terça-feira, 25 de julho de 2017

7 anos Depois...

7 anos passaram assim... a correr. 7 anos de muitas emoções, muitas transformações físicas, emocionais, espirituais e muita aprendizagem. Todos os dias aprendo algo novo.

Estou de volta a Portugal (que saudades que tinha do sol!!)
e vou fazer alguns posts (com temas específicos) sobre as coisas que ainda se tornam uma luta diáriamente.

Quem já passou por cancro da mama sabe que a luta não termina no dia que acaba os tratamentos. Aliás eu costumo dizer que a luta começa aí, nesse instante, em que temos de descobrir se somos a mesma pessoa que éramos anteriormente ou um alguém completamente diferente. Enquanto estamos a lutar pela vida a nossa mente está ocupada, como se a nossa adrenalina estivesse em alta e nos ajudasse a mover. Quando tudo termina vem o silêncio. Olhamos no espelho e não somos a mesma pessoa a tantos níveis: o cabelo ainda curto, modificadas fisicamente - seja pela perca do peito, seja pelas cicatrizes, pelos quilos ganhos, pelo braço que (sem gânglios) não me mexe como queríamos. Olhamos no espelho e perguntamos quem é esta nova pessoa... o que é que ela quer para a vida? Quer voltar para a mesma profissão, o mesmo trabalho, ou quer algo novo? Ou merece algo melhor?
Deus deu-nos uma segunda oportunidade de viver. E agora, que faço com esta nova oportunidade?

Seja qual for a decisão. É vossa. Se não for vossa de coração têm de ter cuidado para não entrar numa fase de depressão. E se esse for o caso procurem ajuda, não se fechem numa concha.

Eu lembro-me de depois dos tratamentos ter pedido uma consulta psicologia. Pensei que talvez precisasse de ajuda para a nova fase, um apoio. Tinha desistido do trabalho de 10 anos, Portugal em 2012 estava já em crise profunda e eu fazia 2 horas de caminho (de transportes públicos) para chegar ao trabalho. Eram 4 horas por dia (que eu aproveitava para ler). Mas depois de uma luta de 2 anos para viver, essa luta profissional já não me fazia sentido. sentia que já não tinha capacidade. E lá fui eu a essa consulta de psicologia, Entrei, ouvi e nunca mais coloquei lá os pés. lol

O que a psicóloga me dizia não fazia sentido aos meus ouvidos. Falar com ela, foi como se estivesse a falar com uma pessoa que nunca tinha passado pela mesma situação que eu na vida e por isso tudo o que ela me dizia não ressonava aos meus ouvidos. Para ela tudo era simples de resolver.
- O que gosta de fazer? - perguntou-me.

- Escrever. Antes estava a escrever uma saga de fantasia. Ia no terceiro volume. E escrevi uma historia para crianças sem cabelo.
- Entao escreva. Faça isso. Envie para as editoras.
Olhei para ela como se estivesse com um extra terrestre à minha frente. Devia estar a brincar comigo. Desde os tratamentos que a minha memória tinha sofrido, a minha concentração também, não conseguia escrever mais de meia hora no computador devido ao braço e, cada vez que me sentava para escrever sentia um sentimento de culpa em como devia estar a aproveitar melhor a vida. Um sentimento que devia estar no momento presente e não a voar para a história da minha personagem como se estivesse a viver a minha própria vida.

Ultrapassei as duras fases pós-cancro sózinha, com o método que foi melhor para mim. 

Lembro-me bem da fase em que atingi o fundo do poço. Acordei um dia e perguntei-me: vou me levantar para quê? Não tinha emprego, o marido tinha saido de casa, não tinha filhos... não tinha utilidade.
E deixei-me ficar... e fiquei assim por uns 3 dias... ao fim do terceiro dia (pleno verão) comecei a ficar constipada. E então pensei: Lutei tanto para ficar com a minha saude. Não vou perdê-la.
E levantei-me.

Não queria tomar medicação para ansiedade e afins (porque a medicaçao tem um pesado efeito no figado e o figado já é gravemente prejudicado com os tratamentos de quimioterapia). Lembro-me que me levantava todos os dias, sentava-me  no chão com uma almofada, colocava musica de meditação, cantava, rezava, fazia afirmações positivas, chorava quando precisava de chorar, fazia reiki. Só me levantava quando achava que estava preparada para enfrentar o novo dia. Ao meu ritmo, do meu modo. 

E, ao fim de 7 anos, ainda me levanto e faço o que tiver de fazer para colocar a cabeça no lugar. Apesar de algumas dificuldades terem desaparecido, a ansiedade ainda continua lá. Como já disse num outro post, é como se fosse um fantasma de que às vezes damos conta da sua presença.

Quando as dificuldades surgem, isto é sempre o que eu digo: Um dia de cada vez. Vamos caminhando um dia de cada vez. E um dia de cada vez se passaram 7 anos.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Viagem à India e Precauções

Uma das coisas que me marcou mais no ano passado foi a ida á India, para o meu casamento.

O meu marido é indiano. (as voltas que o nosso mundo dá... alguem adivinharia isto no inicio do meu blog?)

Depois de termo tido cancro, a nossa mente muda (pelo menos a minha mudou). Arriscamos mais, vemos cada dia como especial e queremos aproveitar ao máximo cada momento. Ao inicio tinha mesmo de sentir que tinha feito algo todos os dias, agora já consigo ficar um dia em casa sem ter bichos carpinteiros no corpo. Acho que ao inicio ate me sentia culpada se estivesse parada sem fazer nada. Como se não tivesse a aproveitar o tempo que Deus me deu.

Mas sim, arriscamos mais. (não em termos de saude), mas em decisões de vida!

VACINAS

Em termos de saude, ir à India não foi um grande desafio. Se desejar ir a algum país asiatico, os medicos do centro de saude têm um livrinho onde têm todos os países e as vacinas necessárias para levar como prevenção. Acabei por descobrir que não levava a vacina do tetano há mais de 15 anos!! (levei um raspanete da enfermeira ui ui). Depois hepatites A, B (uma destas já eu tinha) e ainda tem de se tomar uns comprimidos semanais (comecando uma semana antes da viagem) para prevenção da malária. Nenhuma desta medicação interfere com o tamoxifeno.

AVIÃO vs BRAÇO sem glanglios

A segunda preocupação, quando se faz uma viagem tão longa de avião, é com o braço que não tem os ganglios. Existem algumas pessoas que recomendam que se use uma manga elastica antes destas grandes viagens (devido à pressão do ar, ele pode querer inchar), mas eu resolvi mais uma vez arriscar e nao ter cuidado com isso. Já tinha viajado para a republica dominicana (7 /8 horas),  frequentemente viajo de Londres-Lisboa e o braço não se porta mal. As vezes faço exercicios pelo meio e claro, sempre roupa que não o deixe apertado.
Viajando para a India, mais uma vez, o braço não teve qualquer problema.

A unica vez em que o braço me incomodou muito foi numa viagem de Lisboa para Londres. Foram duas horas com dores no ossos ao longo de todo o braço. Deduzi que aconteceu devido à diferença de temperatura. Se o tempo muda o braço é o primeiro a acusar (acho que é um pouco como alguem que parte um osso e que sente sempre o tempo mudar).

SEGURO DE SAUDE DE VIAGEM?

Para a India também não fiz seguro de saude de viagem. Para quê? Qualquer coisa o meu marido me levaria ao hospital e certamente as despesas na India nao seriam como num hospital particular na Europa.

De facto, mal chegámos o meu marido apanhou uma gripe (como? vai se lá saber) e claro, que me fez o favor de me pegar imediatemente. LOL Mas não houve stress. Eu levava de prevenção uma bolsa cheia de medicamentos para tudo e mais alguma coisa.
Ele decidiu ir ao medico, que lhe receitou antibiotico. E, acabou por trazer para mim também. Nem precisei de ir ao consultório. Nunca obter antibioticos foi tão fácil.

ALIMENTAÇÃO

Tive muito cuidado com a agua que bebia (só engarrafada, inclusivé a lavar os dentes) e naquilo que comia. Não me arrisquei a comer comida de rua. E a minha barriga portou-me bem com a ajuda diária do ultra-lever. (porque até a tomar banho me esqueço e alguma àgua entra pela boca)

PELE e HENNA

Com o sol não foi preciso ter cuidado porque não fui em clima muito quente.

Como não podia deixar se ser uma noiva indiana usa Henna nas mãos e nos pés. Meses antes de partir já eu andava a pensar nisso. Não queria chegar à India e ter algum problema com a Henna no braço que não tem os ganglios.
Pesquisei na net na tentativa de encontrar experiencias de alguem que tivesse utilizado henna no braço operado, mas não encontrei qualquer informação. Contudo, fiz a pergunta num grupo ingles de apoio ao cancro da mama e, por sorte, uma das raparigas disse-me que já tinha feito.Tinha colocando henna numa festa e no final é que se lembrou do braço! Mas o braço e a pele não sofreram quaisquer alterações. Isso foi o passo que eu precisava para experimentar.

Comprei henna natural (a natural tem menos probabilidade de reacções alergicas pois nao tem produtos quimicos) e fiz a Henna em casa. Correu tudo bem e quando a ocasião na India se proporcionou eu sentia-me mais confiante. 




Aqui ficam algumas fotos da aventura:





(reacção a minha mãe a esta foto: wow tu tens sobrancelhas!!  (um que um lapis para as sobrancelhas faz! LOL)


Ao inicio estava um pouco receosa de usar as pulseiras no braço sem ganglios (ha anos que nao usava). Mas nada de mal, desde que sejam largas e que nao apertem o braço.



terça-feira, 29 de março de 2016

De volta para actualizãção e partilha de experiencias

Quase nem acreditei quando reparei que já passaram dois anos desde da minha ultima publicacao! O tempo realmente foge.

Vários seguidores do blog me pediram uma actualização e eu andava de dia em dia para vos escrever,. A razão da minha ausencia deveu-se a razões de caracter pessoal (não relacionadas com a saude). Mas sinto que é realmente necessario partilhar aquilo que sei e que tenho aprendido ao logo deste tempo. A vida  é uma constante aprendizagem e ajuda imenso se tivermos a história de alguem que já passou pelo mesmo e que vê as coisas com uma outra perspectiva. 

Muitas pessoas chegam ate mim para desabafar,  obter informações ou um conselho. Eu ajudo no que posso. A minha medica senologista envia as doentes directamente para o meu blogue e muitas acabam por descobrir como me contactar. Nao sou perita no assunto, apenas sei aquilo que aprendi com a minha propria experiencia e tenho sempre esperanca de transmitir uma mensagem positiva, porque a esperança é a ultima a morrer. 

Lembro-me uma vez no ano passado, estava à espera da consulta anual de senologia na sala de espera. Subitamente o numero do ecrã passa para o meu numero e olho para a porta do consultorio, mas nao vejo a ultima paciente a sair. Reticente bato à porta e quando a abro vejo uma senhora a chorar. Tinha acabado de receber a noticia que tinha cancro da mama.
A minha médica olha para mim e diz: - Claudia, diga aqui a esta senhora que vai ficar tudo bem!
Ao que eu imediatamente respondi: - Claro que vai!
A medica contou-lhe que eu tinha tido o mesmo que ela e que agora estava ali muito bem de saude. Acabei por mostrar a minha mama com a cicatriz e a senhora saiu do consultorio com o coração mais leve. Com esperança. Porque no fundo o medo é causado pela incerteza do que vai acontecer. Agora aquela senhora  podia ter uma visão mais clara do que podia esperar após a cirurgia. E como a mente contribui 50% para a cura (senao mais) já é meio caminho andado.

No inicio do meu caminho, encontrei uma senhora numa sala de espera que depois de conversarmos uma com a outra, me levou para a casa de banho e me mostrou a como tinha ficado a sua mastectomia. E também houve alguem me passou o telefone de uma outra senhora que, sem me conhecer, me falou do que ia acontecer e me esclareceu. 

A vida é dar e receber. E faço-o de coracão e continuarei a fazer. 

Há pessoas que fogem um pouco do passado. Nao querem falar do que lhes aconteceu (cada pessoa tem a sua maneira de reagir). Comigo acontece totalmente o oposto. Como posso ignorar algo que mudou tanto a minha vida, a minha maneira de ser e de pensar? 

Assim, os proximos posts serão um resumo da aprendizagem destes ultimos 2 anos e um pouco de partilha do que aconteceu comigo a nivel pessoal.

Não posso deixar de referir que o ano que passou foi um ano muito pesado em termos de perdas. Perdi 6 amigas. Partiu-me o coracão vê-las partir. Todas lutaram muito. 

Por isso a vigilância é tão importante e apanhar o bicho com antecedencia é o passo principal para vencer a batalha.

E viver um dia de cada vez. o melhor que se pode. Porque a vida é um bem tão precisoso.

Ps. Se descobrirem muitos erros ortograficos neste post e nos seguintes... o corrector autografico não está a funcionar.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Evolução...




A minha querida amiga Ana Camoes do blog "A vida não é fácil" fez-me este video há algum tempo atrás. Mostra a minha evolução do antes, durante e depois dos tratamentos. (tirando a foto da minha irmã a segurar umas cuecas de Natal LOL).

É  interessante ver que agora me olho no espelho e a Claudia que está lá não é nenhuma dessas que aparece no video. É o seguimento de uma evolução :)

Beijokas fofas!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Limpando o Cateter...

Olá a todos,

Quero primeiro agradecer a todos os quanto me enviam palavras de agradecimento pelo blog. Sinto-me muito feliz por saber que ajuda tantas pessoas numa fase tão desafiante da vida, foi esse o meu principal objectivo: ser um blog util.

Hoje venho falar do meu amigo cateter. Ainda não consegui tratar das coisas em Inglaterra e por isso tenho vindo a Portugal limpá-lo. Supostamente a limpeza do catéter em Portugal é de 6 em 6 semanas (sim, difere de país para país)... digo supostamente porque tenho esticado o prazo e faço-o em cada 10 semanas.

A limpeza do Cateter não dói muito
e quando é limpo pela enfermeira certa é super rápido. É a mesma coisa levarmos com uma picada no braço para tirar sangue, a diferença é que no meu caso a picada é mesmo acima do coração.

O meu cateter está muito fundo e por isso a agulha tem de ser a maior, mas isso nao faz diferença, a unica coisa que quero é que quando sou espetada a agulha vá parar ao sitio certo.

Ultimamente tem sido a Enfermeira Carmo (que é um amor de pessoa) a limpá-lo! E ela tem olho e nunca falha! :D É um alivio e ainda damos umas gargalhadas!

Aqui ficam algumas fotos que ilustram aquilo que falo:


A Enfermeira Carmo a tentar encontrar o cateter




Aqui temos cateter espetado... retirada de sangue e depois leva com outro liquido qualquer transparente que eu não sei o nome. 5 minutos e está limpo!

Se me chateia limpar o cateter periodicamente? Sim.
Chegamos a um ponto ao fim de quase 4 anos que estamos fartos de todos os cuidados médicos, sejam consultas, exames de rotina, etc etc... E eu, só de imaginar que passados os 5 anos ainda tenho de ir para uma sala de operações para o retirar tremo logo!

Mas ao mesmo tempo a limpeza do cateter é apenas uma coisa minima quando uma pessoa já passou por tanto e por isso faço-o com boa disposição. E, é sempre bom chegarmos ao hospital, e ter-mos enfermeiras tão bem dispostas à nossa espera. No fundo, penso que vou à sala dos tratamentos para dar umas beijokas a todas as pessoas tão simpáticas que por ali trabalham.

É para essas pessoas que hoje vai um beijinho especial do coração!






:















sábado, 28 de dezembro de 2013

Televisão 2013


Estava aqui a lembrar-me que ainda não tinha colocado no blog as duas entrevistas que tive este ano na televisão. Aqui ficam elas:

Março 2013



Julho 2013




quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Para a frente é o caminho...

Olá a todos,

No mês de Agosto tive consulta com a Senologista. Como estava tudo bem ela só me quer voltar a ver lá para Janeiro (para depois me mandar fazer uma ressonância mamaria... é certinho que da próxima vez não me safo de a fazer).

Depois voei para Londres. Nunca eu adivinharia no inicio deste blog que estaria à procura de trabalho em Londres 3 anos depois, aliás quando a história toda começou trabalhava há anos numa empresa e estava bem posicionada. O facto é que a fase da doença revolucionou a minha vida e não podemos voltar atrás e não podemos controlar o futuro. O futuro a Deus pertence, como se diz. E se há coisa que um doente oncológico sabe é que na nossa vida não há controlo de nada, podemos tentar, comemos melhor, tentamos não ter tanto stress, exercitamos o  corpo, mas o resultado não está totalmente nas nossas mãos. É andar sempre com fé.

O período veio em Junho e depois desapareceu. Doí-me o mamilo da mama boa, como se tivesse sensível e a única coisa que me descansa para não entrar em paranoia é o facto de ter uma ecografia feita em Julho. Tou em apostar que é o periodo que pode aparecer por aí a qualquer momento e que isto seja uma revolução de hormonas qualquer. Portanto tento simplesmente ignorar, mantendo o fantasma afastado. Muito jogo mental! Muita meditação e pensamento positivo!

A procura de emprego é interessante, já fui a umas entrevistas e existe uma pergunta que tento sempre contornar  "Porque é que deixou a empresa onde trabalhava?" ou "O que fez desde que deixou a empresa onde trabalhava?".

A ultima coisa que quero referir numa entrevista é a palavra cancro, muitas vezes associada à morte.

Questão: "Porque é que deixou a empresa onde trabalhava?"
O que eu queria responder: "Depois de 2 anos a combater um cancro da mama estava esgotada física e mentalmente para fazer 4 horas de transportes públicos por dia."
O que eu respondo: "A empresa estava a despedir os trabalhadores" (o que é bastante verdade)

Questão: "O que fez desde que deixou a empresa onde trabalhava?"

O que eu queria responder: "Bem, descansei. Analisei a evolução do meu braço direito (que agora já me permite estar mais tempo ao computador. Fiz mais exames medicos, emagreci e fiz exercício fisico. Basicamente foi tentar novamente reconhecer-me no espelho e tentar ter um equilíbrio entre a Claudia de antigamente e a Claudia de agora. Fiz voluntariado na Biblioteca municipal e publiquei um livro para crianças. Tentei arranjar emprego em Portugal, mas como Portugal está em crise decidi tentar Londres.
O que eu respondo: "Fiz voluntariado na Biblioteca municipal e publiquei um livro para crianças. Tentei arranjar emprego em Portugal, mas como Portugal está em crise decidi tentar Londres."

Não há-de ser o facto de ter passado pelo que passei que me há-de definir. Ou pelo menos tento que assim não o seja.

O pessoal pergunta-me:
"como vais limpar o cateter em Londres?" - Não faço a mínima ideia.... vou preocupar-me com isso mais tarde, tenho até ao final de Outubro para encontrar uma solução. Acho que depois de arranjar casa fixo procuro o centro de saúde mais próximo para me inscrever.

"como vais à oncologista?"
- Não sei. Tenho oncologista marcada para dia 23 de Dezembro. Talvez consiga ir a Portugal no Natal... a ver vamos. Uma coisa de casa vez. Também tenho de fazer a ecografia vaginal por essa altura... :/

Para a frente é o caminho... e ter fé de que Deus nos guia os passos.

Beijinhos a todos,

Ps. a ver se coloco as duas entrevistas que tive este ano na TV (uma da TVi - fatima Lopes e a outra da SIC- Júlia Pinheiro) a ver se não me esqueço




terça-feira, 23 de julho de 2013

O Fantasma


Os dias e os meses passam, mas há coisas que permanecem constantes. 

Mesmo com o tempo, um fantasma rodeia-me, às vezes tenta-me assustar, outras vezes faz vacilar a fé, outras vezes deixa-me nervosa. O fantasma vem uma vez por outra rondando, testando-me.

Este fantasma que estou falando é aquele que aparece quando o braço doí, a mama doí, os ossos doem, quando temos de fazer um exame... tenta tirar-me os pés do chão, lembra-me em que como a vida pode mudar num segundo e como esse segundo mudou toda a minha vida. Lembra-me da fragilidade humana e de como não tenho controlo sobre a minha vida.

Será que o fantasma alguma vez se vai definitivamente embora? Acho que não. Contudo há dias em que ele não aparece.


O período
O período continua inconstante. De Fevereiro a Junho não apareceu. Voltou novamente em Junho e não sei se vem tão depressa novamente porque sinto que estou novamente com afrontamentos. As minhas hormonas parecem andar aos saltos, o que influencia também os humores e a paciência, e desde Março a Junho tive duas infeções urinárias (acho que isso está diretamente ligado a isso).
Quando o período está ausente os ossos das pernas também se ressentem mais. 


A mama e o braço direito
Ás vezes ambos doem. E se começam a doer durante mais dias então vem o fantasma. Começo a pensar de como me doeu quando descobri a doença, começo a pedir ao pessoal à volta para me apalpar a mama (só para eu tentar perceber quão grande é a paranoia). Sim, paranoia acho que é a palavra adequada ao estado que começo a ficar.
E então como nos livramos desse estado nervoso? Fazendo ecografia mamaria. Felizmente tinha uma marcada e saí de lá com o maior sorriso nos lábios quando a medica me disse "está tudo bem"

"Está tudo bem", são as palavras mais deliciosas do mundo. E assim por outros 4 meses tento manter o fantasma afastado. 


Deixo-vos uma foto de como estou agora. O cabelo já tá com um belo comprimento. Acho que foi só depois do herceptin parar é que começou a crescer mais.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ai os Calores!!!



Estava o meu periodo a portar-se tão bem e eu a pensar que isto estava agora a entrar na linha, mas a mestruação resolveu ir dar uma volta ao bilhar grande no mês de Março e Abril.

Veio tão certinho em Janeiro e Fevereiro que pensei que era desta que isto se endireitava. Enfim...

Voltámos então ao efeito sauna... calor, suar, transpirar... e a doses e doses de paciencia e ao rescurso ao famoso leque quando o vento quente parece que me queima por dentro!

A ver vamos até quando isto dura.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Esperança

Ontem acabei a minha revisão e agora estou livre, como qualquer ser normal, por 6 meses. Estava tudo bem: as analises, a mamografia, a ecografia mamária e a ecografia vaginal. Tudo confirmado pela minha querida Senologista que está sempre no meu coração.

Mestruação

Em Dezembro fui à oncologista e queixei-me dos seguintes sintomas:
- suor amarelo quando transpiro
- dores de ossos (mas estava tudo bem com a cintigrafia)

E então ela disse que todos os sintomas de que me queixei eram apenas de uma coisa: do facto de não ter periodo. 

"E então o periodo não vem por causa dos comprimidos Tamoxifeno?", perguntei
"Não, o periodo não vem devido à quimioterapia que levou." - informou-me.

"E como é que sabemos se ele vai aparecer? " 
"Não sabemos. É esperar."

E lá me passou também umas analises para ver se eu não estava em menopausa precoce.

Não pensei mais no assunto. Ponho agora sempre tudo nas mãos de Deus.

E vem o Janeiro e aparece-me o periodo. E vem o Fevereiro e aparece-me o periodo certinho. 
Ai uma pessoa já não tá habituada a tanto sangue!!! LOL Nem aos preços dos pensos do periodo que não usei durante dois anos!!! Poupei uma pipa de dinheiro enquanto ele não veio!

E então está confirmadissimo que não estou em menopausa precoce.


Futura Gravidez

Na consulta com a senologista, a ultima coisa de que eu ia falar era da possibilidade de voltar a engravidar. Já sabia a opinião dela que era "Claudia, esqueça lá isso, o seu tumor era hormonal."

Mas ontem, um milagre aconteceu e oiço ela dizer-me, sem eu dizer nada: "Se a Claudia quiser engravidar daqui a 3 anos tem o meu apoio."

E eu fiquei tipo: WOW, um milagre, um aumentar da esperança (porque a esperança sempre esteve cá e nunca parei de fazer afirmações positivas mesmo quando ela me dizia que não podia acontecer).

Ela diz que não existem muitas mulheres que tivessem cancro hormonal e que depois tivessem filhos, nao há muitos estudos e estatisticas. Mas parece que as poucas que estão a arriscar ter, está a correr tudo maravilhosamente bem, tanto para elas como para o bébé.

Portanto já estão a imaginar o meu sorriso e a alegria que se instalou ontem no meu coração. E espero que também seja uma mensagem de esperança para todas voçês que seguem o meu blog e que como eu têm a alma cheinha de esperança.

Beijinhos Grandes e sempre com o pensamento positivo
Claudia

Ps. Deixo-vos com uma foto minha neste Carnaval. Conseguiram-me colocar numa discoteca mascarada de Capuchinho vermelho!
O problema de estarmos num sitio com tanta gente é que temos sempre o olho no braço sem ganglios com receio de que alguém nos dê um valente encontrão. Mas superei esse receio e diverti-me bastante. :)





quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Um livro especial

Olá a todos os que acompanham este blog!

Mal posso crer que já passaram 2 anos e meio desde que o criei, desde que a batalha começou. E sinto-me abençoada por poder ter partilhado esta minha aventura de vida e de receber mails de pessoas que estão no inicio da luta e que dizem que o meu blog as ajuda. Muito obrigada a todas por mostrarem que a criação deste blog fez todo o sentido. O meu objectivo era isso mesmo, ajudar quem tivesse de passar pela mesma situação.

E hoje venho-vos falar de algo especial ao meu coração.

Antes do cancro eu escrevia. escrevia muito, muitas histórias de fantasia. Quando fiquei doente pensei: "bem, vou aproveitar o tempo livre para escrever". Contudo, depois vi que não conseguia. 
A quimioterapia deixa-nos cansadas, sem energia, com o cérebro meio atrofiado porque andamos literalmente drogadas, não nos conseguimos concentrar. A memória também é afectada. E assim, os meus planos de escrita foram por água abaixo excepto.... excepto por um breve momento.

Estava eu na 3º ou 4º quimio, falando com as minhas queridas companheiras do grupo "gang da mama" no facebook quando calhou em conversa aquilo que lhes tinha custado mais durante todo o processo de quimioterapia. A decisão era praticamente unânime: "O pior de tudo foi a perda do cabelo".
Eu nao me importava com o cabelo, eu queria era a minha energia de volta! Isso é que me atrofiava e desanimava!
E então, nesse instante de conversa, pensei em todas as crianças que também perdem o seu cabelo, e surgiu-me uma história. Fui imediatamente buscar um papel e uma caneta (antes que a droga fizesse desaparecer a ideia) e em meia hora a Fada Íris e a Menina Serena tinham nascido. Magia! Pura Magia!

E agora essa magia materializou-se e este mês foi publicado este conto tão especial para o meu coração.



A Fada Iris - Os olhos do coração não é um livro sobre cancro. (não existe existe essa palavra em nenhuma pagina do livro). E, apesar de ser um livro dedicado a todos os adultos e crianças que um dia perderam o seu cabelo, o seu foco não é na doença.
Fala amor, de amizade, de entreajuda, bondade e, claro, do nosso coração. Porque independentemente de como seja o nosso aspecto exterior, quem nos ama, ama-nos incondicionalmente porque nos vê sempre com os olhos do seu coração. ♥

Obrigada a todos, por durante a minha luta, sempre me terem visto com os olhos do coração. 

As ilustrações são de uma querida amiga minha, a Ana Zurk, e estão maravilhosas!

A Fada Íris tem pagina de fãs no facebook: https://www.facebook.com/AFadaIris

Se alguém quiser eu posso enviar o livro. O pvp do livro são 10 euros.

Beijinhos quentes nestes dias frios!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Emagrecer é possivel

Este é um post de esperança para todas as mulheres que depois de terem passado pelo cancro, por tratamentos que nos colocam em cima quilos e quilos, que nos fazem inchar, que nos fazem olhar para o espelho e não perceber onde foi o nosso antigo reflexo. Este é um post para essas mulheres corajosas e lutadoras.

Quantas vezes me olhei no espelho e não me vi? Tantas, tantas. Quantas vezes evitava olhar-me no espelho com saudades do que era? Muitas.

Com os quase dois anos de tratamento (quimioterapia + herceptin) engordei cerca de 15 quilos. Os primeiros 5 foram fáceis, mas os restantes estavam teimosos (ou seria eu que me queria ver livre deles rapidamente?). 

Dizem que com o tamoxifeno é difícil emagrecer. Dizem que o facto de não ter período também não ajuda.

Mas aqui vem a minha mensagem de esperança para todas as mulheres, que como eu, têm de tomar os comprimidos: É possível emagrecer. 

Os quilos a mais foram-se e agora sou eu! Novamente eu! Olho no espelho e já me reconheço.

Como foi possível? Muitas, muitas caminhadas e contenção na comida. Isto foi o que resultou comigo, mas todas somos diferentes. Tentem descobrir o método que funciona com vocês. E acreditem que é possível! Sim, é mesmo possível! :)
Ps. Sabem aquelas dores que tínhamos nas articulações dos pés quando nos levantávamos no sofá e que nos faziam sentir como umas velhas? Com a perda de peso também se foram! Tudo melhora a cada dia.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Uma questão de Soutien


Desde que passou um ano desde a operação que voltei aos soutiens que ficam bonitinhos com a roupa. Por acaso ainda nao utilizei cai-cai, mas é uma questão de tempo até lá chegar.

Ora o mês passado fui à ginecologista, já não ia fazer a revisão à quase 2 anos. E ela fala-me "devia utilizar os soutiens sem aros, como os de ginástica, vá por mim."

E fico meio zonza com estas coisas. É certo que de vez em quando apanhamos uns mails ou uns posts no facebook alertando sobre essas coisas, mas cá para mim a questão dos soutiens é igual ao dos desodorizantes. As pessoas tentam por tudo arranjar uma causa para o aparecimento de cancro da mama, mas a verdade é que ela, por enquanto, não existe.
A senologista não me falou nada em soutiens! (e é a ela que eu escuto acima de tudo)


Estou fartinha de soutiens de ginástica (que agora só uso mesmo para isso, ginástica). Claro que tenho certos cuidados comigo: não uso o soutien apertado e quando chego a casa ponho-me à vontade e tiro o soutien (este hábito adquiri porque o soutien incomodava-me na cicatriz debaixo do braço).

Portanto nem vou pensar nisto... venham os soutiens e quanto mais sexys e confortáveis melhor! :D

Beijokas para todos!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Atestado de Incapacidade e Consulta de Senologia

Olá a todos,

Este mês é mês de revisão e consequentemente médicos e exames. 

Hoje fui à Senologista.

Está tudo bem. Ela não gosta muito das cicatrizes, mas o peito direito está muito bom e muito semelhante ao esquerdo. Eu também acho. E, com um soutien normal, ninguém adivinha aquilo que o meu corpo passou.

Eu: "Quando é que o catéter sai?"
Ela: "Deixe-o estar que ele está bem e não incomoda ninguém"

(quer dizer... incomodar muito não incomoda, mas não gosto nada de ser picada de 2 em 2 meses para lhe fazer a limpeza. Apesar de eu adorar a minha enfermeira Madalena que me pica 5 estrelas! - como hoje)

Ela disse que o quisto dos ovários estava grande. Tem neste momento 53 mm. Mas eu relembrei-lhe que em Março a ecografia mostrava um quisto maior (59 mm). Portanto está grande, mas diminuiu e um deles desapareceu! (fiz reiki 4 dias seguidos com essa intenção logo após o exame de Março)

Acabei por confessar que ultimamente me esquecia muito de tomar o tamoxifeno, devido ao stress, e ela olhou para mim com ar reprovador e disse: "Claudia, isso é para ser tomado certinho. O seu tipo de tumor era um dos piores que existe. Não facilite, não facilite."

Ela não fez referencia às analises de sangue, mas os marcadores tumorais estavam todos dentro dos valores e isso é o principal.

Acabei por dizer que tinha deixado de comer carne, ao qual ela, me surpreendeu com a seguinte resposta: "Acho muito bem, não deveríamos comer coisas mortas. O peixe também é morto." E assim, calculei que ela se tinha tornado vegetariana. Eu vou continuar a comer peixinho... é uma coisa de cada vez. E estou a pensar em tirar umas aulas de macrobiótica para aprender mais coisas.

 Acho que nós, doentes oncológicos, apesar de podermos comer de tudo, vamos tendo mais atenção com a nossa alimentação e com o nosso estilo de vida. Pelo menos foi isso que aconteceu comigo e com algumas amigas. 

Para a semana consulta de oncologia, mas como hoje já fui apalpada, agora estou muito mais descansada! :)


Atestado de Incapacidade de 60%
No dia de 3 de Agosto fui chamada para ir à Junta Médica e obter o atestado de incapacidade de 60%, por cinco anos (começa a contar a partir da data da biopsia ao peito - quando o que nos é tirado na cirurgia vai para análise, pelo menos foi o que eu compreendi).

Custo de se obter o papelinho: 50 euros

Os senhores da junta foram muito simpáticos e fizeram questão de me explicar quais os benefícios do meu novo papelinho. Referiram estes:

* Isenção das taxas moderadoras - agora tenho de ir com o papel ao centro de saúde para que isso fique no sistema.

* IRS - ganha-se mais IRS e como ainda nao passaram 120 desde a liquidação do IRS 2011 ainda posso modificá-lo (embora para modificar o IRS se pague 50 euros, por isso tem de se fazer a simulação online e ver se compensa modificar ou não). Entretanto já fui com o papelinho às finanças e eles actualizaram no sistema (algo que é necessário fazer sempre).

* Empréstimo à habituação - É possível baixar o empréstimo à habituação pois a taxa que é mexida não é o spread, é uma taxa do banco de Portugal que também oscila. Com este papel ficamos, pelos anos do papel, com a taxa mais baixa, o que faz baixar a renda. O que me disseram no banco é que isto só pode ser aplicado a empréstimos inferiores a 130.000 euros (se nao me engano... esta minha memoria...) e menos de 30 anos de empréstimo (os anos contam a partir de agora)

* Contas a prazo com mais de 7.000 euros - também se recebe mais de juros, mas esta informação ainda não confirmei.

* Isenção do selo do carro


A continuação de um ótimo Verão a todas as pessoas que seguem o meu blog. Gosto especialmente de saber em como os meus posts antigos ajudam quem começa agora uma luta, pois foi com a intenção de ajudar quem precisa, e que tinha duvidas como eu tinha no inicio, que criei este blog onde mostro este pedacinho da minha vida.

Beijinhos do coração para todas as pessoas que me acompanham. E vivam um dia de cada vez com alegria, pois é uma grande bênção estarmos aqui.

sábado, 21 de julho de 2012

Que posso dizer?


O que posso dizer quando a minha vida dá tantas voltas que eu não consigo controlar? A minha vida tinha um plano, uma estrada, mas desde o inicio desde blog que não controlo a direcção em que sigo. Escolho acreditar que alguém me guia e sabe exactamente o que está a ser feito na minha vida, porque eu não faço a mínima ideia onde estarei ou o que estarei a fazer ou quem estarei amanhã.

Quem acompanha este blog há muito tempo, sabe que o meu marido foi o meu pilar durante os tratamentos. Começámos 2010 com uma gravidez que deu em aborto retido e depois em Junho fui diagnosticada com o cancro. Ele esteve sempre lá, em todas as consultas, em todos os tratamentos, em todos os momentos em que eu precisei, nos 2 anos de tratamento. Deu-me as injecções das defesas na barriga (que só este ano me confessou que foi uma das coisas mais difíceis que teve de fazer), brincava com as enfermeiras da salas de tratamento trazendo o bom humor e o optimismo, recusou-se a deixar o hospital sem que visse que eu estava bem depois da operação, sempre fez tudo por mim, sempre alegre, sempre bem disposto. Mas interiormente algo se quebrou nele, que eu, concentrada na minha cura não me apercebi. Só depois de finalizar o herceptin, aos poucos, me fui apercebendo.

Muito resumido, o amor que ele tinha por mim, o amor de marido, de amante, desapareceu. Os psicólogos dizem que ele quis tanto cuidar de mim, quis tanto que eu estivesse bem, que se anulou a ele próprio e substituiu o amor que me tinha por um amor de pai, que é o amor de quem cuida. Nunca pensei que isso pudesse acontecer. Ele ama-me, mas não se sente atraído por mim, nem tem paixão por mim.

È certo que ouvimos dizer que o cancro "mata" muitos relacionamentos, mas isso acontece mais na fase dos tratamentos. No meu caso, o meu relacionamento com o meu marido era muito saudável, raramente tínhamos discussões, raramente discordavamos das coisas, temos muita coisa em comum. Mas quando contamos às pessoas o que nos aconteceu elas não estranham, acham normal depois de tudo aquilo por que passámos.

Eu não acho normal. E esta era a última coisa que eu esperava que me acontecesse.

Assim, de um casamento de 4 anos e 11 anos juntos, apenas ficou uma grande amizade e já não vivemos na mesma casa.

A Lição: Nunca, mas nunca mais vou deixar um marido ou namorado meu cuidar de mim quando ficar doente, nem que seja uma constipação, (acho que acabei de ficar traumatizada). Penso no ditado "Quem ama, cuida"... bem, no meu caso foi levado demasiado à letra...

Como me sinto?
Eu choro. Basicamente isso é o que acontece comigo pelo menos uma vez por dia. Chorar faz bem, liberta-nos a alma, a tensão do corpo e eu quero continuar a preservar o estado de saúde pleno do meu corpo.

Mas como andava um pouco cansada desta tempestade emocional resolvi "fugir" uma semana para a Republica Dominicana com a minha irmã. O mar e o sol ajudaram-me a sentir melhor. Fiquei muito feliz por constatar que o meu braço (o que não tem gânglios) se portou muito bem com o calor e com o mar. Claro que tive muito cuidado com ele e com o peito, sempre protector 50 e saía da àgua e ia directamente para a sombra. De qualquer maneira consegui ficar um pouco morena.


(Sou a de azul)



Voltei menos cansada.
Não estou com nenhuma depressão (o que podia ter acontecido com tudo a ruir na minha vida). Acho que é o reiki, a meditação e as afirmações positivas que me fazem levantar da cama e ter fé que tudo isto tem um propósito muito bom para a minha vida. Os amigos também têm sido incansáveis. Tenho bons amigos que me apoiam muito e que estão comigo desde sempre.

Olho para a minha vida e sinto que não tenho controlo de nada. Basicamente vejo a minha vida em duas fases separadas: a antes do cancro e a depois do cancro.

Antes do cancro:
* Pensava em engravidar
* Tinha um marido maravilhoso
* Tinha um bom emprego onde ganhava 1700 euros e onde já trabalhava há 10 anos

Depois do cancro:
* Não sei se alguma vez voltarei a arriscar engravidar novamente
* Não tenho marido
* Por não ter marido, não posso colocar papeis para adopção (e depois são precisos 4 anos de casada)
* Não tenho emprego
* Não tenho rendimento
* Não tenho subsidio de desemprego (porque durante os tratamentos me confundi com as baixas e não as entregava no prazo maximo de 5 dias na Segurança Social... faltam 30 dias para o prazo de garantia. Agora disseram-me para escrever para o "departamento de doenças" a explicar porque é que eu não tinha entregue as baixas a horas. Portanto, ainda não perdi a esperança.)

Mas há algo muito importante que eu tenho: a Saúde. Mês de Agosto é mês de revisão! Mas sinto que está tudo bem. Contudo não me apetecia fazer as analises ao sangue, nem a ecografia vaginal (ainda nem sequer a marquei!). Há dias em que me esqueço de tomar o tamoxifeno (a minha médica bater-me-ia se soubesse disso!), por falar nisso vou tomar já que ontem não tomei!. 

* Dor da anca - desapareceu desde que estive no mar. 
* Dor nos ossos das pernas - só aparecem se fico mais nervosa
* Dedo do pé - desde que a unha caíu que agora me anda a chatear à medida que cresce. Parece que está a querer encravar e já tenho a pele negra à volta da unha nova porque cria um liquido transparente. Amanhã vou à médica do centro de sáude e mostro-lhe.
 * Afrontamentos - Não consigo distinguir entre o que é dos afrontamentos e o que é deste calor LOL

O que vou fazer a seguir?
Não sei. 

Beijinhos para todos.




terça-feira, 26 de junho de 2012

Um dia de cada vez


O mês de Maio e Junho têm sido muito intensos a nível emocional e foi por essa razão que o blog ficou um pouco parado. Como esta onda emocional ainda não terminou, espero vir a falar dela no futuro, quando já houver uma resolução.

Entretanto coisas boas aconteceram que merecem ser assinaladas. Devido à tensão emocional emagreci e agora só me faltam perder 5 quilos para voltar o peso que tinha quando esta batalha se iniciou. As roupas ficam-me melhores e já me reconheço no espelho.

Fisicamente só a dor esporádica da anca  esquerda me continua a incomodar, não sei se hei-de esperar que passe ou se hei-de ir a algum médico. Mas não me apetece nada fazer exames e médicos. Devia ter marcado a eco vaginal para este mês, mas nem isso me apeteceu. Fujo a bem fugir de tudo o que tenha a ver com medicina. E, nesse aspecto Maio foi bom pois, pela primeira vez desde há muito tempo que me abstraí da minha parte física. Este mês já fui limpar o catéter.

Fez este mês 2 anos que isto tudo começou. O tempo passa, a batalha foi dura, mas estou aqui e valeu bem apena lutar.

Fui este mês pela primeira vez à praia! :) Ohhh que saudades que eu tinha do mar!






O cabelo está a crescer bem e descobri que nesta fase me fica muito bem esticadinho, por isso tenho ido mais vezes à cabeleireira. (eu nunca tive muita habilidade para cuidar do meu cabelo).

Continuo a ter sempre muito cuidado com o braço que não tem gânglios. Hoje, por exemplo, não fui fazer a minha caminhada porque achei que estava demasiado calor para ele. Quando começo a andar, sinto que ele quer inchar e páro em todos os bebedouros para o refrescar.

A nível profissional continuo à espera da resposta da Segurança Social para obter o subsidio de desemprego (já vamos em quase 3 meses de espera). A semana passada fui reclamar e saí de lá a chorar porque isto é um assunto que realmente mexe muito comigo, especialmente porque tenho uma renda da casa para pagar e quando é tão injusto que eu tenha trabalhado 10 anos seguidos (sem nunca ter colocado uma baixa) e depois fico doente, entrego as baixas com atraso e apanho este stress de poder não ter direito. Mas mantenho o meu pensamento positivo e espero que quando pegarem no meu processo (sim... em 3 meses ainda nao pegaram nele!!!), que a pessoa que cuide dele seja um anjo!

E é por isso que tento levar um dia de cada vez. Estou aqui agora, estou bem, sinto-me saudável e isso é realmente importante para que tudo o resto se conjugue na minha vida,

Um beijinho muito grande para todos os que acompanham o meu blog desde o dia em que ele nasceu


ps. O periodo continua desaparecido.

Ps2. - Os afrontamentos têm fases. 




sexta-feira, 27 de abril de 2012

Suor Amarelo


Ora, desde que comecei a fazer exercício físico reparei em duas coisas:

A axila irradiada pela radioterapia não transpira (com esta não me vou ter de preocupar quando chegar o Verão)

A axila boa mancha-me as camisolas brancas com um tom amarelo que não saí nas lavagens. (Tenho neste momento 3 camisolas a darem uma 2º volta na maquina de lavar roupa e desta vez coloquei tira nódoas, mas não estou confiante que vão sair. :( ).

Nunca tinha tido suor amarelo. Fui pesquisar na internet e, aparentemente, é normal. Já assentei na agenda para perguntar à médica em Agosto. Terá sido da quimioterapia, do herceptin ou será do tamoxifeno? Seja o que for não há nada que eu possa fazer além de fazer ginástica com camisolas mais escuras e de nem me atrever a usar uma camisola branca no Verão se vir que vou transpirar (o que é pena porque comprei até uma tshirt muito gira no mês passado).

Alguém por aí que tenha notado o mesmo que eu?