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sábado, 21 de julho de 2012

Que posso dizer?


O que posso dizer quando a minha vida dá tantas voltas que eu não consigo controlar? A minha vida tinha um plano, uma estrada, mas desde o inicio desde blog que não controlo a direcção em que sigo. Escolho acreditar que alguém me guia e sabe exactamente o que está a ser feito na minha vida, porque eu não faço a mínima ideia onde estarei ou o que estarei a fazer ou quem estarei amanhã.

Quem acompanha este blog há muito tempo, sabe que o meu marido foi o meu pilar durante os tratamentos. Começámos 2010 com uma gravidez que deu em aborto retido e depois em Junho fui diagnosticada com o cancro. Ele esteve sempre lá, em todas as consultas, em todos os tratamentos, em todos os momentos em que eu precisei, nos 2 anos de tratamento. Deu-me as injecções das defesas na barriga (que só este ano me confessou que foi uma das coisas mais difíceis que teve de fazer), brincava com as enfermeiras da salas de tratamento trazendo o bom humor e o optimismo, recusou-se a deixar o hospital sem que visse que eu estava bem depois da operação, sempre fez tudo por mim, sempre alegre, sempre bem disposto. Mas interiormente algo se quebrou nele, que eu, concentrada na minha cura não me apercebi. Só depois de finalizar o herceptin, aos poucos, me fui apercebendo.

Muito resumido, o amor que ele tinha por mim, o amor de marido, de amante, desapareceu. Os psicólogos dizem que ele quis tanto cuidar de mim, quis tanto que eu estivesse bem, que se anulou a ele próprio e substituiu o amor que me tinha por um amor de pai, que é o amor de quem cuida. Nunca pensei que isso pudesse acontecer. Ele ama-me, mas não se sente atraído por mim, nem tem paixão por mim.

È certo que ouvimos dizer que o cancro "mata" muitos relacionamentos, mas isso acontece mais na fase dos tratamentos. No meu caso, o meu relacionamento com o meu marido era muito saudável, raramente tínhamos discussões, raramente discordavamos das coisas, temos muita coisa em comum. Mas quando contamos às pessoas o que nos aconteceu elas não estranham, acham normal depois de tudo aquilo por que passámos.

Eu não acho normal. E esta era a última coisa que eu esperava que me acontecesse.

Assim, de um casamento de 4 anos e 11 anos juntos, apenas ficou uma grande amizade e já não vivemos na mesma casa.

A Lição: Nunca, mas nunca mais vou deixar um marido ou namorado meu cuidar de mim quando ficar doente, nem que seja uma constipação, (acho que acabei de ficar traumatizada). Penso no ditado "Quem ama, cuida"... bem, no meu caso foi levado demasiado à letra...

Como me sinto?
Eu choro. Basicamente isso é o que acontece comigo pelo menos uma vez por dia. Chorar faz bem, liberta-nos a alma, a tensão do corpo e eu quero continuar a preservar o estado de saúde pleno do meu corpo.

Mas como andava um pouco cansada desta tempestade emocional resolvi "fugir" uma semana para a Republica Dominicana com a minha irmã. O mar e o sol ajudaram-me a sentir melhor. Fiquei muito feliz por constatar que o meu braço (o que não tem gânglios) se portou muito bem com o calor e com o mar. Claro que tive muito cuidado com ele e com o peito, sempre protector 50 e saía da àgua e ia directamente para a sombra. De qualquer maneira consegui ficar um pouco morena.


(Sou a de azul)



Voltei menos cansada.
Não estou com nenhuma depressão (o que podia ter acontecido com tudo a ruir na minha vida). Acho que é o reiki, a meditação e as afirmações positivas que me fazem levantar da cama e ter fé que tudo isto tem um propósito muito bom para a minha vida. Os amigos também têm sido incansáveis. Tenho bons amigos que me apoiam muito e que estão comigo desde sempre.

Olho para a minha vida e sinto que não tenho controlo de nada. Basicamente vejo a minha vida em duas fases separadas: a antes do cancro e a depois do cancro.

Antes do cancro:
* Pensava em engravidar
* Tinha um marido maravilhoso
* Tinha um bom emprego onde ganhava 1700 euros e onde já trabalhava há 10 anos

Depois do cancro:
* Não sei se alguma vez voltarei a arriscar engravidar novamente
* Não tenho marido
* Por não ter marido, não posso colocar papeis para adopção (e depois são precisos 4 anos de casada)
* Não tenho emprego
* Não tenho rendimento
* Não tenho subsidio de desemprego (porque durante os tratamentos me confundi com as baixas e não as entregava no prazo maximo de 5 dias na Segurança Social... faltam 30 dias para o prazo de garantia. Agora disseram-me para escrever para o "departamento de doenças" a explicar porque é que eu não tinha entregue as baixas a horas. Portanto, ainda não perdi a esperança.)

Mas há algo muito importante que eu tenho: a Saúde. Mês de Agosto é mês de revisão! Mas sinto que está tudo bem. Contudo não me apetecia fazer as analises ao sangue, nem a ecografia vaginal (ainda nem sequer a marquei!). Há dias em que me esqueço de tomar o tamoxifeno (a minha médica bater-me-ia se soubesse disso!), por falar nisso vou tomar já que ontem não tomei!. 

* Dor da anca - desapareceu desde que estive no mar. 
* Dor nos ossos das pernas - só aparecem se fico mais nervosa
* Dedo do pé - desde que a unha caíu que agora me anda a chatear à medida que cresce. Parece que está a querer encravar e já tenho a pele negra à volta da unha nova porque cria um liquido transparente. Amanhã vou à médica do centro de sáude e mostro-lhe.
 * Afrontamentos - Não consigo distinguir entre o que é dos afrontamentos e o que é deste calor LOL

O que vou fazer a seguir?
Não sei. 

Beijinhos para todos.




terça-feira, 26 de junho de 2012

Um dia de cada vez


O mês de Maio e Junho têm sido muito intensos a nível emocional e foi por essa razão que o blog ficou um pouco parado. Como esta onda emocional ainda não terminou, espero vir a falar dela no futuro, quando já houver uma resolução.

Entretanto coisas boas aconteceram que merecem ser assinaladas. Devido à tensão emocional emagreci e agora só me faltam perder 5 quilos para voltar o peso que tinha quando esta batalha se iniciou. As roupas ficam-me melhores e já me reconheço no espelho.

Fisicamente só a dor esporádica da anca  esquerda me continua a incomodar, não sei se hei-de esperar que passe ou se hei-de ir a algum médico. Mas não me apetece nada fazer exames e médicos. Devia ter marcado a eco vaginal para este mês, mas nem isso me apeteceu. Fujo a bem fugir de tudo o que tenha a ver com medicina. E, nesse aspecto Maio foi bom pois, pela primeira vez desde há muito tempo que me abstraí da minha parte física. Este mês já fui limpar o catéter.

Fez este mês 2 anos que isto tudo começou. O tempo passa, a batalha foi dura, mas estou aqui e valeu bem apena lutar.

Fui este mês pela primeira vez à praia! :) Ohhh que saudades que eu tinha do mar!






O cabelo está a crescer bem e descobri que nesta fase me fica muito bem esticadinho, por isso tenho ido mais vezes à cabeleireira. (eu nunca tive muita habilidade para cuidar do meu cabelo).

Continuo a ter sempre muito cuidado com o braço que não tem gânglios. Hoje, por exemplo, não fui fazer a minha caminhada porque achei que estava demasiado calor para ele. Quando começo a andar, sinto que ele quer inchar e páro em todos os bebedouros para o refrescar.

A nível profissional continuo à espera da resposta da Segurança Social para obter o subsidio de desemprego (já vamos em quase 3 meses de espera). A semana passada fui reclamar e saí de lá a chorar porque isto é um assunto que realmente mexe muito comigo, especialmente porque tenho uma renda da casa para pagar e quando é tão injusto que eu tenha trabalhado 10 anos seguidos (sem nunca ter colocado uma baixa) e depois fico doente, entrego as baixas com atraso e apanho este stress de poder não ter direito. Mas mantenho o meu pensamento positivo e espero que quando pegarem no meu processo (sim... em 3 meses ainda nao pegaram nele!!!), que a pessoa que cuide dele seja um anjo!

E é por isso que tento levar um dia de cada vez. Estou aqui agora, estou bem, sinto-me saudável e isso é realmente importante para que tudo o resto se conjugue na minha vida,

Um beijinho muito grande para todos os que acompanham o meu blog desde o dia em que ele nasceu


ps. O periodo continua desaparecido.

Ps2. - Os afrontamentos têm fases. 




segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Consulta de Senologia


Consulta de Senologia

Existe uma coisa que a minha senologista, além da parte médica, é um espectáculo: cumprimento do horário. Eu nunca vi uma médica ser tão certinha com as horas. No dia 26 de Dezembro, o dia seguinte ao Natal, 8:45 da manhã e já lá estava ela e eu já fui a 5º a ser atendida. Nove e dez e já estava a sair do hospital.


Mal me viu a médica pediu-me para retirar o gorro e exclamou enquanto tocava no meu cabelo: - Tanto cabelinho! E está forte!
Ela é realmente uma querida e foi pela sua personalidade que a escolhi para cuidar de mim desde o inicio. Gosto dela por me dizer logo no inicio da consulta:
- Sabe que esta vigia é para o resto da vida. O seu tumor tinha muito mal aspecto.
- Eu sei. Eu sei.
Mas penso, tudo se resolveu e vai continuar a resolver. Apenas preciso de seguir o meu caminho, vigiar e fazer reiki.
Depois ficou toda contente quando lhe disse que terminei o herceptin!

- Apalpação
A médica começa pelo pescoço, passa pelas axilas e depois o peito. Na apalpação estava tudo bem, mas quer que eu faça uma ecografia mamária e uma mamografia pois a mama direita está muito durinha ("Tem uma mama que parece uma menina de 16 anos!"). Recomendou-me um sitio especifico para fazer esses exames porque a médica que os faz é muito intuitiva e meticulosa.

- Soutien
Posso finalmente dizer adeus aos meus soutiens de ginástica! Mas no fundo acho que vou continuar a usa-los até ao começo da Primavera. Tou gorda, não me apetece comprar sotiens novos que depois me irão ficar largos. Além disso nas camisolas de Inverno não se distingue o tipo de soutien que uso.

- Cicatrizes
Diz que a da mama está muito boa (eu também penso o mesmo) e que todas as mulheres têm sempre uma mama maior que a outra e, portanto, aí não mexemos mais (nem eu queria! Ufff). Mas não gosta da minha cicatriz debaixo do braço. Diz que está feita e larga. No futuro quer mexer nela para a disfarçar. Não sei o que penso disto. Está debaixo do braço, não vejo a cicatriz nem penso nela a menos que me doa ou me olhe no espelho. É como aquele ditado "longe da vista, longe do coração", e é isso que acontece.

- Creme para as cicatrizes
Disse-lhe que estava neste momento a colocar creme nivea da lata azul, mas ela recomendou-me comprar "Oleo de rosa mosqueta", que é o que ela usa nas suas cicatrizes. Tenho de ver se o vou comprar.

- Coração
Pediu-me para fazer também um ecocardiograma (já não faço nenhum há quase um ano). Eu disse-lhe que ia fazer um ECG, mas ela diz que no ecocardiograma é que se vê bem. Isto porque o herceptin intoxica o coração.

- Próxima consulta
Só me conseguiu arranjar um consulta no computador para 16 de Abril 2012. O Estado não permite que se atenda mais de 15 doentes por dia e se ela o fizer é penalizada. É o país que temos actualmente, provavelmente se necessitar ainda vou à consulta a particular.

- Dor no Braço e na costela ao pé da mama direita
Normais. E ainda me disse "aqui também lhe deve doer" e tocou-me efectivamente num sitio que me doeu muito.
Queixei-me que me doia a mão (andei a semana toda a colocar voltaren e acho que o dedo indicador direito até inchou). Disse-lhe que a oncologista tinha dito que isto acontecia porque eu não utilizava muito o braço, ao que ela me respondeu: - Eu também não quero que o use!

Esqueci-me de lhe falar do aparecimento do período, não lhe mostrei a eco vaginal porque não tive oportunidade de a ir levantar (mas disse-lhe que o médico que a fez me disse que estava tudo dentro da normalidade - apenas um pequeno espessamento no útero e alguns quistos nos ovários). Também não lhe falei da minha falta de memoria e das minhas dores nas articulações dos pés... para quê? Já sei que são tudo ainda mazelas da quimioterapia.

E com ela é isto tudo... ainda não marquei a eco e a mamografia, mas o ECG e o Ecocardiograma devo fazê-los amanhã.

Na sexta feira vou fazer uma colonendoscopia. Nunca fiz nenhuma. Ainda tenho de ir comprar o preparado que se bebe antes. A senologista disse que o exame é fácil, mas que a preparação para ele é que era chata. Tem de ser feito, e sei que depois de o fazer vou ficar mais descansada. E é isso que eu procuro: um pouco de paz.



Subsidio de Desemprego

Como me atrasei a entregar as baixas, acabei de descobrir, na semana passada, que não tenho direito a subsidio de desemprego. :(

Sabem qual foi a primeira coisa que me passou pela cabeça quando descobri isso? Pensei "Como vou conseguir colocar os papéis para adopção sem rendimento?"



Como me sinto?

Cansada, esgotada, frustrada, ansiosa, triste... como se fosse uma falhada, mas tudo passa. Tudo é efémero e o importante é que haja saúde e tenha o meu marido abraçado a mim.

Bom ano para todos!



Ps. Sinto falta das minhas pestanas. Olho para os outros e vejo umas pestanas compridas. Sinto falta das minhas assim. Quem sabe um dia elas não voltem a crescer...


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Como perder 12.000 euros em baixas...


Perdi 12.000 euros em baixas. Doeu, chorei na segurança social que nem uma perdida, logo eu que nunca sou de chorar em publico, mas secalhar com o processo todo do tratamento que fiz já não retenho o que sinto. As lágrimas vieram e derramei-as sem vergonha nenhuma. Se estamos tristes temos de chorar, não é?
Quando saí da segurança social chorei pela rua toda até ao centro de emprego.

Consegui tratar das coisas nestes dois serviços pedindo a senha prioritária, os doentes oncológicos têm direito.

Mas então, como é que isto aconteceu? Ignorância minha, incompetência de outros.

A ignorância: eu tinha plena consciência que estava a entregar as baixas com atraso, mas nunca pensei que se passasse 5 dias após o dia em que está na vinheta assinada pelo médico que perdia a baixa TODA!

Mas como é que eu não dei conta? É simples. A empresa tinha um acordo com a segurança social e sempre me pagou a totalidade do ordenado. No ano e meio que estive de baixa sempre recebi o meu ordenado certinho. O dinheiro que a segurança social pagava ia directamente para a empresa.

A incompetência: O facto é que a empresa nunca me informou que a segurança social não estava a pagar as minhas baixas. E assim, foi com muita surpresa que, quando fiz acordo para sair da empresa (sim, é verdade despedi-me) é que me aparece a conta de menos 12.000 euros!!!

E se eu não tivesse feito um acordo monetário com a empresa para sair? E se eu voltasse normalmente ao trabalho? A empresa tinha-me feito um empréstimo bancário sem eu saber? Fiquei triste, muito triste. Como é que eles deixaram acumular 12.000 sem me dizer nada?
O correcto a fazer teria sido me dizerem: "oh claudia... a segurança social há dois meses que não nos paga, vê lá o que se passa". E eu teria ido ver e teria descoberto a situação e rectificado as coisas de aí a diante.

O meu marido (que também não sabia), aliás nenhum de nós os dois alguma vez tinha colocado qualquer baixa na vida (e já trabalhamos há mais de 10 anos). Ele diz-me "É apenas dinheiro. O que interessa a saúde". Mas custa, custa muito. Era o pé de meia enquanto eu estivesse no desemprego.

Portanto meninas, agora já sabem, entreguem sempre o papelinho antes de 5 dias. Eu ainda vou tentar recorrer com um papel do médico do trabalho explicando o que aconteceu e que não podia entregar a horas.

Beijinhos a todas e Boas Festas!!!