestir se o acompanhante da pessoa ainda nao tivesse chegado e certificavam-se que a pessoa quando saisse estava mesmo bem. Muito cuidadosos. (o certo é que eles até têm um inquerito para serem avaliados pelo doente quando este sai).
Ás 14 horas a primeira pessoa da tarde já estava no bloco operatório, mas tratava-se de uma operação ao estomago e houve complicações o que fez com que demorasse horas lá dentro. Vendo a demora da primeira operação, a enfermeira (sabendo que o meu caso era uma coisa rapida de se fazer) ainda tentou enfiar-me logo a seguir, mas a 2º pessoa da tarde já estava preparadissima e portanto nao tive outra solução senao esperar.
Descobri que levar soro dá-nos muita vontade de ir à casa de banho. (É como estarmos a beber àgua).
A certa altura o médico que me ia colocar o catéter apareceu (eu nao o conhecia). Perguntou-me de que lado era a Neoplasia (o meu cerebro por instantes pensou "neo quê?" mas depois percebi logo que ele se estava a referir ao cancro). Cada um chama-lhe o que quiser.
Disse-me: - Geralmente colocamos o cateter do lado direito, mas dado a sua neoplasia ser desse lado vou ter de o colocar no esquerdo. É mais dificil, mas faz-se.
Eu fiquei calada. Interroguei-me mentalmente porque raio seria mais dificil colocar no lado esquerdo, mas o certo é que nem queria saber. Se aquilo levava anestesia local era tudo o que me interessava.
O que é certo é que às 8 da noite ainda lá estava. Era a unica naquele quarto. e aquele serviço fechava às 9. A enfermeira chefe rescostou-se num dos cadeiroes e começamos a falar de férias e claro das Maldivas (a sortuda já lá tinha estado 3 vezes, portanto conversa nao faltou).
Devia ser umas oito e meia quando entrei para o bloco operatório. A unica operaçao que tinha tido na vida tinha sido em miuda, ao nariz e com anestesia geral. Estar acordada, numa sala de operações, e para quem não gosta deste tipo de coisas como eu, é um pouco assustador: ouvimos tudo. E como fico nervosa com estas situações, o meu corpo começa a tremer involuntáriamente (o mesmo aconteceu quando fiz a biopsia da mama).
As enfermeiras era simpáticas e ainda conversamos um pouco enquanto me preparavam. "A gravidez muda o nosso corpo em todos os sentidos e depois aparecem estas coisas", comentou uma delas.
Todos terminavam o turno às 9 da noite, mas todos eles tinham concordado em lá ficar para me colocar o catéter. (percebi que não lhes pagam horas extras)
A sala era fria, muito limpa, só havia eu e os instrumentos, mais nada. Senti-me um como um paciente num espisódio da série "Anatomia de Grey" quando ouvi uma musica ambiente animada (que a certa altura deixei de a ouvir - deve ter sido dos nervos).
Colocaram-me um pano azul do pescoço para cima e de vez em quando uma enfermeira espreitava-me e perguntava se me sentia bem.
"Vou dar a picada da anestesia", disse o médico. "Fixe", pensei. Picadas nao me custam assim tanto e depois nao vou sentir nada.
"Sente alguma coisa na orelha esquerda?", perguntou ele. "Não", respondi-lhe, pensando para com os meus botões se deveria estar a sentir ou a nao sentir o que ele me perguntava. "E agora?" "Não", voltei a dizer-lhe. Mas não sentir era algo bom ou era mau? (claro que não perguntei - mais valia nem saber!)
"Quando estiver a doer qualquer coisa diga.", disse-me passado algum tempo depois da anestesia. "Estranho" pensei, mas ao mesmo tempo calculei que fosse para ele ter a certeza que a anestesia estava boa.
"Mas não lhe está a doer nada?" Por vezes doia qualquer coisa, mas eu nao sou muito de me queixar. "Ás vezes" "Diga sempre quando lhe doer" E a partir daí de vez em quando dizia "au" sempre que sentia qualquer coisa (descobri que é esta a minha palavra para a dor). Mas houve um dos "aus" que em vez de ele parar com a dor, agravou-a. E eu "au, au, au" e doeu tanto que até encolhi a perna (quando ele me tinha avisado que nao me devera mexer nunca! Mas nao consegui me conter). "Não se mexa!", reclamou ele.
Ok, muito stress. Conclusão: pôr um cateter doi. A explicação na minha cabeça é muito simples. Eles devem colocar a anestesia local no local onde abrem para pôr o cateter, mas depois empurram-no mais para baixo e essa parte que empurram nao tem anestesia.
Quando acabaram-me de coser, enrolaram-me como uma mumia. O médico sentou-me na marqueza e deu-me indicações de como eu poderia mexer o braço até que até penso fosse mudado. Depois disso foi o stress para tirar uma radiografia (nao podia sair do hospital sem uma - é o procedimento). Cheguei a casa era já meia noite.
Tinha os tais exames que a medica da quimio me tinha pedido para fazer marcados para o dia seguinte, mas vi logo que nao ia conseguir ir a lado nenhum assim enrolada De facto, nunca pensei que pôr um catéter fosse assim.
E aqui estava eu no dia seguinte: A MUMIA. Por isso o blog ficou todo desactualizado, nao pude fazer muitos movimentos com o braço durante cerca de uma semana.
O certo é que a mini cirugia correu muito bem e o pós operatório também (tive muito cuidado comigo e segui as instruções à risca).
Isto eram os pontos no dia 26 de Julho, ou seja 4 dias depois! Têm bom aspecto - era o que toda a gente me dizia... E já viram? Tive de levar um penso tao grande para uma coisa tão pequenina!
No dia 28 de Julho (quarta feira) fiz a primeira quimio (ainda falta colocar um post sobre isso) - ainda nem tinha tirado os pontos nem nada. A foto tirei-a após fazer a quimio porque dá para ver a distancia entre os pontos e a picadela do cateter quando se faz quimio.
O primeiro penso (o branco) é onde estao os pontos. O penso normal é onde foi a picada que dá acesso ao catéter, que dá acesso directo à veia.
Quando fui tirar os pontos no dia 31 de Julho, sabado, e que não doi nada, comentei com o médico que a colocaçao do catéter me tinha doído imenso e ele perguntou-me: - Se tivesse uma amiga que fosse colocar um cateter dizia-lhe que era algo que doia muito? - Não. - respondi-lhe - dizia-lhe que ia doer só um bocadinho. (E afinal a noção de dor também varia de pessoa para pessoa) - Sabe - confessou-me ele. - Nós nunca sabemos até que ponto vai doer.
E isto é a minha Marca de Guerra. Foto tirada hoje de manhã quando o resto do penso saiu por si mesmo.